<br />
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{"id":42769,"date":"2018-08-06T12:50:27","date_gmt":"2018-08-06T15:50:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/?p=42769"},"modified":"2018-08-15T14:36:50","modified_gmt":"2018-08-15T17:36:50","slug":"para-reflexao-ausencia-de-presuncao-de-veracidade-dos-atos-administrativos-sancionatorios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/2018\/08\/para-reflexao-ausencia-de-presuncao-de-veracidade-dos-atos-administrativos-sancionatorios\/","title":{"rendered":"Para reflex\u00e3o: aus\u00eancia de presun\u00e7\u00e3o de veracidade dos atos administrativos sancionat\u00f3rios"},"content":{"rendered":"<div dir=\"ltr\" style=\"text-align: left;\" trbidi=\"on\">\n<div dir=\"ltr\" style=\"text-align: left;\" trbidi=\"on\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" class=\"aligncenter size-full wp-image-40816\" height=\"184\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Atos-Administrativos.jpg\" width=\"274\" \/><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 16px;\"><span style=\"font-family: &quot;comic sans ms&quot; , cursive;\">(&#8230;)<\/span><\/span><span style=\"font-size: 16px;\"><span style=\"font-family: &quot;comic sans ms&quot; , cursive;\"> A presun&ccedil;&atilde;o de veracidade dos atos administrativos deve ser relativizada quando fundamentar atos administrativos sancionat&oacute;rios, a fim de que o Poder P&uacute;blico prove o fato gerador da san&ccedil;&atilde;o aplicada e n&atilde;o atribua ao sujeito uma exig&ecirc;ncia ilegal, como a prova da inoc&ecirc;ncia, ou imposs&iacute;vel, como a prova da n&atilde;o ocorr&ecirc;ncia de um fato.<\/span><\/span><br \/>\n\t\t<span style=\"font-size: 16px;\"><span style=\"font-family: &quot;comic sans ms&quot; , cursive;\">(&#8230;)<\/span><\/span><\/p>\n<p>\t<!--more--><br \/>\n\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" class=\"alignnone size-full wp-image-42090\" height=\"183\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/atos-oficiais.jpg\" width=\"275\" \/><br \/>\n\t&nbsp;<\/p>\n<header><span style=\"font-size: 16px;\"><b>Artigo: aus&ecirc;ncia de presun&ccedil;&atilde;o de veracidade dos atos administrativos sancionat&oacute;rios<\/b><\/span><\/p>\n<p>\t\t<span style=\"font-size: 10px;\">13\/07\/2018<br \/>\n\t\tAnderson Rocha Luna da Costa<\/span><br \/>\n\t\t&nbsp;<\/header>\n<p>\t&nbsp;<\/p>\n<div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A presun&ccedil;&atilde;o de veracidade dos atos administrativos deve ser relativizada quando fundamentar atos administrativos sancionat&oacute;rios, a fim de que o Poder P&uacute;blico prove o fato gerador da san&ccedil;&atilde;o aplicada e n&atilde;o atribua ao sujeito uma exig&ecirc;ncia ilegal, como a prova da inoc&ecirc;ncia, ou imposs&iacute;vel, como a prova da n&atilde;o ocorr&ecirc;ncia de um fato.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">quinta-feira, 12 de julho de 2018<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">As manifesta&ccedil;&otilde;es de vontade da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica s&atilde;o instrumentalizadas por meio de atos que gozam de uma s&eacute;rie de prerrogativas outorgadas pelo Direito P&uacute;blico, que autorizam o Estado a submeter de forma imediata o sujeito particular a deveres e obriga&ccedil;&otilde;es. Nesse contexto, o atributo da presun&ccedil;&atilde;o de legalidade, legitimidade e veracidade dos atos administrativos &eacute; a qualidade conferida pelo ordenamento jur&iacute;dico que fundamenta a&nbsp;f&eacute; p&uacute;blica&nbsp;de que s&atilde;o dotadas as manifesta&ccedil;&otilde;es de vontade expedidas por agente da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;bica e por seus delegat&aacute;rios1, no exerc&iacute;cio da fun&ccedil;&atilde;o administrativa.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Essas presun&ccedil;&otilde;es, especialmente a presun&ccedil;&atilde;o de veracidade dos fatos narrados no teor do ato administrativo, s&atilde;o relativas (juris tantum) e devem admitir a impugna&ccedil;&atilde;o de seu m&eacute;rito pelo sujeito interessado, a partir de um procedimento instrut&oacute;rio que oportunize a produ&ccedil;&atilde;o de provas, dentro de uma rela&ccedil;&atilde;o processual que garanta o contradit&oacute;rio e a ampla defesa, tanto na pr&oacute;pria esfera administrativa quanto na via da tutela jurisdicional.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Todavia, o Poder P&uacute;blico tem exercido a presun&ccedil;&atilde;o de veracidade dos atos administrativos com o objetivo de desincumbir o Estado de fundamentar seus procedimentos administrativos, de modo a vulnerar o devido processo legal pela desconsidera&ccedil;&atilde;o da presun&ccedil;&atilde;o de inoc&ecirc;ncia do indiv&iacute;duo e pela imputa&ccedil;&atilde;o do &ocirc;nus da prova ao sujeito particular, especialmente quando o ato administrativo tem por finalidade a aplica&ccedil;&atilde;o de sans&otilde;es. Esse desproporcional exerc&iacute;cio dos atributos dos atos administrativos tem como fundamento a teoria da supremacia do interesse p&uacute;blico sobre o interesse privado2&nbsp;e n&atilde;o visa a alcan&ccedil;ar a verdade real dos fatos, mas tem por objetivo proteger o Estado e punir o indiv&iacute;duo.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Seja no &acirc;mbito da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica seja no da tutela jurisdicional, a defesa do metajur&iacute;dico interesse p&uacute;blico tem tornado intang&iacute;vel a impugna&ccedil;&atilde;o do m&eacute;rito administrativo pelo cidad&atilde;o. Houve uma verdadeira institucionaliza&ccedil;&atilde;o das presun&ccedil;&otilde;es de legitimidade e veracidade dos atos administrativos como pressupostos de favorecimento do Poder P&uacute;blico que inviabilizam a real sindicabilidade do ato em raz&atilde;o da inexist&ecirc;ncia de meios do cidad&atilde;o provar sua inoc&ecirc;ncia em diversas ocasi&otilde;es.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">No modelo de Estado Democr&aacute;tico de Direito, &eacute; indispens&aacute;vel que haja a concreta garantia do controle do m&eacute;rito administrativo por meio de um processo em que sejam efetivados o contradit&oacute;rio e a ampla defesa. Especialmente quanto aos atos administrativos que importem san&ccedil;&otilde;es ao sujeito particular, por atingirem a esfera jur&iacute;dica dos particulares na supress&atilde;o de bens e direitos, &eacute; dever do Estado promover os meios efetivos e necess&aacute;rios que permitam encontrar a verdade real dos fatos.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A doutrina administrativa, em sua grande maioria, apresenta o entendimento de que a impugna&ccedil;&atilde;o da presun&ccedil;&atilde;o de&nbsp;veracidade dos fatos narrados&nbsp;dever&aacute; sempre implicar a imputa&ccedil;&atilde;o do &ocirc;nus da prova em desfavor do sujeito particular. Para esses autores, caber&aacute; sempre ao indiv&iacute;duo a comprova&ccedil;&atilde;o da ilegalidade do ato administrativo a que foi submetido. Dentre esses doutrinadores est&atilde;o Hely Lopes Meirelles3, Jos&eacute; dos Santos Carvalho Filho4, Marcelo Alexandrino e Vicente de Paulo5, e Di&oacute;genes Gasparini6.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Celso Ant&ocirc;nio Bandeira de Mello, de forma mais ponderada, afirma que a presun&ccedil;&atilde;o de legalidade dos atos administrativos, de modo geral, subsiste at&eacute; a impugna&ccedil;&atilde;o judicial do ato, a partir da qual o conflito dever&aacute; ser resolvido na seara da teoria geral da prova7. Todavia, o autor n&atilde;o informa qual deveria ser a imputa&ccedil;&atilde;o do encargo da prova, uma vez que o Estado possui instrumentos que viabilizam a comprova&ccedil;&atilde;o de ocorr&ecirc;ncia de um il&iacute;cito de forma mais eficiente do que os meios dispon&iacute;veis ao cidad&atilde;o para comprovar a aus&ecirc;ncia de viola&ccedil;&atilde;o &agrave; ordem jur&iacute;dica.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Por seu turno, Maria Sylvia Di Pietro prop&otilde;e uma distribui&ccedil;&atilde;o de &ocirc;nus mais din&acirc;mica entre Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica e sujeito particular. A autora entende que a impugna&ccedil;&atilde;o judicial do ato administrativo importaria invers&atilde;o do &ocirc;nus da prova em desfavor do particular, mas que esse fato n&atilde;o escusaria a Administra&ccedil;&atilde;o de provar a veracidade dos fatos narrados no ato impugnado, de modo que essa requisi&ccedil;&atilde;o poderia ser feita inclusive pelo pr&oacute;prio magistrado8. Posicionamento semelhante &eacute; o de Mar&ccedil;al Justen Filho, o qual exp&otilde;e que a presun&ccedil;&atilde;o de veracidade apenas se legitimaria ante o cumprimento do devido processo pela Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, necess&aacute;rio a comprovar o teor da afirmativa do agente p&uacute;blico quanto &agrave; ocorr&ecirc;ncia de um determinado fato, de modo que n&atilde;o se atribu&iacute;sse ao particular o &ocirc;nus de provar sua inocorr&ecirc;ncia9.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em um breve ensaio acerca da presun&ccedil;&atilde;o de veracidade dos atos administrativos, especialmente dos que importem a imposi&ccedil;&atilde;o de san&ccedil;&otilde;es, Alexandre Santos de Arag&atilde;o demostra que esse atributo da presun&ccedil;&atilde;o de veracidade deve ser limitado por dois outros requisitos tamb&eacute;m fundamentais &agrave; atua&ccedil;&atilde;o da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O primeiro &eacute; a conjuga&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios da Motiva&ccedil;&atilde;o, da Publicidade e da Finalidade10:<\/div>\n<ol start=\"11\" style=\"text-align: justify;\">\n<li>O motivo, como elemento de exist&ecirc;ncia dos atos administrativos, consiste na situa&ccedil;&atilde;o f&aacute;tica e no pressuposto jur&iacute;dico que determinaram a pr&aacute;tica de um determinado ato administrativo11. A motiva&ccedil;&atilde;o, por seu turno, &eacute; o requisito formal12que se consubstancia no dever imposto ao Estado de enunciar expressamente tais raz&otilde;es de fato e de direito. Desse modo, a validade do ato depender&aacute; da apresenta&ccedil;&atilde;o tanto do motivo quanto da rela&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica entre a pr&aacute;tica do ato e a manifesta&ccedil;&atilde;o de vontade nele contida13.<\/li>\n<li>O princ&iacute;pio da publicidade imp&otilde;e a transpar&ecirc;ncia da atividade administrativa14, a proibi&ccedil;&atilde;o de edi&ccedil;&atilde;o de atos secretos15, a publica&ccedil;&atilde;o oficial dos atos administrativos que produzam efeitos externos ou impliquem &ocirc;nus &agrave; administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica16, bem como imp&otilde;e que o conte&uacute;do do ato seja de acesso livre a qualquer interessado17.<\/li>\n<\/ol>\n<div style=\"text-align: justify;\">iii. A finalidade18&nbsp;&eacute; um elemento de exist&ecirc;ncia dos atos administrativos definido na legisla&ccedil;&atilde;o positiva19, que estabelece qual a consequ&ecirc;ncia espec&iacute;fica a ser visada por cada ato20. Isto &eacute;, cada ato administrativo deve visar a uma finalidade compat&iacute;vel com a ordem jur&iacute;dica.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A associa&ccedil;&atilde;o desses princ&iacute;pios resulta no dever de o Estado, em cada ato administrativo, expor publicamente e de forma clara os pressupostos de fato e de direito que fundamentaram a prola&ccedil;&atilde;o do ato, bem como justificar a rela&ccedil;&atilde;o entre a manifesta&ccedil;&atilde;o de vontade nele contida e a finalidade prevista em lei.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Especialmente quanto aos atos sancionat&oacute;rios, em que o Estado se encontra em uma posi&ccedil;&atilde;o superior de privil&eacute;gio em rela&ccedil;&atilde;o ao cidad&atilde;o particular, importa que a Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica comprove os fatos que alega existir e que deram causa &agrave; puni&ccedil;&atilde;o. A aplica&ccedil;&atilde;o concreta da motiva&ccedil;&atilde;o e da publicidade dos atos administrativos requer essa comprova&ccedil;&atilde;o probat&oacute;ria, de forma que a condena&ccedil;&atilde;o do particular sem esse elemento viola frontalmente o devido processo legal.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O segundo requisito &eacute; presun&ccedil;&atilde;o de inoc&ecirc;ncia do indiv&iacute;duo21. A garantia constitucional da presun&ccedil;&atilde;o de inoc&ecirc;ncia, prevista no rol de direitos fundamentais do art. 5&ordm; da&nbsp;<b><a href=\"http:\/\/www.migalhas.com.br\/dePeso\/16,MI283605,101048-Ausencia+de+presuncao+de+veracidade+dos+atos+administrativos\">Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica<\/a><\/b>, especificamente no inciso LVII, &eacute; um direito de natureza predominantemente processual, para a garantia de regularidade no tratamento do acusado por meio da concretiza&ccedil;&atilde;o de todas as demais garantias inerentes ao devido processo legal22.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A presun&ccedil;&atilde;o de inoc&ecirc;ncia deve reger todo o ordenamento sancionador a cargo do Estado e, portanto, deve ser observada tanto nos procedimentos de natureza penal quanto nos de natureza administrativa23. A presun&ccedil;&atilde;o de inoc&ecirc;ncia, como regra probat&oacute;ria, importa (a) que a sans&atilde;o esteja fundamentada em lastro probat&oacute;rio que comprove a exist&ecirc;ncia e a autoria culposa da conduta reprovada; (b) que a carga material da prova seja imposta &agrave;s partes acusadoras; (c) que ningu&eacute;m seja obrigado a provar sua pr&oacute;pria inoc&ecirc;ncia; e (d) que a insufici&ecirc;ncia probat&oacute;ria, a incerteza sobre exist&ecirc;ncia dos fatos e a d&uacute;vida quanto &agrave; atribui&ccedil;&atilde;o culp&aacute;vel da conduta ao acusado, beneficiem o acusado24.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Por&eacute;m, tanto no &acirc;mbito administrativo quanto no jurisdicional, a presun&ccedil;&atilde;o de inoc&ecirc;ncia do indiv&iacute;duo frente ao Estado tem sido absolutamente negligenciada. A mera declara&ccedil;&atilde;o de um agente p&uacute;blico tem sido suficiente para a puni&ccedil;&atilde;o de um particular, especialmente quando &eacute; imposs&iacute;vel ao cidad&atilde;o demonstrar a sua inoc&ecirc;ncia, seja porque o fato nunca ocorreu seja porque o cidad&atilde;o n&atilde;o tem como demonstrar a forma exata como ocorreu. Como ressalta o professor Mar&ccedil;al Justen Filho, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel fazer prova de fatos negativos, ou seja, provar que um fato n&atilde;o ocorreu, pois &ldquo;quando muito se pode provar a aus&ecirc;ncia de condi&ccedil;&otilde;es para sua ocorr&ecirc;ncia ou a consuma&ccedil;&atilde;o de fatos incompat&iacute;veis com sua verifica&ccedil;&atilde;o&rdquo;25&nbsp;.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A esfera individual tem sido suprimida para favorecer o Estado, especialmente quando a san&ccedil;&atilde;o administrativa implique recolhimento de recursos financeiros do particular, sem que se exija, muitas vezes, a m&iacute;nima demonstra&ccedil;&atilde;o do fato t&iacute;pico. A mera declara&ccedil;&atilde;o de um agente p&uacute;blico tem sido fundamento suficiente para a comprova&ccedil;&atilde;o da ocorr&ecirc;ncia de uma infra&ccedil;&atilde;o e para a comina&ccedil;&atilde;o da san&ccedil;&atilde;o ao administrado. Ocorre que o desenvolvimento das tecnologias de captura de &aacute;udio e v&iacute;deo, bem como o amplo acesso aos aparelhos que efetuam essa captura, certamente permitem que a Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica e o Poder Judici&aacute;rio requeiram dos agentes p&uacute;blicos a real prova dos fatos descritos como verdadeiros nos atos sancionat&oacute;rios. A simples declara&ccedil;&atilde;o, que por muito tempo gozou de presun&ccedil;&atilde;o de veracidade devido &agrave; aus&ecirc;ncia de outros meios que viabilizassem a atividade administrativa, n&atilde;o se sustenta mais como raz&atilde;o leg&iacute;tima para a imposi&ccedil;&atilde;o de uma penalidade pelo Poder P&uacute;blico, ante o progresso tecnol&oacute;gico da sociedade.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Diante disso, a aplica&ccedil;&atilde;o da presun&ccedil;&atilde;o de veracidade dos atos administrativos n&atilde;o atende aos princ&iacute;pios do Estado Democr&aacute;tico de Direito quando imputa ao administrado o &ocirc;nus probat&oacute;rio, especialmente nos casos que tratam de atos sancionat&oacute;rios. O nosso ordenamento jur&iacute;dico imp&otilde;e ao Estado o encargo material da prova da conduta reprovada, bem como da sua autoria culposa, de modo que ofende gravemente o devido processo legal e o princ&iacute;pio da presun&ccedil;&atilde;o de inoc&ecirc;ncia atribuir ao particular o &ocirc;nus de provar sua pr&oacute;pria inoc&ecirc;ncia.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Portanto, a presun&ccedil;&atilde;o de veracidade dos atos administrativos deve ser relativizada quando fundamentar atos administrativos sancionat&oacute;rios, a fim de que o Poder P&uacute;blico prove o fato gerador da san&ccedil;&atilde;o aplicada e n&atilde;o atribua ao sujeito uma exig&ecirc;ncia ilegal, como a prova da inoc&ecirc;ncia, ou imposs&iacute;vel, como a prova da n&atilde;o ocorr&ecirc;ncia de um fato.<\/div>\n<p>___________________<br \/>\n\t\t\t1&nbsp;ARAG&Atilde;O, 2012, p. 76.<br \/>\n\t\t\t2&nbsp;Sobre o tema ver: FISCHGOLD, Bruno.&nbsp;Direito Administrativo e Democracia: a inconstitucionalidade do princ&iacute;pio da supremacia do interesse p&uacute;blico. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2014.<br \/>\n\t\t\t3&nbsp;MEIRELLES, 2016.<br \/>\n\t\t\t4&nbsp;CARVALHO FILHO, 2017.<br \/>\n\t\t\t5&nbsp;ALEXANDRINO; PAULO, 2016.<br \/>\n\t\t\t6&nbsp;GASPARINI, 2003.<br \/>\n\t\t\t7&nbsp;BANDEIRA DE MELLO, C. A., 2016, p. 431.<br \/>\n\t\t\t8&nbsp;DI PIETRO, 2016, p. 242.<br \/>\n\t\t\t9&nbsp;JUSTEN FILHO, 2014, 411.<br \/>\n\t\t\t10&nbsp;ARAG&Atilde;O, 2012, p. 78\/79. Ver tamb&eacute;m: GUEDES, Demian.&nbsp;A presun&ccedil;&atilde;o de veracidade e o estado democr&aacute;tico de direito: uma reavalia&ccedil;&atilde;o que se imp&otilde;e. In: F&oacute;rum Administrativo, v. 16, n. 180, p. 9&ndash;20, fev., 2016; FERRAZ, S&eacute;rgio; DALLARI, Adilson Abreu. Processo administrativo. S&atilde;o Paulo: Malheiros, 2001.<br \/>\n\t\t\t11&nbsp;Consoante est&aacute; disciplinado na Lei n.&ordm; 4.717\/1965, art. 2&ordm;, par&aacute;grafo &uacute;nico, al&iacute;nea &ldquo;d&rdquo;: &ldquo;a inexist&ecirc;ncia dos motivos se verifica quando a mat&eacute;ria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, &eacute; materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido&rdquo;.<br \/>\n\t\t\t12&nbsp;A Lei n.&ordm; 9.784\/1999 positivou o requisito da motiva&ccedil;&atilde;o ao estabelecer em seu art. 2&ordm;, inciso VII, que os processos administrativos da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica Federal observem o seguinte crit&eacute;rio: &ldquo;indica&ccedil;&atilde;o dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decis&atilde;o&rdquo;.<br \/>\n\t\t\t13&nbsp;CARVALHO, 2017, p. 92. Ver tamb&eacute;m: FIGUEIREDO, L&uacute;cia Valle.&nbsp;Curso de direito administrativo. S&atilde;o Paulo: Malheiros, 2001.<br \/>\n\t\t\t14&nbsp;BANDEIRA DE MELLO, C. A., 2016, p. 88; ALEXANDRINO; PAULO, 2016, p. 226.<br \/>\n\t\t\t15&nbsp;CARVALHO, 2017, p. 74.<br \/>\n\t\t\t16&nbsp;ALEXANDRINO; PAULO, 2016, p. 225.<br \/>\n\t\t\t17&nbsp;JUSTEN FILHO, 2014, p. 346<br \/>\n\t\t\t18&nbsp;&ldquo;O motivo &eacute; a causa do ato administrativo, a finalidade &eacute; a consequ&ecirc;ncia por ele visada&rdquo; (JUSTEN FILHO, 2014, p. 406).<br \/>\n\t\t\t19&nbsp;A Lei n.&ordm; 4.717\/1965, ao disciplinar a A&ccedil;&atilde;o Popular, apresenta essa defini&ccedil;&atilde;o em seu art. 2&ordm;, par&aacute;grafo &uacute;nico, al&iacute;nea &ldquo;e&rdquo;, que disp&otilde;e o seguinte: &ldquo;o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, expl&iacute;cita ou implicitamente, na regra de compet&ecirc;ncia&rdquo;.<br \/>\n\t\t\t20&nbsp;CARVALHO, 2017, p. 260.<br \/>\n\t\t\t21&nbsp;ARAG&Atilde;O, 2012, p. 78\/79. Ver tamb&eacute;m: GUEDES, Demian.&nbsp;A presun&ccedil;&atilde;o de veracidade e o estado democr&aacute;tico de direito: uma reavalia&ccedil;&atilde;o que se imp&otilde;e. In: F&oacute;rum Administrativo, v. 16, n. 180, p. 9&ndash;20, fev., 2016; FERRAZ, S&eacute;rgio; DALLARI, Adilson Abreu.&nbsp;Processo administrativo. S&atilde;o Paulo: Malheiros, 2001.<br \/>\n\t\t\t22&nbsp;LOPES, JR., 2013, p. 229.<br \/>\n\t\t\t23&nbsp;LOPES, JR., 2013, p. 228, e GOMES, 1996, p. 383. Ver tamb&eacute;m: VEGAS TORRES, Jaime.&nbsp;Presunci&oacute;n de Inocencia y Prueba en el Proceso Penal, Madri: La Ley, 1993, p. 14 e seguintes<br \/>\n\t\t\t24&nbsp;GOMES, 1996, p. 385; LOPES, JR., 2013, p. 228 e 229; e BELTR&Aacute;N DE FELIPE, Miguel.&nbsp;Realidad y constitucionalidad en el derecho administrativo sancionador&nbsp;(segunda parte). Revista Jur&iacute;dica de Castilla &mdash; La Mancha, p. 27-28, 2006 apud ARAG&Atilde;O, 2012, p. 80.<br \/>\n\t\t\t25&nbsp;JUSTEN FILHO, 2014, p. 411.<\/p>\n<p>\n\t\t\t____________________<br \/>\n\t\t\tALEXANDRINO, Marcelo; PAULO, Vicente.&nbsp;Direito Administrativo Descomplicado. 24&ordf; ed. Rio de Janeiro: Forense; S&atilde;o Paulo: M&Eacute;TODO, 2016.<br \/>\n\t\t\tARAG&Atilde;O, Alexandre Santos de. Algumas notas cr&iacute;ticas sobre o princ&iacute;pio da presun&ccedil;&atilde;o de veracidade dos atos administrativos. ISSN 0034.8007 &ndash; RDA &ndash; Revista de Direito Administrativo, Rio de Janeiro, v. 259, p. 73-87, jan.\/abr. 2012. Dispon&iacute;vel em:&nbsp;. Acesso em 09\/07\/2018.<br \/>\n\t\t\tBANDEIRA DE MELLO, Celso Ant&ocirc;nio.&nbsp;Curso de Direito Administrativo. 33&ordf; ed. S&atilde;o Paulo: Malheiros, 2016.<br \/>\n\t\t\tCARVALHO FILHO, Jos&eacute; dos Santos.&nbsp;Manual de Direito Administrativo. 28&ordf; ed. S&atilde;o Paulo: Atlas, 2017.<br \/>\n\t\t\tCARVALHO, Matheus.&nbsp;Manual de Direito Administrativo. 4&ordf; ed. Salvador: JusPODIVM, 2017.<br \/>\n\t\t\tDI PIETRO, Maria Sylvia Zanella.&nbsp;Direito Administrativo. S&atilde;o Paulo: Editora Atlas S.A., 16&ordf; ed., 2016.<br \/>\n\t\t\tFURTADO, Lucas Rocha.&nbsp;Curso de Direito Administrativo. Belo Horizonte: F&oacute;rum, 4&ordf; ed., 2013.<br \/>\n\t\t\tGASPARINI, Di&oacute;genes.&nbsp;Direito Administrativo. 8&ordf; ed. S&atilde;o Paulo: Saraiva, 2003.<br \/>\n\t\t\tGOMES, Luiz Fl&aacute;vio.&nbsp;Sobre o conte&uacute;do processual tridimensional do princ&iacute;pio da presun&ccedil;&atilde;o de inoc&ecirc;ncia. Revista dos Tribunais, S&atilde;o Paulo, v. 729, p. 377\/387, jul. 1996;<br \/>\n\t\t\tJUSTEN FILHO, Mar&ccedil;al.&nbsp;Curso de Direito Administrativo. 10&ordf; ed. S&atilde;o Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014.<br \/>\n\t\t\tLOPES JR., Aury.&nbsp;Direito Processual Penal. 10&ordf; ed. SARAIVA: S&atilde;o Paulo, 2013.<br \/>\n\t\t\tMEIRELLES, Hely Lopes.&nbsp;Direito Administrativo Brasileiro. 42&ordf; ed. Atualizada e Revisada por Jos&eacute; Emmanuel Burle Filho e Carla Rosado Burle. S&atilde;o Paulo: Malheiros, 2016.<\/p>\n<p>\n\t\t\t___________________<br \/>\n\t\t\t*<b><b style=\"font-style: inherit;\">Anderson Rocha Luna da Costa<\/b><\/b>&nbsp;&eacute; advogado. Bacharel em Direito pela Universidade de Bras&iacute;lia &ndash; UnB. P&oacute;s-graduado e Especialista em Direito Processual Civil.<\/p>\n<p>\n\t\t\tArtigo originalmente publicado no portal Migalhas, dispon&iacute;vel para acesso no link abaixo:<br \/>\n\t\t\t<a href=\"http:\/\/www.migalhas.com.br\/dePeso\/16,MI283605,101048-Ausencia+de+presuncao+de+veracidade+dos+atos+administrativos\">http:\/\/www.migalhas.com.br\/dePeso\/16,MI283605,101048-Ausencia+de+presuncao+de+veracidade+dos+atos+administrativos <\/a><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p>\t&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: right;\"><a dwhelper-border=\"\" dwhelper-display=\"\" href=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/GVLIMA-298-48x74.jpg\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"gvlima15_jpg\" class=\"alignnone size-full wp-image-4034\" height=\"74\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/GVLIMA-298-48x74.jpg\" title=\"Gilvan VANDERLEI\" width=\"48\" \/><\/a><br \/>\n\t\t<span style=\"font-size: 11px;\">Postado por <b>Gilvan VANDERLEI<\/b><br \/>\n\t\tEx-Cabo da FAB &ndash; Atingido pela Portaria 1.104GM3\/64<br \/>\n\t\tE-mail <a href=\"mailto:gvlima@terra.com.br\" rel=\"nofollow\">gvlima@terra.com.br<\/a> <\/span><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; (&#8230;) A presun&ccedil;&atilde;o de veracidade dos atos administrativos deve ser relativizada quando fundamentar atos administrativos sancionat&oacute;rios, a fim de que o Poder P&uacute;blico prove o fato gerador da san&ccedil;&atilde;o aplicada e n&atilde;o atribua ao sujeito uma exig&ecirc;ncia ilegal, como a prova da inoc&ecirc;ncia, ou imposs&iacute;vel, como a prova da n&atilde;o ocorr&ecirc;ncia de um fato. 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