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{"id":51893,"date":"2021-03-19T18:35:40","date_gmt":"2021-03-19T21:35:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/?p=51893"},"modified":"2021-03-19T23:04:50","modified_gmt":"2021-03-20T02:04:50","slug":"a-quem-interessar-possa-entender-para-utilizar-a-imprescritibilidade-demarcada-na-novel-sumula-647-do-stj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/2021\/03\/a-quem-interessar-possa-entender-para-utilizar-a-imprescritibilidade-demarcada-na-novel-sumula-647-do-stj\/","title":{"rendered":"\u00c0 quem interessar possa entender para utilizar&#8230; A imprescritibilidade demarcada na novel S\u00famula 647 do STJ"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/s\u00famula-647-stj-430x430.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" class=\"aligncenter size-full wp-image-51897\" height=\"430\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/s\u00famula-647-stj-430x430.jpg\" width=\"430\" srcset=\"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/s\u00famula-647-stj-430x430.jpg 430w, https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/s\u00famula-647-stj-430x430-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/s\u00famula-647-stj-430x430-385x385.jpg 385w\" sizes=\"auto, (max-width: 430px) 100vw, 430px\" \/><\/a><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/a_quem_interessar_possa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"469\" height=\"104\" alt=\"\" class=\"alignnone size-full wp-image-29159\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/a_quem_interessar_possa.jpg\" style=\"width: 350px; height: 78px;\" srcset=\"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/a_quem_interessar_possa.jpg 469w, https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/a_quem_interessar_possa-385x85.jpg 385w, https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/a_quem_interessar_possa-450x100.jpg 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 469px) 100vw, 469px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-size:14px;\"><strong>Opini&atilde;o<\/strong><\/span><\/p>\n<p itemprop=\"name\"><span style=\"font-size:14px;\"><strong>A imprescritibilidade demarcada na novel S&uacute;mula 647 do STJ<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"authors\"><span style=\"font-size:10px;\"><time datetime=\"2021-03-17T19:23-0300\" itemprop=\"datePublished\">17 de mar&ccedil;o de 2021, 19h23<\/time><br \/>\n\t<a href=\"#author\">Por&nbsp;<span itemprop=\"author\">Henrique Guelber<\/span><\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"checked\" id=\"audimaWidget\"><iframe loading=\"lazy\" aria-label=\"Player Audima\" class=\"checked\" frameborder=\"no\" height=\"50\" id=\"audima-iframe\" scrolling=\"no\" src=\"https:\/\/audio.audima.co\/iframe-later-thin-audima.html?skin=thin&amp;statistic=true&amp;clientAlias=\" width=\"100%\"><\/iframe><\/div>\n<div class=\"wysiwyg\" itemprop=\"articleBody\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A aprova&ccedil;&atilde;o e publica&ccedil;&atilde;o da recente S&uacute;mula 647 <strong>[1]<\/strong> do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a (STJ) trata-se da consolida&ccedil;&atilde;o de uma jurisprud&ecirc;ncia vigente h&aacute; mais de uma d&eacute;cada <strong>[2]&nbsp;<\/strong>no Tribunal da Cidadania. Essa afirma&ccedil;&atilde;o primeira se faz necess&aacute;ria para que sejam afastadas surpresas e altas indaga&ccedil;&otilde;es sobre o enunciado sumular em quest&atilde;o ter ou n&atilde;o, efetivamente, trazido algo surpreendentemente novo no cen&aacute;rio jur&iacute;dico brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos se questionam como se daria a compatibiliza&ccedil;&atilde;o dessa novel s&uacute;mula com a posi&ccedil;&atilde;o do Supremo Tribunal Federal (STF) por ocasi&atilde;o do julgamento da ADPF 153, em 2010, que, em boa verdade, ainda se encontra com a pend&ecirc;ncia de julgamento de embargos de declara&ccedil;&atilde;o, com efeitos modificativos esperados. Na referida ADPF, o STF, em decis&atilde;o contestada por internacionalistas, cravou a recep&ccedil;&atilde;o da Lei da Anistia de forma irretoc&aacute;vel pelo novo regime democr&aacute;tico, contrariando jurisprud&ecirc;ncia cristalizada em inst&acirc;ncias internacionais que se depararam com o tema. Sim! Ao contr&aacute;rio do senso comum, noticiado o STF, ao manter o &quot;acord&atilde;o&quot; (veja: n&atilde;o se escreveu &quot;ac&oacute;rd&atilde;o&quot;, mas &quot;acord&atilde;o&quot;, sem o acento agudo na letra &quot;o&quot;) com os militares, fez exatamente o que j&aacute; se comprovou, no curso da hist&oacute;ria, como aquilo que n&atilde;o deveria ter sido feito. Ou seja, vincular a retomada do ambiente democr&aacute;tico aos interesses das For&ccedil;as Armadas, respons&aacute;veis, contraditoriamente, pela ruptura democr&aacute;tica imediatamente anterior.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antagonista ao que chamo de &quot;modelo brasileiro de Justi&ccedil;a de transi&ccedil;&atilde;o&quot;, a Comiss&atilde;o Interamericana de Direitos Humanos j&aacute; conclu&iacute;ra a respeito de sistemas de transi&ccedil;&atilde;o relativos a Argentina, Chile, El Salvador, Haiti, Peru e Uruguai&nbsp;por sua inconformidade com o Direito Internacional. Em termos outros, deliberou-se pela aus&ecirc;ncia de efeitos jur&iacute;dicos de uma lei da anistia nos moldes tupiniquins ante os preceitos que encartam a Conven&ccedil;&atilde;o Americana de Direitos Humanos. E n&atilde;o &eacute; s&oacute;: no &acirc;mbito universal, em seu Relat&oacute;rio ao Conselho de Seguran&ccedil;a, intitulado &quot;O Estado de Direito e a justi&ccedil;a de transi&ccedil;&atilde;o nas sociedades que sofrem ou sofreram conflitos&quot;, o secret&aacute;rio-Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas &agrave; &eacute;poca vaticinou que: <span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">&quot;(&hellip;)&nbsp;Os acordos de paz aprovados pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas nunca podem prometer anistias por crimes de genoc&iacute;dio, de guerra, ou de lesa-humanidade, ou por infra&ccedil;&otilde;es graves dos direitos humanos (&hellip;)&quot;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem-se, igualmente, que a Confer&ecirc;ncia Mundial de Direitos Humanos, realizada em Viena em 1993, enfatizou, na sua Declara&ccedil;&atilde;o e Programa de A&ccedil;&atilde;o&nbsp;que os Estados <span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">&quot;devem revogar a legisla&ccedil;&atilde;o que favore&ccedil;a a impunidade dos respons&aacute;veis por viola&ccedil;&otilde;es graves de direitos humanos, (&#8230;) e castigar as viola&ccedil;&otilde;es&quot;, <\/span>destacando que em casos de desaparecimentos for&ccedil;ados os <span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">&quot;Estados est&atilde;o obrigados, em primeiro lugar, a impedi-las e, uma vez que tenham ocorrido, a julgar os autores dos fatos&quot;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desaparecimentos for&ccedil;ados formula-se como uma express&atilde;o eufem&iacute;stica para o que se sucedia na Am&eacute;rica do Sul em seus m&uacute;ltiplos regimes ditatoriais.<span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\"> &quot;O labirinto do sistema repressivo montado pelo Regime Militar Brasileiro tinha como ponta-do-novelo-de-l&atilde; o modo pelo qual eram presos os suspeitos de atividades pol&iacute;ticas contr&aacute;rias ao governo. Num completo desrespeito a todas as garantias individuais dos cidad&atilde;os, previstas na Constitui&ccedil;&atilde;o que os generais alegavam respeitar, ocorreu uma pr&aacute;tica sistem&aacute;tica de deten&ccedil;&otilde;es na forma de sequestro, sem qualquer mandado judicial nem observ&acirc;ncia de qualquer lei&#8230;As capturas eram cercadas de um clima de terror, do qual n&atilde;o se poupavam pessoas isentas de qualquer suspeita&quot;&nbsp;<\/span><strong>[3]<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sequ&ecirc;ncia, o Comit&ecirc; de Direitos Humanos <strong>[4]<\/strong>, &oacute;rg&atilde;o do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Pol&iacute;ticos da ONU, a Corte Europeia de Direitos Humanos&nbsp;<strong>[5]&nbsp;<\/strong>e at&eacute; a Comiss&atilde;o Africana de Direitos Humanos j&aacute; se manifestaram sobre o falso dilema criado de que &eacute; necess&aacute;ria essa paz (&quot;acord&atilde;o&quot;)&nbsp;para que haja reconcilia&ccedil;&atilde;o. No caso da Comiss&atilde;o Africana, importante ter-se em mente a assertiva de que <span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">&quot;ao proibir o julgamento de autores de viola&ccedil;&otilde;es graves de direitos humanos, mediante a concess&atilde;o de anistia, os Estados n&atilde;o s&oacute; promoviam a impunidade, mas tamb&eacute;m eliminavam a possibilidade de que esses abusos fossem investigados e que as v&iacute;timas desses crimes dispusessem de um recurso efetivo para obter repara&ccedil;&atilde;o&quot;&nbsp;<\/span><strong>[6]<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossos coirm&atilde;os mais pr&oacute;ximos, Argentina, Chile, Peru, Uruguai e Col&ocirc;mbia, todos eles&nbsp;tiveram manifesta&ccedil;&otilde;es de suas Cortes Constitucionais contr&aacute;rias a uma lei da anistia nos moldes brasileiros.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De toda sorte, h&aacute; de se deixar n&iacute;tido, portanto, que o contexto em que promovidas as manifesta&ccedil;&otilde;es internacionais acima, bem como aquela pr&oacute;pria que se extrai do STF e da&nbsp;Corte Interamericana de Direitos Humanos&nbsp;ao julgar o caso Gomes Lund vs. Brasil, em nenhuma hip&oacute;tese&nbsp;veda ou tem como objeto o tr&aacute;fego de pedidos de natureza indenizat&oacute;ria c&iacute;vel. A anistia &eacute;, e deve ser, interpretada restritivamente. O mote central dos &oacute;rg&atilde;os internacionais mencionados e da pretens&atilde;o contida na argui&ccedil;&atilde;o de descumprimento de preceito fundamental (ADPF)&nbsp;&eacute; a busca pela verdade e justi&ccedil;a, propiciando a investiga&ccedil;&atilde;o de algozes compactuados com governos ditatoriais que perpetraram in&uacute;meras viola&ccedil;&otilde;es aos direitos humanos em tempos sombrios. &Eacute; o que deixou claro, inclusive, o ministro relator Eros Grau, ao descrever, quando do julgamento da ADPF 153, ser equivocada a pretens&atilde;o de<span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\"> &quot;invalidade da conex&atilde;o criminal que aproveitaria aos agentes pol&iacute;ticos que praticaram crimes comuns contra opositores pol&iacute;ticos, presos ou n&atilde;o, durante o regime militar&quot;.<\/span> Segundo ele, <span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">&quot;os crimes de qualquer natureza relacionados com os crimes pol&iacute;ticos ou praticados por motiva&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica&quot;<\/span> teriam a escolta da Lei da Anistia.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perceba-se, ent&atilde;o, que a desfa&ccedil;atez combatida pelos autores da ADPF 153, representados, entre outros, por F&aacute;bio Konder Comparato, foi a pr&oacute;pria extens&atilde;o da express&atilde;o &quot;crimes pol&iacute;ticos&quot;&nbsp;Seriam a tortura, o sequestro e o estupro&nbsp;crimes pol&iacute;ticos?&nbsp;A discuss&atilde;o pertence &agrave; san&ccedil;&atilde;o criminal ou n&atilde;o. Ao perd&atilde;o de natureza criminal ou n&atilde;o. Ao absurdo de se considerar tortura como crime pol&iacute;tico ou n&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diria existir em voga um microssistema jur&iacute;dico que deve ser do conhecimento de todos os brasileiros que pretendam conhecer seus meandros. Esse microssistema &eacute; formado pelos seguintes nortes normativos e jurisprudenciais: 1) A Lei 6683\/79 &mdash;&nbsp;Lei da Anistia; 2) a Emenda Constitucional 26\/1985 &mdash;&nbsp;emenda essa que, apesar de curta, &eacute; das mais desconhecidas e poderosas do nosso sistema jur&iacute;dico-constitucional; 3) o artigo 8&ordm; do ADCT da CRFB\/1988; 4) a Lei 10.559\/2002, que regulamenta o artigo 8&ordm; do ADCT; 5) a ADPF 153, STF &mdash;&nbsp;ou ADPF da Lei da Anistia; 6) o caso Gomes Lund vs. Brasil, Corte IDH; 7) a S&uacute;mula 624&nbsp;<strong>[7]<\/strong> do STJ; e 8) a S&uacute;mula 647, STJ.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A raz&atilde;o pela qual o debate se recrudesce na primeira leitura do teor da S&uacute;mula 647, STJ, em meu modo de ver, se d&aacute; por uma confus&atilde;o, natural, que se tem a respeito dos institutos jur&iacute;dicos em cena. Como assim seria imprescrit&iacute;vel a a&ccedil;&atilde;o indenizat&oacute;ria por danos morais e materiais que se proponha em virtude de atos praticados durante a ditadura se o STF j&aacute; assentou que a Lei da Anistia foi recepcionada pela Constitui&ccedil;&atilde;o Federal?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em melhor an&aacute;lise: se o STF entende que a Lei da Anistia foi recepcionada pela Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, n&atilde;o seria o caso de se negar de plano qualquer pedido indenizat&oacute;rio dela derivado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A incompreens&atilde;o inicial se desmonta a partir do momento em que a base l&oacute;gica da decis&atilde;o do STJ emerge. Lamenta-se que o STJ queira sempre pontuar que a decis&atilde;o tomada n&atilde;o se reporta, em hip&oacute;tese alguma, ao conte&uacute;do do decidido pela Corte IDH, ao contr&aacute;rio do que MPF insistentemente conclama.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Explica-se: O Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal, ao propor a&ccedil;&otilde;es civis p&uacute;blicas pretendendo repara&ccedil;&otilde;es e retomadas &eacute;ticas, inclusive, com pedidos p&uacute;blicos de desculpas e a perda de cargos e aposentadorias <strong>[8]&nbsp;<\/strong>para agentes malfeitores de atos durante o regime militar, deixa claro que o n&atilde;o acolhimento de tais argumentos pelo STJ acarretaria o descumprimento do teor da senten&ccedil;a da Corte IDH. Est&aacute; correto o MPF. Claro!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por seu turno, o STJ, de maneira escorregadia, reconhece a juridicidade dos pedidos do MPF, reforma as decis&otilde;es de primeira inst&acirc;ncia e do TRF respectivo, mas deixa &quot;claro&quot; n&atilde;o estar apegando-se ao decidido pela Corte IDH. Faz uma interpreta&ccedil;&atilde;o dignificante e reconhecedora de que muitas das v&iacute;timas das viola&ccedil;&otilde;es aos direitos humanos da &eacute;poca da ditadura militar n&atilde;o teriam as m&iacute;nimas condi&ccedil;&otilde;es de sequer propor tais demandas no prazo quinquenal de prescri&ccedil;&atilde;o ordin&aacute;ria de pretens&otilde;es indenizat&oacute;rias contra a Fazenda P&uacute;blica, advinda, pois, do Decreto 20.910\/1932, numa clara alus&atilde;o &agrave;<span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\"> actio nata.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A afirma&ccedil;&atilde;o que se faz traz contundente simbolismo. O STF compreende, atualmente, que n&atilde;o possui compet&ecirc;ncia para o julgamento de recursos especiais, apesar da literalidade do artigo 105, III, &quot;a&quot;, da CRFB, que tenham como causa de pedir a compatibilidade do ato ou decis&atilde;o com tratados internacionais sobre direitos humanos. Assim se decide pelo entendimento vigente no STF que reconhece, a tais tratados, hierarquia supralegal, (AgInt no Resp 1.1704.452\/SC). A quest&atilde;o &eacute; relevante e merece estudo oportuno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curiosa a &quot;argumenta&ccedil;&atilde;o defensiva&quot; que repetidamente o STJ prolata no julgamento do Resp 1.836.862\/SP , no sentido de que <span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">&quot;dispensa-se a an&aacute;lise da viola&ccedil;&atilde;o de julgados da Corte IDH, pela via de disposi&ccedil;&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o anexa&quot;.<\/span> Mais adiante, no mesmo ac&oacute;rd&atilde;o, verifica-se:<span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\"> &quot;Entende este tribunal serem imprescrit&iacute;veis as a&ccedil;&otilde;es c&iacute;veis embasadas em atos de persegui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, tortura, homic&iacute;dio e outras viola&ccedil;&otilde;es de direitos fundamentais cometidas durante o regime militar de exce&ccedil;&atilde;o, independentemente do que tenham disposto a Corte Interamericana ou tratados&quot;.<\/span>&nbsp;Em mi&uacute;dos: <span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">&quot;Vejam bem, n&atilde;o estamos decidindo com base na Corte IDH! Fiquem tranquilos!&quot;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perde-se oportunidade sem igual de melhor se relacionar com a not&aacute;vel decis&atilde;o da Corte IDH e sua farta jurisprud&ecirc;ncia nesta tem&aacute;tica para parametriza&ccedil;&atilde;o, ainda que persuasiva, a respeito de quest&otilde;es indiscutivelmente pulsantes no Brasil sobre os direitos humanos.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos males, o menor. No julgamento do AgInt no Resp N&ordm; 1.602.586\/PE, o STJ consignou ser pac&iacute;fico seu entendimento de que a prescri&ccedil;&atilde;o quinquenal, disposta no artigo 1&ordm; do Decreto 20.910\/1932, &eacute; inaplic&aacute;vel aos danos decorrentes de viola&ccedil;&atilde;o de direitos fundamentais, que s&atilde;o imprescrit&iacute;veis, principalmente quando ocorreram durante o regime militar, &eacute;poca na qual os jurisdicionados n&atilde;o podiam deduzir livremente suas pretens&otilde;es. Ressaltou que a afronta aos direitos b&aacute;sicos da pessoa humana, como a prote&ccedil;&atilde;o da sua dignidade lesada pela tortura e pris&atilde;o por delito de opini&atilde;o durante o regime militar de exce&ccedil;&atilde;o, enseja a&ccedil;&atilde;o de repara&ccedil;&atilde;o <span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">ex delicto<\/span> imprescrit&iacute;vel e ostenta amparo constitucional no artigo 8&ordm;, &sect;3&ordm;, do Ato das Disposi&ccedil;&otilde;es Constitucionais Transit&oacute;rias. A imprescritibilidade, com lastro no Eresp inovador 816.209\/RJ, n&atilde;o alcan&ccedil;a apenas os pleitos por dano moral, mas tamb&eacute;m as a&ccedil;&otilde;es por danos patrimoniais, inclusive pleitos de reintegra&ccedil;&atilde;o a cargo p&uacute;blico.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fato &eacute;, portanto, que no corpo da jurisprud&ecirc;ncia consolidada do STJ&nbsp;deparamo-nos com mandados de seguran&ccedil;a, a&ccedil;&otilde;es civis p&uacute;blicas e a&ccedil;&otilde;es individuais&nbsp;que veiculam pedidos de indeniza&ccedil;&atilde;o por danos morais, materiais e com efeitos reintegrat&oacute;rios em cargos, sendo, invariavelmente, analisados os pleitos na reafirma&ccedil;&atilde;o da imprescritibilidade de atos lesivos &agrave; dignidade humana praticados durante a ditadura militar.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No STJ h&aacute; linhas de fundamenta&ccedil;&atilde;o bel&iacute;ssimas sobre o aspecto axiol&oacute;gico dos direitos humanos, verdadeiramente norteadoras de decis&otilde;es que confinam a Lei da Anistia ao m&iacute;nimo espa&ccedil;amento poss&iacute;vel na ordem jur&iacute;dica brasileira.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobressai a impress&atilde;o evidente de que manifesta&ccedil;&otilde;es v&aacute;rias do Superior Tribunal De Justi&ccedil;a discordam contundentemente do Supremo Tribunal Federal, ainda que se mantenha uma elegante e disfar&ccedil;ada cr&iacute;tica, a respeito da manuten&ccedil;&atilde;o da higidez da anistia ampla dada para os perpetradores de crimes comuns, pol&iacute;ticos e eleitorais supostamente concatenados uns com os outros.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao partirmos de certas premissas, torna-se vi&aacute;vel elucidar que: 1) n&atilde;o h&aacute; qualquer impedimento jur&iacute;dico em se condenar o Estado brasileiro como respons&aacute;vel por atos violadores de direitos fundamentais durante a &eacute;poca do regime militar, fazendo-o na esfera c&iacute;vel, portanto; 2) a Lei da Anistia n&atilde;o imuniza os agentes estatais de responderem civil ou administrativamente (no caso de san&ccedil;&otilde;es administrativas ordin&aacute;rias <strong>[9]<\/strong>) pelos atos que comprovadamente tenham cometidos durante a ditadura; 3) a imprescritibilidade fixada pelo Superior Tribunal de Justi&ccedil;a traz a sutileza de demonstrar ao Supremo Tribunal Federal seu equ&iacute;voco em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o da Lei da Anistia; 4) o pr&oacute;prio estatuto do anistiado direciona o vento contrariamente ao decidido pelo STF na ADPF 153; e 5) a Corte Interamericana de Direitos Humanos ainda se reveste de uma camada contagiosa e semirrepulsiva pelos tribunais brasileiros.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A S&uacute;mula 647, portanto, d&aacute; visibilidade &agrave; tem&aacute;tica, de forma acertada, que se presta, em excelente hora, para descortinar um horizonte n&atilde;o muito favor&aacute;vel no Direito brasileiro a respeito do &quot;acord&atilde;o&quot; da Lei da Anistia, horizonte este seriamente neblinado pela decis&atilde;o equivocada do Supremo Tribunal Federal&nbsp;no julgamento da ADPF 153. Pois bem, como sonhar n&atilde;o &eacute; ainda proibido, aguardemos os embargos de declara&ccedil;&atilde;o que h&aacute; mais de uma d&eacute;cada esperam julgamento. H&aacute; esperan&ccedil;a!?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size:14px;\"><span id=\"D_Titulo\">Bibliografia<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>[1]<\/strong> S&atilde;o imprescrit&iacute;veis as a&ccedil;&otilde;es indenizat&oacute;rias por danos morais e materiais decorrentes de atos de persegui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica com viola&ccedil;&atilde;o de direitos fundamentais ocorridos durante o regime militar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>[2]<\/strong>&nbsp;&quot;5&nbsp;&mdash;&nbsp;A prescri&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se consumou, na medida em que esta Corte ostenta entendimento un&iacute;ssono no sentido de que &eacute; imprescrit&iacute;vel a pretens&atilde;o de repara&ccedil;&atilde;o de danos sofridos durante o regime de exce&ccedil;&atilde;o. Precedente: EREsp 816.209\/RJ, relatora ministra Eliana Calmon, Primeira Se&ccedil;&atilde;o, DJ de 10 de novembro de 2009&quot;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>[3]<\/strong> BRASIL: NUNCA MAIS. 41.ed. Petropolis, RJ: Vozes, 2014. p.75.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>[4]&nbsp;<\/strong>Caso Hugo Rodr&iacute;guez vs. Uruguai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>[5]<\/strong> Caso Aksoy vs. Turkey.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>[6]<\/strong> Caso Zimbabwe Human Rights NGO Forum vs. Zimbabwe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>[7]<\/strong> &Eacute; poss&iacute;vel cumular a indeniza&ccedil;&atilde;o do dano moral com a repara&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da Lei n. 10.559\/2002 (Lei da Anistia Pol&iacute;tica). (S&Uacute;MULA 624, PRIMEIRA SE&Ccedil;&Atilde;O, julgado em 12\/12\/2018, DJe 17\/12\/2018).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>[8]<\/strong> RECURSO ESPECIAL N&ordm; 1836862 &ndash; SP. A priori, &ldquo;9. A Lei de Anistia n&atilde;o alcan&ccedil;a san&ccedil;&otilde;es administrativas ordin&aacute;rias, n&atilde;o fundadas em atos de exce&ccedil;&atilde;o, institucionais ou complementares&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>[9]<\/strong> Resp 1.836.862 &ndash; SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTI&Ccedil;A &ndash; Min. Org Fernandes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte da Mat&eacute;ria Publicada: <a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2021-mar-17\/guelber-imprescritibilidade-demarcada-sumula-647-stj\">ConsultorJur&iacute;dico<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p><strong><span class=\"clsCalendarioSessaoResumoPautaElementosBloco\"><span class=\"clsCalendarioSessaoResumoPautaBotoesBloco\"><a href=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/GVLIMA-298-48x74.jpg\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"gvlima15_jpg\" class=\"alignnone size-full wp-image-4034\" height=\"74\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/GVLIMA-298-48x74.jpg\" title=\"Gilvan VANDERLEI\" width=\"48\" \/><\/a><\/span><\/span><br \/>\n\t<span class=\"clsCalendarioSessaoResumoPautaElementosBloco\"><span class=\"clsCalendarioSessaoResumoPautaBotoesBloco\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms' , cursive;\"><span style=\"font-size: 11px;\">Postado por <b>Gilvan VANDERLEI<\/b><\/span><\/span><\/span><\/span><br \/>\n\t<span class=\"clsCalendarioSessaoResumoPautaElementosBloco\"><span class=\"clsCalendarioSessaoResumoPautaBotoesBloco\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms' , cursive;\"><span style=\"font-size: 11px;\">Ex-Cabo da FAB &ndash; Atingido pela Portaria 1.104GM3\/64<\/span><\/span><\/span><\/span><br \/>\n\t<span class=\"clsCalendarioSessaoResumoPautaElementosBloco\"><span class=\"clsCalendarioSessaoResumoPautaBotoesBloco\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms' , cursive;\"><span style=\"font-size: 11px;\">E-mail <b><a href=\"mailto:gvlima@terra.com.br\" rel=\"nofollow\">gvlima@terra.com.br<\/a><\/b><\/span><\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":283,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-51893","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-postagens-2021"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51893","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/283"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51893"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51893\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":51899,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51893\/revisions\/51899"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51893"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51893"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51893"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}