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{"id":48868,"date":"2020-05-06T12:19:00","date_gmt":"2020-05-06T15:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/?p=48868"},"modified":"2020-05-07T22:34:10","modified_gmt":"2020-05-08T01:34:10","slug":"a-quem-interessar-possa-saber-e-acompanhar-assunto-politica-um-cabo-e-um-soldado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/2020\/05\/a-quem-interessar-possa-saber-e-acompanhar-assunto-politica-um-cabo-e-um-soldado\/","title":{"rendered":"\u00c0 quem interessar possa saber e acompanhar&#8230; Assunto:  Pol\u00edtica &#8211; Um cabo e um soldado"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Um-soldado-e-um-Cabo-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" class=\"aligncenter size-full wp-image-48870\" height=\"280\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Um-soldado-e-um-Cabo-3.jpg\" width=\"420\" srcset=\"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Um-soldado-e-um-Cabo-3.jpg 420w, https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Um-soldado-e-um-Cabo-3-385x257.jpg 385w\" sizes=\"auto, (max-width: 420px) 100vw, 420px\" \/><\/a><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Um-soldado-e-um-Cabo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"420\" height=\"235\" alt=\"\" class=\"alignnone size-full wp-image-48869\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Um-soldado-e-um-Cabo.jpg\" style=\"width: 150px; height: 84px;\" srcset=\"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Um-soldado-e-um-Cabo.jpg 420w, https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Um-soldado-e-um-Cabo-385x215.jpg 385w\" sizes=\"auto, (max-width: 420px) 100vw, 420px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assistimos atualmente no Brasil &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o de um golpe de Estado claramente delineado h&aacute; meses, quando certos integrantes do Legislativo e do Judici&aacute;rio &ndash; aqueles de modo ostensivo e estes com alguma discri&ccedil;&atilde;o &ndash; sugeriam medidas e linhas de a&ccedil;&atilde;o que resultariam no esvaziamento e neutraliza&ccedil;&atilde;o do Executivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se sabe, o povo brasileiro, ao eleger Jair Bolsonaro, o fez na inten&ccedil;&atilde;o de v&ecirc;-lo n&atilde;o apenas vencer este ou aquele problema, este ou aquele partido, mas todo um estamento que, por m&uacute;tua sustenta&ccedil;&atilde;o, torna praticamente invi&aacute;vel que o pa&iacute;s se livre da corrup&ccedil;&atilde;o end&ecirc;mica que o paralisa, assim como da tirania pol&iacute;tica organizada que fomenta esta corrup&ccedil;&atilde;o e dela se alimenta. O problema n&atilde;o se encontra tanto na estrutura formal do poder, mas na mat&eacute;ria falida que a condena. O problema n&atilde;o est&aacute; nas institui&ccedil;&otilde;es legislativas e judici&aacute;rias, mas na maioria que hoje irremediavelmente as controla. Ao dizer aqui, portanto, &ldquo;Congresso&rdquo; ou &ldquo;STF&rdquo;, n&atilde;o significo com isto as institui&ccedil;&otilde;es em si, mas certa mat&eacute;ria humana predominante que as enferma de modo terminal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A inc&oacute;gnita que permanecia no horizonte era se o presidente teria de fato uma massa cr&iacute;tica institucional que lhe permitisse atuar e reverter esse quadro; da&iacute; a enorme &ecirc;nfase que se dava &agrave; elei&ccedil;&atilde;o de uma base de apoio parlamentar. Lamentavelmente, uma parte significativa dos apoiadores nominais de Bolsonaro se mostrou oportunista e desleal, e terminamos com um Congresso quase t&atilde;o hostil quanto antes, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o de um punhado de her&oacute;is not&aacute;veis que por infelicidade s&atilde;o voto vencido naquela casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; desnecess&aacute;rio nos demorarmos aqui a relembrar os in&uacute;meros desmandos do Congresso, que n&atilde;o s&oacute; procrastina reformas vitais exigindo &ldquo;articula&ccedil;&atilde;o&rdquo;, mas deliberadamente deixa que caduquem medidas provis&oacute;rias respaldadas por &ndash; no m&iacute;nimo &ndash; 55 milh&otilde;es de votos; um Congresso que hoje &eacute; uma verdadeira Gal&aacute;pagos de jabutis, e que, quando n&atilde;o logra inseri-los num dispositivo legal, simplesmente altera o dispositivo e lhe d&aacute; efeito contr&aacute;rio ou totalmente distinto do original, para que sirva de ferramenta pol&iacute;tica. A prop&oacute;sito, como hoje vemos com nitidez, nem mesmo o Executivo est&aacute; a salvo, visto que ca&iacute;ram as m&aacute;scaras de v&aacute;rios governadores ou prefeitos, que n&atilde;o apenas se re&uacute;nem fora da agenda com um oficial estrangeiro sem o chanceler ou o chefe nacional do Executivo, mas que fazem uso de poderes hipertrofiados n&atilde;o previstos em lei e de forma completamente imoral, com inten&ccedil;&otilde;es que todos podemos claramente divisar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas retomemos o fio. Houve, portanto, aqueles que julgavam que Bolsonaro conseguiria suficiente poder de &ldquo;caneta&rdquo; para virar a mesa e viabilizar o pa&iacute;s, movendo os hesitantes pelo exemplo e os corruptos por medo da execra&ccedil;&atilde;o popular. Por&eacute;m houve aqueles &ndash; e entre eles lamento incluir-me &ndash; que anteviam algum tipo de impeachment, golpe ou usurpa&ccedil;&atilde;o de poder, uma vez que n&atilde;o podem realmente conviver o Brasil que o povo deseja e o estamento que a&iacute; vigora; o estamento, reconhecendo um perigo vital, mal deixaria o presidente governar um ano at&eacute; que se chegasse a um impasse. O imposs&iacute;vel de prever era que uma pandemia apresentasse armas extras para que se fizesse o tempo contar contra Bolsonaro, asfixiando a economia do pa&iacute;s e causando enorme sofrimento aos cidad&atilde;os, enquanto se gasta o d&eacute;cuplo do normal com hospitais e equipamentos n&atilde;o licitados, aprovando-se ademais que se envie essa conta irrespons&aacute;vel &agrave; Uni&atilde;o. O dano &eacute; t&atilde;o grande e s&atilde;o tantas as restri&ccedil;&otilde;es impostas &agrave; rea&ccedil;&atilde;o de Bolsonaro como presidente, que &eacute; razo&aacute;vel pensar que o atual pedido de impeachment seja apenas mais uma ferramenta de tortura dispon&iacute;vel, mas nada que queiram levar a cabo necessariamente: na presente situa&ccedil;&atilde;o, podem-se fazer todos os males que vemos e ainda lan&ccedil;ar a culpa sobre aquele que det&eacute;m o mandato, mas que foi impedido de resolv&ecirc;-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O leitor perspicaz ao menos suspeita de que o impasse antevisto encontra-se diante de n&oacute;s neste momento que vivemos. Bolsonaro nem sequer pode mencionar os outros dois poderes sem que estes (e a imprensa) acusem-no de interfer&ecirc;ncia, mas diariamente somos obrigados a aceitar um Legislativo que se veste de Executivo e um STF que se quer Legislativo &ndash; e n&atilde;o apenas isso: um STF que hoje move inqu&eacute;rito manifestamente ilegal &ndash; n&atilde;o sou eu quem o diz, mas o pr&oacute;prio Prof. Modesto Carvalhosa, por exemplo &ndash; para calar cr&iacute;ticas a seus ministros e proibir apelos ao presidente que, como veremos, encontram-se na mais plena legalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de Bolsonaro haver manifestado como presidente um grau de paci&ecirc;ncia que nunca acreditei existir em sua pessoa, cada tentativa de di&aacute;logo com os caciques de sempre vinha sugerindo que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel promover-se adequadamente o bem comum tentando compromissos id&ocirc;neos com quem n&atilde;o tem palavra. Cada esfor&ccedil;o l&iacute;cito de di&aacute;logo era lido por seus oponentes como fraqueza. Portanto, um n&uacute;mero crescente de cidad&atilde;os vem se inclinando &agrave; conclus&atilde;o (ao menos razo&aacute;vel) de que n&atilde;o adianta insistir em jogar xadrez com um advers&aacute;rio que a cada momento troca as cores do tabuleiro, move torres por diagonais, tira pe&ccedil;as novas do bolso e ainda diz na cara dura que est&aacute; sendo injusti&ccedil;ado. Riem de qualquer pedido, pacto ou decis&atilde;o executiva que de in&iacute;cio os onere, pois confiam em poder blindar-se contra suas consequ&ecirc;ncias maiores simplesmente reinventando as leis ou pedindo que reinventem sua interpreta&ccedil;&atilde;o. Este tipo de jogo cont&eacute;m a promessa de uma derrota.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anos atr&aacute;s, um contingente de eleitores fi&eacute;is de Bolsonaro &ndash; &agrave; &eacute;poca um parlamentar &ndash; j&aacute; julgava que a fal&ecirc;ncia org&acirc;nica das institui&ccedil;&otilde;es era uma realidade, e que, portanto, batalhar neste campo tendia a perpetuar a ru&iacute;na do pa&iacute;s, ou a mant&ecirc;-lo como um zumbi embalsamado. Como ent&atilde;o os males viessem igualmente dos tr&ecirc;s poderes, argumentava-se pela via do direito natural para sugerir que, mesmo n&atilde;o estando prevista na lei positiva uma interven&ccedil;&atilde;o militar movida por iniciativa pr&oacute;pria das For&ccedil;as Armadas, seria absurdo n&atilde;o apoi&aacute;-la caso fosse uma solu&ccedil;&atilde;o, assim como &eacute; absurdo deixar uma casa pegar fogo porque h&aacute; uma lei proibindo que se molhem os carpetes. Naquela &eacute;poca, por&eacute;m, ao menos havia certa base jur&iacute;dica para atuar legalmente contra essas pessoas, mas, surpreendentemente, por serem uma minoria, ningu&eacute;m se preocupava em criminalizar sua opini&atilde;o mediante a Lei de Seguran&ccedil;a Nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, por&eacute;m, a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; bastante diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro, porque os desmandos e as usurpa&ccedil;&otilde;es de atribui&ccedil;&atilde;o cometidas por certos integrantes dos outros dois poderes j&aacute; esgotaram o limite do opin&aacute;vel e hoje s&oacute; podem ser lidas na clave do rid&iacute;culo; o abuso &eacute; vis&iacute;vel como a luz do dia. Dentre aqueles que elegeram Bolsonaro, &eacute; hoje enorme o n&uacute;mero de pessoas que n&atilde;o v&ecirc; outra solu&ccedil;&atilde;o sen&atilde;o uma interven&ccedil;&atilde;o para dar fim aos repetidos intentos de anular uma elei&ccedil;&atilde;o presidencial. &Eacute; igualmente enorme o n&uacute;mero daqueles que apenas a consideram uma das solu&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis, e que n&atilde;o a repudiariam caso acontecesse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo, porque hoje os pedidos de interven&ccedil;&atilde;o s&atilde;o feitos ao pr&oacute;prio chefe eleito do Executivo, exatamente como reza o Artigo 142 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, o que torna tais manifesta&ccedil;&otilde;es absolutamente leg&iacute;timas e imunes a quaisquer leituras dos artigos 22 ou 23 da Lei de Seguran&ccedil;a Nacional &ndash; a qual, ainda que mostrasse um conflito verdadeiro com o texto constitucional, seria subordinada a este, que se configura como lei maior. A criminaliza&ccedil;&atilde;o de pessoas que se re&uacute;nam pacificamente, sem vandalismo ou viol&ecirc;ncia, para pedir ao presidente o uso de um recurso constitucional &eacute; ela mesma um crime. E um crime c&iacute;nico, que sob a bandeira da &ldquo;defesa &agrave; democracia&rdquo; suprime a manifesta&ccedil;&atilde;o de apre&ccedil;o popular por um recurso previsto em lei, que visa a resgatar precisamente uma democracia que &ndash; segundo a livre opini&atilde;o daqueles manifestantes &ndash; hoje j&aacute; n&atilde;o vigoraria mais e necessitaria de medidas excepcionais para se reinstalar.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mais escandaloso neste caso &eacute; que os mesmos que precipitam o pa&iacute;s numa crise institucional depois acusam de ruptura aqueles populares que reagem contra ela; evocam a Lei de Seguran&ccedil;a Nacional contra os que &ldquo;querem acabar com a democracia&rdquo; &ndash; o que &eacute; falsidade manifesta, pois a interven&ccedil;&atilde;o &eacute; constitucional, como ali&aacute;s recentemente observou ningu&eacute;m menos que o Dr. Ives Gandra Martins &ndash; mas n&atilde;o enquadram nos mesmos artigos desta lei outros cidad&atilde;os muito conhecidos que manifestam seu apoio &agrave; invas&atilde;o de domic&iacute;lios, &agrave; invas&atilde;o de fazendas por gente vestida de vermelho, &agrave; viol&ecirc;ncia entre classes, enfim, a regimes genocidas cuja vida di&aacute;ria &eacute; mil vezes pior que qualquer regime de exce&ccedil;&atilde;o que o Brasil tenha vivido. Por alguma estranha raz&atilde;o, n&atilde;o se evocou contra estes a Lei de Seguran&ccedil;a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Terceiro, porque o povo despertou para o fato de que aqueles que hoje repetem a palavra &ldquo;democracia&rdquo; como mera chantagem emocional s&atilde;o os mesmos que se empenham permanentemente em evitar a todo custo que o cidad&atilde;o tenha sua vontade obedecida. N&atilde;o basta criar empecilhos dentro de suas pr&oacute;prias atribui&ccedil;&otilde;es: para estes h&aacute; que impedir o funcionamento do &uacute;nico poder que n&atilde;o comandam. Fingem escandalizar-se diante de &ldquo;atentados &agrave; democracia&rdquo;, ao &ldquo;estado de direito&rdquo; e &agrave; &ldquo;legalidade&rdquo; enquanto procuram fazer de exemplo aqueles cidad&atilde;os que ousaram propor possivelmente a &uacute;nica solu&ccedil;&atilde;o legal que n&atilde;o conseguiriam contornar ou anular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N&atilde;o &eacute; &agrave; toa, portanto, que hoje h&aacute; enorme preocupa&ccedil;&atilde;o com criminalizar e rotular o clamor popular pelo uso &ndash; ou mera abertura ao uso &ndash; deste recurso, o que (ao menos a mim) sugere fortemente que ele talvez seja de fato a &uacute;nica solu&ccedil;&atilde;o eficaz. Da&iacute; o esfor&ccedil;o de repetir o mantra c&iacute;nico da preserva&ccedil;&atilde;o da democracia &ndash; como se a impunidade perene com que botam a perder o pa&iacute;s ante os olhos do povo n&atilde;o demonstrasse que essa palavra n&atilde;o representa mais uma realidade experimentada, mas um bord&atilde;o que visa a perpetuar um mecanismo institucional materialmente falido e parasit&aacute;rio. A grande imprensa, como &eacute; previs&iacute;vel, trata um recurso constitucional como se fosse pauta alheia &agrave; legalidade e seleciona cuidadosamente alguns generais da reserva para cham&aacute;-lo uma &ldquo;aventura&rdquo;, na inten&ccedil;&atilde;o de desautorizar o presidente, desmoraliz&aacute;-lo junto &agrave; tropa e dar-lhe a imagem de um louco solit&aacute;rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto ao tema dos generais, uma observa&ccedil;&atilde;o importante: h&aacute; boas pessoas que, ap&oacute;s observar e reprovar certas atitudes de alguns deles (da reserva ou mesmo da ativa), repudiam a interven&ccedil;&atilde;o como se ela fosse coloc&aacute;-los no comando do pa&iacute;s ou como ela se dependesse deles para existir, e fosse portanto invi&aacute;vel. Nenhum dos dois me parece verdade. Primeiro, mesmo que algu&eacute;m nutra desconfian&ccedil;a por alguns desses oficiais, a interven&ccedil;&atilde;o, conforme reza o Artigo 142, n&atilde;o entrega aos generais qualquer atribui&ccedil;&atilde;o ou protagonismo dos chefes dos Poderes, sen&atilde;o que depende destes (ou, no caso em quest&atilde;o, do chefe do Executivo) para sua implementa&ccedil;&atilde;o segundo a letra da lei. Em segundo lugar, a anu&ecirc;ncia perfeita do generalato &eacute; &ndash; v&ecirc;nia feita ao cargo &ndash; menos relevante do que se imagina. O chefe supremo das For&ccedil;as Armadas &eacute; o presidente, e ele n&atilde;o est&aacute; obrigado a pedir a este ou &agrave;quele oficial que aprove uma ordem dirigida a seus subalternos. Assim como um tenente n&atilde;o est&aacute; obrigado a ordenar a um sargento que este ordene a um cabo que ordene a um soldado, tampouco est&aacute; obrigado o presidente a correr toda a hierarquia de comando em vez de pedir diretamente a um cabo e um soldado que fa&ccedil;am a limpeza de alguma instala&ccedil;&atilde;o, por exemplo. Ademais, o que se pode perceber &eacute; que, quanto mais se desce a hierarquia, mais se expande e consolida a ades&atilde;o da tropa ao presidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De qualquer modo, quaisquer que sejam as circunst&acirc;ncias pelas quais lamentavelmente talvez se chegue &agrave; necessidade de aplicar este recurso, &eacute; minha opini&atilde;o pessoal que, se for o caso, ele deveria ser empregado de maneira franca e ostensiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, porque seu uso velado ou envergonhado alimentaria a premissa equivocada de que se cometeria algum tipo de crime ou mal, o que n&atilde;o &eacute; s&oacute; falso, mas perigoso. N&atilde;o h&aacute; que us&aacute;-lo como ferramenta de intriga palaciana, no desejo de salvar apar&ecirc;ncias de &ldquo;estabilidade democr&aacute;tica&rdquo;; faz&ecirc;-lo sinalizaria (certa ou erradamente, n&atilde;o importa) medo de ferir as susceptibilidades dos seus objetos de a&ccedil;&atilde;o, da imprensa ou da tal &ldquo;comunidade internacional&rdquo;, por exemplo &ndash; o que seria retornar precisamente &agrave; hipnose e &agrave; s&iacute;ndrome de Estocolmo das quais o pa&iacute;s tanto sofreu para se libertar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em segundo lugar, porque tal uso (velado e envergonhado) seria in&oacute;cuo contra o atual estado de coisas, e poderia at&eacute; agrav&aacute;-lo. Todo o poder dos elementos corruptos que hoje mant&ecirc;m o pa&iacute;s como ref&eacute;m reside, como lucidamente se apontou anos atr&aacute;s, no uso da &ldquo;caneta&rdquo;, isto &eacute;, na transforma&ccedil;&atilde;o de sua vontade em a&ccedil;&atilde;o por meio do cargo que lhes foi confiado em suas institui&ccedil;&otilde;es. Isto n&atilde;o significa menosprezar o poder da caneta. Quando usado com autoridade, ele obriga na consci&ecirc;ncia, o que &eacute; superior no homem honesto &agrave; obriga&ccedil;&atilde;o por amea&ccedil;a na carne. N&atilde;o obstante, quando desprovido de autoridade &ndash; que, em termos pol&iacute;ticos, equivaleria ao dep&oacute;sito de confian&ccedil;a de uma sociedade na capacidade e inten&ccedil;&atilde;o de algu&eacute;m (ou algo) a promover o bem comum &ndash; o uso da caneta torna-se mera tirania burocr&aacute;tica. S&oacute; que este tipo de tirania, para manter a efic&aacute;cia de suas a&ccedil;&otilde;es, continua dependendo da presun&ccedil;&atilde;o de normalidade institucional, e passa ent&atilde;o a redobrar constantemente a press&atilde;o por manter estas apar&ecirc;ncias e vedar de todos os modos o seu questionamento. Quanto mais distante se encontra do real fundamento de seu poder, mais se faz necess&aacute;rio a quem atua deste modo que se extrapole e intensifique a severidade de suas medidas. E &eacute; por isso que a tirania burocr&aacute;tica, que depende de manter este jogo de apar&ecirc;ncias, tende a tornar-se a mais inexor&aacute;vel e obsessiva de todas. Se enfrentada com defer&ecirc;ncia e timidez, apenas se encoraja, se fortalece e redobra seus ataques. Mas, se enfrentada com firmeza expl&iacute;cita e com a nega&ccedil;&atilde;o ostensiva de seus pressupostos, desfaz-se como uma bolha de sab&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota final: &eacute; importante reiterar que a autoridade e o cargo n&atilde;o s&atilde;o coisas id&ecirc;nticas, embora assim nos desejem fazer crer muitos dos que perderam a primeira, mas mantiveram o segundo. Se o fossem, o mero cargo daria respaldo a um juiz (por mero exemplo) a ler numa lei o sentido rigorosamente contr&aacute;rio ao de sua letra, como na situa&ccedil;&atilde;o meramente fict&iacute;cia de quem separasse um impeachment da sua pena de inelegibilidade, por exemplo. Mas isso n&atilde;o &eacute; verdade; ele poderia ainda estar em seu cargo, mas haveria minado sua autoridade. Ou ainda, se um parlamentar decidisse aprovar uma lei que afirme que certas pessoas n&atilde;o s&atilde;o mais pessoas, seja por sua etnia, seja pelo fato de n&atilde;o haver ainda sa&iacute;do do ventre de suas m&atilde;es, tal parlamentar poderia at&eacute; manter intocado seu cargo, mas minaria naquele mesmo ato a sua autoridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Bruno-Rodrigues.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" class=\"alignnone size-full wp-image-48871\" height=\"100\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Bruno-Rodrigues.jpg\" width=\"100\" \/><\/a><br \/>\n\t<strong>Bruno Rodrigues<\/strong><\/p>\n<p>Publicado em 06\/05\/2020<\/p>\n<p><strong>Luiz Astorga<\/strong>&nbsp;<br \/>\n\t<em>Professor, tradutor e doutor em filosofia pela Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Chile<\/em><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/revistatercalivre.com.br\/app\/noticias-suplementares\/um-cabo-e-um-soldado__52\"><strong>https:\/\/revistatercalivre.com.br\/app\/noticias-suplementares\/um-cabo-e-um-soldado__52<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><span class=\"clsCalendarioSessaoResumoPautaElementosBloco\"><span class=\"clsCalendarioSessaoResumoPautaBotoesBloco\"><a href=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/GVLIMA-298-48x74.jpg\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"gvlima15_jpg\" class=\"alignnone size-full wp-image-4034\" height=\"74\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/GVLIMA-298-48x74.jpg\" title=\"Gilvan VANDERLEI\" width=\"48\" \/><\/a><\/span><\/span><br \/>\n\t<span class=\"clsCalendarioSessaoResumoPautaElementosBloco\"><span class=\"clsCalendarioSessaoResumoPautaBotoesBloco\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms' , cursive;\"><span style=\"font-size: 11px;\">Postado por <b>Gilvan VANDERLEI<\/b><\/span><\/span><\/span><\/span><br \/>\n\t<span class=\"clsCalendarioSessaoResumoPautaElementosBloco\"><span class=\"clsCalendarioSessaoResumoPautaBotoesBloco\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms' , cursive;\"><span style=\"font-size: 11px;\">Ex-Cabo da FAB &ndash; Atingido pela Portaria 1.104GM3\/64<\/span><\/span><\/span><\/span><br \/>\n\t<span class=\"clsCalendarioSessaoResumoPautaElementosBloco\"><span class=\"clsCalendarioSessaoResumoPautaBotoesBloco\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms' , cursive;\"><span style=\"font-size: 11px;\">E-mail <b><a href=\"mailto:gvlima@terra.com.br\" rel=\"nofollow\">gvlima@terra.com.br<\/a><\/b><\/span><\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":283,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[],"class_list":["post-48868","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-postagem-2020"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48868","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/283"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48868"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48868\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48872,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48868\/revisions\/48872"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48868"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48868"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}