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{"id":39147,"date":"2017-09-04T08:40:15","date_gmt":"2017-09-04T11:40:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/?p=39147"},"modified":"2017-09-05T19:02:11","modified_gmt":"2017-09-05T22:02:11","slug":"portal-brasil-politica-nacional-os-intelectuais-se-tornaram-cumplices-do-poder-afirma-antropologo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/2017\/09\/portal-brasil-politica-nacional-os-intelectuais-se-tornaram-cumplices-do-poder-afirma-antropologo\/","title":{"rendered":"BRASIL &#8211; POL\u00cdTICA NACIONAL &#8211; REPERCUSS\u00c3O GERAL &#8211; \u2018Os intelectuais se tornaram c\u00famplices do poder\u2019, afirma antrop\u00f3logo"},"content":{"rendered":"<div class=\"row\">\n<section class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"row\">\n<section class=\"col-xs-12 col-sm-offset-1 col-sm-11\">\n<article class=\"n--noticia__header\">\n<h1 class=\"n--noticia__title\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" class=\"aligncenter size-full wp-image-39150\" height=\"280\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Flavio-Gordon-Antropologo-395x280.jpg\" width=\"395\" srcset=\"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Flavio-Gordon-Antropologo-395x280.jpg 395w, https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Flavio-Gordon-Antropologo-395x280-385x273.jpg 385w\" sizes=\"auto, (max-width: 395px) 100vw, 395px\" \/><\/h1>\n<p class=\"n--noticia__subtitle\"><span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: comic sans ms,cursive;\">Para Flavio Gordon, a intelig&ecirc;ncia de esquerda, que apoia o PT, tamb&eacute;m deveria responder pela corrup&ccedil;&atilde;o ocorrida nos governos petistas<\/span><\/span><\/p>\n<\/article>\n<\/section><\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<aside class=\"col-sm-1 col-xs-none fixed-position-share\">\n<div class=\"module__share js-fixed-noticia-cover\" style=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"385\" height=\"64\" alt=\"\" class=\"alignnone size-medium wp-image-29399\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/repercuss\u00e3ogeral2-385x64.jpg\" style=\"width: 300px; height: 50px;\" srcset=\"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/repercuss\u00e3ogeral2-385x64.jpg 385w, https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/repercuss\u00e3ogeral2-450x74.jpg 450w, https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/repercuss\u00e3ogeral2.jpg 720w\" sizes=\"auto, (max-width: 385px) 100vw, 385px\" \/><\/div>\n<div class=\"module__share js-fixed-noticia-cover\" style=\"\">&nbsp;<\/div>\n<div class=\"module__share js-fixed-noticia-cover\" style=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"385\" height=\"273\" alt=\"\" class=\"alignnone size-medium wp-image-39150\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Flavio-Gordon-Antropologo-395x280-385x273.jpg\" style=\"width: 50px; height: 35px;\" srcset=\"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Flavio-Gordon-Antropologo-395x280-385x273.jpg 385w, https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Flavio-Gordon-Antropologo-395x280.jpg 395w\" sizes=\"auto, (max-width: 385px) 100vw, 385px\" \/><\/div>\n<div class=\"module__share js-fixed-noticia-cover\" style=\"\">&nbsp;<\/div>\n<div class=\"module__share js-fixed-noticia-cover\" style=\"\"><span style=\"color:#DAA520;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: comic sans ms,cursive;\"><strong><span style=\"background-color: rgb(0, 0, 0);\">&lsquo;Os intelectuais se tornaram c&uacute;mplices do poder&rsquo;, afirma antrop&oacute;logo<\/span><\/strong><\/span><\/span><\/span><\/div>\n<\/aside>\n<div class=\"row\">\n<section class=\"col-xs-12 main-news\">\n<div class=\"pw-container\" data-acesso=\"0\" data-coluna=\"\" id=\"pw-P_1.1961783\">\n<div class=\"pw-container\" id=\"sw-P_1.1961783\">\n<div class=\"row n--noticia__body\">\n<section class=\"col-xs-12 col-sm-offset-1 col-sm-11\">\n<div class=\"row\">\n<section class=\"col-xs-12 col-content col-center\">\n<div class=\"box area-select\">\n<div class=\"n--noticia__state\">\n<p><span style=\"font-size:10px;\"><span style=\"font-family: comic sans ms,cursive;\">Jos&eacute; Fucs, O Estado de S. Paulo<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t02 Setembro 2017 | 16h00<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O antrop&oacute;logo social carioca Flavio Gordon, de 38 anos, j&aacute; apoiou&nbsp;o&nbsp;PT e esteve at&eacute; na posse de Lula em Bras&iacute;lia, em 2003. Nos &uacute;ltimos anos, dizendo-se decepcionado com as pr&aacute;ticas do partido&nbsp;no poder e incensado pelas ideias de pensadores conservadores, como o fil&oacute;sofo e cientista pol&iacute;tico alem&atilde;o Eric Voegelin e o fil&oacute;sofo brasileiro Olavo de Carvalho, Gordon deu uma guinada ideol&oacute;gica radical para a direita. Em seu novo livro <em>A Corrup&ccedil;&atilde;o da Intelig&ecirc;ncia &ndash; Intelectuais e Poder no Brasil <\/em>(Ed. Record), ele analisa como a esquerda brasileira conquistou a hegemonia na &aacute;rea cultural e faz uma cr&iacute;tica contundente ao papel submisso da intelectualidade nos governos petistas. Em entrevista ao <strong>Estado<\/strong>, Gordon diz que&nbsp;os intelectuais de esquerda &ldquo;se tornaram c&uacute;mplices do poder&rdquo; e tamb&eacute;m devem ser responsabilizados pelos desvios ocorridos nos governos petistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para come&ccedil;ar, o senhor poderia dizer a que exatamente se refere no livro ao falar dos &ldquo;intelectuais&rdquo;? Quem se enquadra nessa categoria?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uso o termo &ldquo;intelectual&rdquo; em dois sentidos, um mais direto e outro mais cr&iacute;tico. O sentido mais direto baseia-se no conceito adotado por Thomas Sowell, intelectual e economista americano. No livro <em>Intelectuais e Sociedade<\/em>, ele inclui nessa categoria, sem qualquer ju&iacute;zo de valor, todos os que vivem das palavras, que se comunicam com o p&uacute;blico, a &ldquo;classe falante&rdquo;. S&atilde;o professores e estudantes universit&aacute;rios, principalmente das chamadas humanidades, jornalistas, escritores, cr&iacute;ticos, pessoas que lidam com a forma&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica. O sentido mais cr&iacute;tico, no qual me concentrei, &eacute; o de Antonio Gramsci, o ide&oacute;logo do Partido Comunista Italiano, que v&ecirc; o intelectual mais no sentido org&acirc;nico, como aquele que exerce uma influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica em nome de um determinado partido, que expressa mais ou menos os interesses da classe que ele pretende representar. O Gramsci ampliou o conceito de intelectual e incluiu artistas e influenciadores de opini&atilde;o. Para ele, qualquer uma pode ser um intelectual e contribuir para refor&ccedil;ar uma determinada vis&atilde;o pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica na sociedade. No livro, eu uso tamb&eacute;m o termo &ldquo;intelig&ecirc;ncia&rdquo; em dois sentidos ambivalentes. Pode significar tanto a &ldquo;classe&rdquo; dos intelectuais, quando se aproxima do conceito russo de inteligentsia, como um atributo individual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando o senhor fala em &ldquo;corrup&ccedil;&atilde;o dos intelectuais&rdquo; o que quer dizer com isso?&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estou me referindo a um processo em que os intelectuais abdicam de sua fun&ccedil;&atilde;o primordial, de compreender e explicar a realidade, e querem interferir nos acontecimentos, em especial nos campos pol&iacute;tico e social. O problema n&atilde;o &eacute; os intelectuais se posicionarem politicamente. Isso sempre aconteceu, &eacute; natural. O grande problema &eacute; conceber a atividade intelectual exclusivamente como milit&acirc;ncia pol&iacute;tica. Um autor em que me baseio muito para criticar essa postura &eacute; o franc&ecirc;s Julien Benda. Ele escreveu um livro cl&aacute;ssico em 1927 sobre isso, intitulado<em> A Trai&ccedil;&atilde;o dos Intelectuais<\/em>, que teve muita influ&ecirc;ncia na minha formula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na pr&aacute;tica, como esse fen&ocirc;meno se manifestou no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da vit&oacute;ria do Lula, em 2002, os intelectuais, que tradicionalmente assumem um papel cr&iacute;tico em rela&ccedil;&atilde;o aos governos, se tornaram c&uacute;mplices do poder. A partir do momento que o PT dominou a m&aacute;quina estatal, o &ldquo;aparelhamento&rdquo; se intensificou na &aacute;rea cultural. Houve um processo de &ldquo;instrumentaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; da cultura, em fun&ccedil;&atilde;o dos interesses partid&aacute;rios, nas universidades, editoras, reda&ccedil;&otilde;es de jornais, na chamada ind&uacute;stria cultural como um todo. Muitos intelectuais tornaram-se meros reprodutores do discurso oficial do partido e do governo. Outros ficaram em sil&ecirc;ncio, adotaram uma postura de cumplicidade muda, com receio de sofrer repres&aacute;lias, ser mal vistos, prejudicar seus ciclos de rela&ccedil;&otilde;es. Foi um triste espet&aacute;culo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O senhor pode citar um exemplo dessa &ldquo;promiscuidade&rdquo; dos intelectuais com o poder no Pa&iacute;s?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso do impeachment da Dilma foi escandaloso. Havia uma posi&ccedil;&atilde;o quase un&acirc;nime na academia, principalmente nas ci&ecirc;ncias humanas, contr&aacute;ria ao impeachment da Dilma Rousseff. Tivemos at&eacute; reitores de universidades federais se aproveitando de seu papel institucional para tomar posi&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria ao impeachment, de uma maneira claramente partid&aacute;ria e ideol&oacute;gica. Houve professores universit&aacute;rios de destaque chegando a comparar o impeachment da Dilma com o nazismo. O intelectual, o estudioso, tem de saber que uma coisa n&atilde;o teve nada a ver a outra. Se ele est&aacute; disposto a sacrificar a pr&oacute;pria reputa&ccedil;&atilde;o, a pr&oacute;pria credibilidade, falando uma coisa dessas, &eacute; porque realmente a intelig&ecirc;ncia dele j&aacute; est&aacute; bastante corrompida.&nbsp;<\/p>\n<div class=\"n--noticia__citacao\">\n<div class=\"citacao-texto\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><svg class=\"aspas-abre\" height=\"28\" viewbox=\"0 0 31 28\" width=\"31\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\"><path d=\"M10.107 2.002c-.554.683-1.14 1.611-1.758 2.783A25.379 25.379 0 0 0 6.713 8.69a30.019 30.019 0 0 0-1.098 4.516 16.033 16.033 0 0 0-.098 4.663c.944-.423 1.847-.602 2.71-.537.863.065 1.62.31 2.27.732a4.462 4.462 0 0 1 1.538 1.71c.375.715.562 1.513.562 2.392 0 1.855-.537 3.287-1.611 4.296-1.075 1.01-2.376 1.514-3.906 1.514-1.14 0-2.149-.236-3.028-.708a6.647 6.647 0 0 1-2.221-1.929c-.602-.814-1.058-1.774-1.367-2.88A13.196 13.196 0 0 1 0 18.895c0-1.27.179-2.758.537-4.467a36.568 36.568 0 0 1 1.514-5.2 37.03 37.03 0 0 1 2.343-5.102C5.306 2.482 6.314 1.106 7.421 0l2.686 2.002zm17.627 0c-.554.683-1.14 1.611-1.758 2.783A25.379 25.379 0 0 0 24.34 8.69a30.019 30.019 0 0 0-1.098 4.516 16.033 16.033 0 0 0-.098 4.663c.944-.423 1.847-.602 2.71-.537.863.065 1.62.31 2.27.732a4.462 4.462 0 0 1 1.538 1.71c.375.715.562 1.513.562 2.392 0 1.855-.537 3.287-1.611 4.296-1.075 1.01-2.377 1.514-3.906 1.514-1.14 0-2.149-.236-3.028-.708a6.647 6.647 0 0 1-2.221-1.929c-.602-.814-1.058-1.774-1.367-2.88a13.196 13.196 0 0 1-.464-3.565c0-1.27.179-2.758.537-4.467a36.568 36.568 0 0 1 1.514-5.2 37.03 37.03 0 0 1 2.343-5.102c.912-1.644 1.92-3.02 3.027-4.126l2.686 2.002z\" fill=\"#000\" fill-rule=\"evenodd\"><\/path><\/svg><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">A corrup&ccedil;&atilde;o dos intelectuais nos governos do PT foi respaldada pela ideologia, estava a servi&ccedil;o de uma causa<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><svg class=\"aspas-fecha\" height=\"28\" viewbox=\"0 0 31 28\" width=\"31\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\"><path d=\"M2.49 25.977c.554-.684 1.14-1.612 1.758-2.784a25.38 25.38 0 0 0 1.636-3.906 30.02 30.02 0 0 0 1.098-4.516c.26-1.58.293-3.134.098-4.664-.944.424-1.847.603-2.71.538-.863-.066-1.62-.31-2.27-.733A4.462 4.462 0 0 1 .562 8.203C.187 7.487 0 6.69 0 5.811c0-1.856.537-3.288 1.611-4.297C2.686.504 3.988 0 5.518 0c1.139 0 2.148.236 3.027.708a6.647 6.647 0 0 1 2.222 1.929c.602.814 1.058 1.774 1.367 2.88.309 1.107.464 2.295.464 3.565s-.18 2.759-.537 4.468a36.57 36.57 0 0 1-1.514 5.2 37.033 37.033 0 0 1-2.344 5.103c-.911 1.643-1.92 3.019-3.027 4.126L2.49 25.977zm17.578 0c.554-.684 1.14-1.612 1.758-2.784a25.38 25.38 0 0 0 1.636-3.906 30.02 30.02 0 0 0 1.099-4.516c.26-1.58.293-3.134.097-4.664-.944.424-1.847.603-2.71.538-.862-.066-1.62-.31-2.27-.733a4.462 4.462 0 0 1-1.538-1.709c-.375-.716-.562-1.514-.562-2.392 0-1.856.537-3.288 1.611-4.297C20.264.504 21.566 0 23.096 0c1.139 0 2.148.236 3.027.708a6.647 6.647 0 0 1 2.222 1.929c.602.814 1.058 1.774 1.367 2.88.31 1.107.464 2.295.464 3.565s-.18 2.759-.537 4.468a36.57 36.57 0 0 1-1.514 5.2 37.033 37.033 0 0 1-2.344 5.103c-.911 1.643-1.92 3.019-3.027 4.126l-2.686-2.002z\" fill=\"#000\" fill-rule=\"evenodd\"><\/path><\/svg><\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Historicamente, de que forma se iniciou esse processo no Pa&iacute;s? Como se criaram as condi&ccedil;&otilde;es para que isso acontecesse?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da d&eacute;cada de 1960, come&ccedil;ou a haver uma ocupa&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o no modelo gramsciano, que prega a realiza&ccedil;&atilde;o de uma&nbsp;revolu&ccedil;&atilde;o cultural antes da revolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. A ideia &eacute; que antes de se tomar poder do Estado deve se preparar o terreno para quando os comunistas chegarem ao poder. Isso aconteceu nas universidades, nas editoras e tamb&eacute;m nas reda&ccedil;&otilde;es dos jornais. Criou-se todo um mecanismo de sele&ccedil;&atilde;o de pessoas e de prest&iacute;gios baseado nessa ideia de afinidade pol&iacute;tico-ideol&oacute;gica de esquerda. Passou-se a associar qualquer intelectual que n&atilde;o fosse de esquerda &agrave; ditadura. O pensamento conservador, liberal, foi sendo gradativamente banido, tido como n&atilde;o leg&iacute;timo. A direita no Brasil se transformou num espantalho, numa fantasmagoria. At&eacute; a d&eacute;cada de 1950, isso n&atilde;o ocorria. Existia um debate profundo, at&eacute; violento, entre grandes intelectuais brasileiros, das mais diversas orienta&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, inclusive nos jornais. As discuss&otilde;es eram p&uacute;blicas. Hoje, na universidade, as opini&otilde;es s&atilde;o quase homog&ecirc;neas. Mesmo que as pessoas n&atilde;o concordem com essa vis&atilde;o, elas acabam n&atilde;o se manifestando para n&atilde;o ter problemas.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como o PT entra nisso?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa influ&ecirc;ncia crescente do Gramsci no Brasil acabou provocando a sa&iacute;da de membros do Partido Comunista Brasileiro (PCB) que n&atilde;o concordavam com a vis&atilde;o sovi&eacute;tica de Luis Carlos Prestes, que era o grande l&iacute;der da sigla. Muitos dos intelectuais que introduziram Gramsci no Brasil depois foram fazer parte do PT, no final da d&eacute;cada de 1970 e come&ccedil;o da d&eacute;cada de 1980, como os editores da Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, os tradutores Leandro Konder, Carlos Nelson Coutinho, que morreu h&aacute; pouco tempo, cuja participa&ccedil;&atilde;o na funda&ccedil;&atilde;o do PT foi fundamental. Ent&atilde;o, o PT j&aacute; nasceu mais ou menos nesse contexto, de mudan&ccedil;a de postura de integrantes do Partido Comunista para uma vis&atilde;o mais cultural. A&iacute;, muito antes de chegar ao poder, com a elei&ccedil;&atilde;o do Lula, o PT j&aacute; tinha conquistado essa hegemonia cultural, como preconizava Antonio Gramsci. Quando o PT chegou ao poder, foi quase como uma coisa inevit&aacute;vel. Toda a narrativa era &ldquo;finalmente&nbsp;chegou o Partido dos Trabalhadores&rdquo;,&nbsp;&ldquo;o encontro do Brasil consigo mesmo&rdquo;,&nbsp;&quot;a festa da democracia&quot;. J&aacute; havia todo um ex&eacute;rcito de intelectuais, jornalistas, formadores de opini&atilde;o criando essa narrativa, preparando a sociedade para receber o PT. Quando o&nbsp;partido conseguiu chegar ao poder do Estado, j&aacute; com a hegemonia cultural, foi muito mais complicado tir&aacute;-lo de l&aacute;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No livro, o senhor diz que, por causa dessa postura, os intelectuais que sustentavam o PT tamb&eacute;m&nbsp;deveriam ser responsabilizados pelo que aconteceu nos governos petistas. Faz sentido culp&aacute;-los pelo envolvimento do partido em atos de corrup&ccedil;&atilde;o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evidentemente, n&atilde;o digo que haja uma rela&ccedil;&atilde;o direta entre os pol&iacute;ticos do PT envolvidos em corrup&ccedil;&atilde;o e os intelectuais que os apoiam. O v&iacute;nculo dos intelectuais com os acontecimentos se d&aacute; pela forma como eles abordam ainda hoje a corrup&ccedil;&atilde;o praticada pelos integrantes do partido. O PT foi a &uacute;nica agremia&ccedil;&atilde;o que tinha por tr&aacute;s um ex&eacute;rcito de &ldquo;corruptos intelectuais&rdquo;, como eu os chamo, que lhe dava respaldo cultural e intelectual. Foi uma corrup&ccedil;&atilde;o respaldada pela ideologia, a servi&ccedil;o de uma causa, em vez da corrup&ccedil;&atilde;o tradicionalmente praticada no Pa&iacute;s. Quando voc&ecirc; tem uma justificativa moral para o seu delito, ele tende a ser ainda mais grave, a se espalhar e a atrair mais adeptos.&nbsp;<\/p>\n<div class=\"n--noticia__citacao\">\n<div class=\"citacao-texto\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><svg class=\"aspas-abre\" height=\"28\" viewbox=\"0 0 31 28\" width=\"31\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\"><path d=\"M10.107 2.002c-.554.683-1.14 1.611-1.758 2.783A25.379 25.379 0 0 0 6.713 8.69a30.019 30.019 0 0 0-1.098 4.516 16.033 16.033 0 0 0-.098 4.663c.944-.423 1.847-.602 2.71-.537.863.065 1.62.31 2.27.732a4.462 4.462 0 0 1 1.538 1.71c.375.715.562 1.513.562 2.392 0 1.855-.537 3.287-1.611 4.296-1.075 1.01-2.376 1.514-3.906 1.514-1.14 0-2.149-.236-3.028-.708a6.647 6.647 0 0 1-2.221-1.929c-.602-.814-1.058-1.774-1.367-2.88A13.196 13.196 0 0 1 0 18.895c0-1.27.179-2.758.537-4.467a36.568 36.568 0 0 1 1.514-5.2 37.03 37.03 0 0 1 2.343-5.102C5.306 2.482 6.314 1.106 7.421 0l2.686 2.002zm17.627 0c-.554.683-1.14 1.611-1.758 2.783A25.379 25.379 0 0 0 24.34 8.69a30.019 30.019 0 0 0-1.098 4.516 16.033 16.033 0 0 0-.098 4.663c.944-.423 1.847-.602 2.71-.537.863.065 1.62.31 2.27.732a4.462 4.462 0 0 1 1.538 1.71c.375.715.562 1.513.562 2.392 0 1.855-.537 3.287-1.611 4.296-1.075 1.01-2.377 1.514-3.906 1.514-1.14 0-2.149-.236-3.028-.708a6.647 6.647 0 0 1-2.221-1.929c-.602-.814-1.058-1.774-1.367-2.88a13.196 13.196 0 0 1-.464-3.565c0-1.27.179-2.758.537-4.467a36.568 36.568 0 0 1 1.514-5.2 37.03 37.03 0 0 1 2.343-5.102c.912-1.644 1.92-3.02 3.027-4.126l2.686 2.002z\" fill=\"#000\" fill-rule=\"evenodd\"><\/path><\/svg><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">O PT nunca teria chegado &agrave;s dimens&otilde;es que chegou sem o apoio dos intelectuais<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><svg class=\"aspas-fecha\" height=\"28\" viewbox=\"0 0 31 28\" width=\"31\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\"><path d=\"M2.49 25.977c.554-.684 1.14-1.612 1.758-2.784a25.38 25.38 0 0 0 1.636-3.906 30.02 30.02 0 0 0 1.098-4.516c.26-1.58.293-3.134.098-4.664-.944.424-1.847.603-2.71.538-.863-.066-1.62-.31-2.27-.733A4.462 4.462 0 0 1 .562 8.203C.187 7.487 0 6.69 0 5.811c0-1.856.537-3.288 1.611-4.297C2.686.504 3.988 0 5.518 0c1.139 0 2.148.236 3.027.708a6.647 6.647 0 0 1 2.222 1.929c.602.814 1.058 1.774 1.367 2.88.309 1.107.464 2.295.464 3.565s-.18 2.759-.537 4.468a36.57 36.57 0 0 1-1.514 5.2 37.033 37.033 0 0 1-2.344 5.103c-.911 1.643-1.92 3.019-3.027 4.126L2.49 25.977zm17.578 0c.554-.684 1.14-1.612 1.758-2.784a25.38 25.38 0 0 0 1.636-3.906 30.02 30.02 0 0 0 1.099-4.516c.26-1.58.293-3.134.097-4.664-.944.424-1.847.603-2.71.538-.862-.066-1.62-.31-2.27-.733a4.462 4.462 0 0 1-1.538-1.709c-.375-.716-.562-1.514-.562-2.392 0-1.856.537-3.288 1.611-4.297C20.264.504 21.566 0 23.096 0c1.139 0 2.148.236 3.027.708a6.647 6.647 0 0 1 2.222 1.929c.602.814 1.058 1.774 1.367 2.88.31 1.107.464 2.295.464 3.565s-.18 2.759-.537 4.468a36.57 36.57 0 0 1-1.514 5.2 37.033 37.033 0 0 1-2.344 5.103c-.911 1.643-1.92 3.019-3.027 4.126l-2.686-2.002z\" fill=\"#000\" fill-rule=\"evenodd\"><\/path><\/svg><\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>At&eacute; que ponto os intelectuais tiveram um papel t&atilde;o relevante na ascens&atilde;o do Lula e do PT, como o senhor diz?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O poder cultural &eacute; de muito longo prazo. H&aacute; o poder econ&ocirc;mico, o pol&iacute;tico, o militar e o cultural. Apesar de menos impactante de imediato, no&nbsp;longo prazo &eacute; o poder intelectual que vai moldando o imagin&aacute;rio das pessoas, construindo as narrativas, sedimentando as emo&ccedil;&otilde;es e os sentimentos das pessoas. Ent&atilde;o, o processo de conquista do poder pelo PT foi muito de longo prazo. Isso come&ccedil;ou com um c&iacute;rculo pequeno de intelectuais, quando as ideias do Gramsci come&ccedil;aram a chegar para valer no Brasil, nos final dos anos 1960, bem antes de o PT surgir. Aos poucos, a coisa foi se espalhando e atingindo aquelas pessoas que est&atilde;o na periferia da academia, que se formaram, mas n&atilde;o seguiram carreira acad&ecirc;mica, como jornalistas e publicit&aacute;rios, que s&atilde;o muito suscet&iacute;veis &agrave; influ&ecirc;ncia desses medalh&otilde;es acad&ecirc;micos. A partir da&iacute;, as ideias come&ccedil;aram a circular atrav&eacute;s desses mediadores e foram chegando nos valores, na ind&uacute;stria cultural, na televis&atilde;o. Foi isso que permitiu ao PT gozar durante muito tempo de certa imunidade de cr&iacute;ticas. O PT era tratado at&eacute; pouco tempo atr&aacute;s como o partido da &eacute;tica. Em v&aacute;rios momentos, criticar o Lula era algo visto como preconceito de classe, de regi&atilde;o. Trata-se de um mecanismo supereficiente de silenciar as cr&iacute;ticas e de prote&ccedil;&atilde;o aos pol&iacute;ticos petistas.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora, o senhor afirma&nbsp;que&nbsp;sem o apoio dos intelectuais o&nbsp;Lula e o PT n&atilde;o teriam chegado aonde chegaram. N&atilde;o h&aacute; certo exagero nessa vis&atilde;o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acredito que n&atilde;o, porque &eacute; justamente isso que cria a imagem m&iacute;tica do Lula, em contradi&ccedil;&atilde;o com a realidade dos fatos. &Eacute; isso que faz com que exista uma milit&acirc;ncia disposta a segui-lo, porque tem toda uma camada de mistifica&ccedil;&atilde;o, criada pelos intelectuais, pelos agentes culturais, impedindo as pessoas de visualizar a realidade. S&oacute; isso explica que, nesta altura do campeonato, o Lula ainda tenha algum capital pol&iacute;tico. Se fosse qualquer outro, que n&atilde;o se beneficiasse dessa hegemonia cultural, j&aacute; estaria liquidado. Eu costumo usar o exemplo do Dem&oacute;stenes Torres, do DEM, que era um nome conservador. Depois que se revelou aquele esc&acirc;ndalo dele, da liga&ccedil;&atilde;o com o Carlinhos Cachoeira, aquela coisa toda, a carreira do homem simplesmente acabou. Ningu&eacute;m saiu na rua para defender o Dem&oacute;stenes Torres. N&atilde;o houve intelectuais, jornalistas, artistas defendendo o Dem&oacute;stenes. Isso &eacute; que chamo de poder cultural, para manter os cargos de poder, promover a mistifica&ccedil;&atilde;o dos pol&iacute;ticos do partido. Sem isso, um partido n&atilde;o se mant&eacute;m durante muito tempo no poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O senhor n&atilde;o est&aacute; sobrevalorizando o papel dos intelectuais no PT?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos insights que eu tive para escrever o livro foi tratar o PT n&atilde;o como Partido dos Trabalhadores, mas como Partido dos Intelectuais. Para mim, a base do PT s&atilde;o os intelectuais. O PT nunca teria chegado &agrave;s dimens&otilde;es que chegou sem o apoio dos intelectuais. Houve o movimento sindicalista, mas se o PT fosse s&oacute; isso teria sido um fen&ocirc;meno restrito. Tanto que a base que sobrou hoje, depois de o PT virar um partido relativamente popular, durante um per&iacute;odo ef&ecirc;mero na sua hist&oacute;ria, foram os intelectuais, os acad&ecirc;micos, os universit&aacute;rios marxistas e gramscianos. Na verdade, o reduto do PT est&aacute; na intelectualidade, na intelig&ecirc;ncia de esquerda brasileira. Inclusive, quando o PT surgiu, gabava-se muito disso.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse grupo que o senhor menciona, apesar de muito ativo politicamente, sempre foi muito pequeno. Como conseguiu&nbsp;alcan&ccedil;ar esses resultados?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H&aacute; um grupo mais ativo, doutrin&aacute;rio, que &eacute; pequeno, mas muito bem posicionado. H&aacute; tamb&eacute;m os medalh&otilde;es acad&ecirc;micos nas principais universidades federais, que usam suas posi&ccedil;&otilde;es para fortalecer essa hegemonia. Finalmente, h&aacute; o grupo dos que se acomodam&nbsp;por causa desse mecanismo de hegemonia de que eu falei. Ele n&atilde;o se envolve&nbsp;no processo de maneira consciente, para que o deixem em paz, para que possa&nbsp;seguir sua carreira acad&ecirc;mica sem percal&ccedil;os, porque se n&atilde;o fizer isso vai sofrer muita press&atilde;o. No livro <em>O Poder dos Sem Poder<\/em>, o escritor e intelectual tcheco V&aacute;clav Havel desenvolve o conceito do sistema p&oacute;s-totalit&aacute;rio, num contexto que a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica e os pa&iacute;ses sat&eacute;lites est&atilde;o iniciando um processo de abertura. Mas mesmo com essa abertura, ele mostra que o sistema n&atilde;o acabou, mas tornou-se um totalitarismo mais silencioso, mais sutil. Isso acontece n&atilde;o s&oacute; na academia, mas nas reda&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m. Tenho muitos amigos jornalistas que dizem que, em certos momentos, t&ecirc;m medo de expressar suas opini&otilde;es.&nbsp;<\/p>\n<div class=\"n--noticia__citacao\">\n<div class=\"citacao-texto\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><svg class=\"aspas-abre\" height=\"28\" viewbox=\"0 0 31 28\" width=\"31\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\"><path d=\"M10.107 2.002c-.554.683-1.14 1.611-1.758 2.783A25.379 25.379 0 0 0 6.713 8.69a30.019 30.019 0 0 0-1.098 4.516 16.033 16.033 0 0 0-.098 4.663c.944-.423 1.847-.602 2.71-.537.863.065 1.62.31 2.27.732a4.462 4.462 0 0 1 1.538 1.71c.375.715.562 1.513.562 2.392 0 1.855-.537 3.287-1.611 4.296-1.075 1.01-2.376 1.514-3.906 1.514-1.14 0-2.149-.236-3.028-.708a6.647 6.647 0 0 1-2.221-1.929c-.602-.814-1.058-1.774-1.367-2.88A13.196 13.196 0 0 1 0 18.895c0-1.27.179-2.758.537-4.467a36.568 36.568 0 0 1 1.514-5.2 37.03 37.03 0 0 1 2.343-5.102C5.306 2.482 6.314 1.106 7.421 0l2.686 2.002zm17.627 0c-.554.683-1.14 1.611-1.758 2.783A25.379 25.379 0 0 0 24.34 8.69a30.019 30.019 0 0 0-1.098 4.516 16.033 16.033 0 0 0-.098 4.663c.944-.423 1.847-.602 2.71-.537.863.065 1.62.31 2.27.732a4.462 4.462 0 0 1 1.538 1.71c.375.715.562 1.513.562 2.392 0 1.855-.537 3.287-1.611 4.296-1.075 1.01-2.377 1.514-3.906 1.514-1.14 0-2.149-.236-3.028-.708a6.647 6.647 0 0 1-2.221-1.929c-.602-.814-1.058-1.774-1.367-2.88a13.196 13.196 0 0 1-.464-3.565c0-1.27.179-2.758.537-4.467a36.568 36.568 0 0 1 1.514-5.2 37.03 37.03 0 0 1 2.343-5.102c.912-1.644 1.92-3.02 3.027-4.126l2.686 2.002z\" fill=\"#000\" fill-rule=\"evenodd\"><\/path><\/svg><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">A esquerda associava os cr&iacute;ticos do PT &agrave;&nbsp;elite, para deslegitimar quem ousasse alertar a opini&atilde;o p&uacute;blica<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><svg class=\"aspas-fecha\" height=\"28\" viewbox=\"0 0 31 28\" width=\"31\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\"><path d=\"M2.49 25.977c.554-.684 1.14-1.612 1.758-2.784a25.38 25.38 0 0 0 1.636-3.906 30.02 30.02 0 0 0 1.098-4.516c.26-1.58.293-3.134.098-4.664-.944.424-1.847.603-2.71.538-.863-.066-1.62-.31-2.27-.733A4.462 4.462 0 0 1 .562 8.203C.187 7.487 0 6.69 0 5.811c0-1.856.537-3.288 1.611-4.297C2.686.504 3.988 0 5.518 0c1.139 0 2.148.236 3.027.708a6.647 6.647 0 0 1 2.222 1.929c.602.814 1.058 1.774 1.367 2.88.309 1.107.464 2.295.464 3.565s-.18 2.759-.537 4.468a36.57 36.57 0 0 1-1.514 5.2 37.033 37.033 0 0 1-2.344 5.103c-.911 1.643-1.92 3.019-3.027 4.126L2.49 25.977zm17.578 0c.554-.684 1.14-1.612 1.758-2.784a25.38 25.38 0 0 0 1.636-3.906 30.02 30.02 0 0 0 1.099-4.516c.26-1.58.293-3.134.097-4.664-.944.424-1.847.603-2.71.538-.862-.066-1.62-.31-2.27-.733a4.462 4.462 0 0 1-1.538-1.709c-.375-.716-.562-1.514-.562-2.392 0-1.856.537-3.288 1.611-4.297C20.264.504 21.566 0 23.096 0c1.139 0 2.148.236 3.027.708a6.647 6.647 0 0 1 2.222 1.929c.602.814 1.058 1.774 1.367 2.88.31 1.107.464 2.295.464 3.565s-.18 2.759-.537 4.468a36.57 36.57 0 0 1-1.514 5.2 37.033 37.033 0 0 1-2.344 5.103c-.911 1.643-1.92 3.019-3.027 4.126l-2.686-2.002z\" fill=\"#000\" fill-rule=\"evenodd\"><\/path><\/svg><\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao falar da hegemonia cultural da esquerda no Brasil, o senhor critica tamb&eacute;m o PSDB. Qual o papel do PSDB nisso tudo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acredito que o PSDB teve um papel fundamental. N&atilde;o o PSDB como um todo, mas o seu n&uacute;cleo duro, o Fernando Henrique Cardoso, o Jos&eacute; Serra. O Fernando Henrique, principalmente, foi um dos que estavam plenamente conscientes da estrat&eacute;gia de repartir o campo pol&iacute;tico brasileiro entre vers&otilde;es de esquerda, de banir a legitimidade pol&iacute;tica de qualquer coisa que n&atilde;o pertencesse &agrave;s correntes da esquerda. A &uacute;nica direita permitida passou&nbsp;a ser a direita da esquerda. O PT e o PSDB t&ecirc;m as suas origens intelectuais na Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) e travam uma disputa intestina pela hegemonia pol&iacute;tico-cultural da esquerda no pa&iacute;s. O PSDB segue uma linha mais social-democrata, que pensa mais em resultados de longo prazo. Um termo que ficou muito na moda e agora acabou se tornando&nbsp;meio rid&iacute;culo, mas que tem uma base real, &eacute; o tal do socialismo fabiano. De tanto o pessoal ter feito mau uso do termo, ele acabou perdendo o sentido, mas &eacute; bom recuperar o significado original. Ele designa os socialistas brit&acirc;nicos que tentavam um modo gradualista de instaurar o socialismo. No Brasil atual, essa turma&nbsp;&eacute;&nbsp;o PSDB. O PT tem uma vis&atilde;o mais radical, mais imediatista. Mas eles s&atilde;o &ldquo;inimigos-irm&atilde;os&rdquo;, como socialistas e comunistas na Europa, girondinos e jacobinos, mencheviques e bolcheviques. No fundo, com a estrat&eacute;gia do Gramsci, essas coisas se fundiam, havia muito di&aacute;logo entre eles. Essa oposi&ccedil;&atilde;o entre PT e PSDB &eacute; mais jogo de cena. Ela se d&aacute; muito mais em contexto eleitoral, de disputa de cargos, do que no contexto de disputa pol&iacute;tica no sentido mais nobre do termo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dentro do PSDB tamb&eacute;m tem gente como o Jo&atilde;o Doria, prefeito de S&atilde;o Paulo, e o Geraldo Alckmin, governador paulista. N&atilde;o &eacute; preciso separar essas correntes que atuam no PSDB?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&Eacute; verdade, h&aacute; diferen&ccedil;as. Mas o Doria est&aacute; surgindo agora. A gente n&atilde;o sabe direito o que ele &eacute;, nem se vai permanecer no PSDB. Agora, ele &eacute; meio um <em>outsider<\/em> do PSDB, tanto que n&atilde;o conta nem um pouco com a simpatia desse n&uacute;cleo duro. O Alckmin, tamb&eacute;m, &eacute; um pouco democrata crist&atilde;o, um pouco mais centrista. De todo modo, a esquerda se expande atrav&eacute;s de suas diferen&ccedil;as. Isso est&aacute; meio que no DNA da esquerda, a ideia de uma evolu&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica. A direita, ao contr&aacute;rio, costuma se enfraquecer com os rachas internos.&nbsp;No momento, inclusive, a direita est&aacute; vivendo uma disputa acirrada, muito feia, no Brasil. De repente, surgiu um pequeno espa&ccedil;o para a direita no Pa&iacute;s e tem gente indo com muita sede ao pote. Com a oportunidade de conquista do poder, acaba havendo uma disputa por posi&ccedil;&atilde;o, de vaidades. Mas &eacute; meio natural, nesse processo de renascimento da direita no Pa&iacute;s nos &uacute;ltimos anos, que cada um puxe para o seu lado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O senhor afirma que, nos governos do PT, a esquerda recorreu a todos os expedientes poss&iacute;veis para refor&ccedil;ar sua hegemonia na &aacute;rea cultural. Como isso aconteceu?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Basicamente, por meio do assassinato de reputa&ccedil;&atilde;o, da mobiliza&ccedil;&atilde;o de agentes de influ&ecirc;ncia em jornais, na academia, para deslegitimar quem ousasse alertar a opini&atilde;o p&uacute;blica para o que vinha ocorrendo. A esquerda fazia associa&ccedil;&otilde;es entre os cr&iacute;ticos ao PT e a elite, dizia que eles n&atilde;o gostavam do povo. Na &eacute;poca da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, os comunistas j&aacute; faziam isso para demonizar os cr&iacute;ticos do partido. &Eacute; um fen&ocirc;meno que autor frances Jean S&eacute;villia chamou de &ldquo;terrorismo intelectual&rdquo;, em refer&ecirc;ncia ao papel desempenhado pelos intelectuais franceses depois da Segunda Guerra, que se aplica perfeitamente ao que aconteceu nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas no Brasil e se intensificou nos governos do PT. Tivemos at&eacute; alguns casos de viol&ecirc;ncia, como ocorreu com aquela blogueira cubana, a Yoani S&aacute;nchez. Ela foi recebida por um grupo de militantes estudantis com muita viol&ecirc;ncia e&nbsp;at&eacute; impedida de dar palestras no Pa&iacute;s na base da for&ccedil;a.<\/p>\n<div class=\"n--noticia__citacao\">\n<div class=\"citacao-texto\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><svg class=\"aspas-abre\" height=\"28\" viewbox=\"0 0 31 28\" width=\"31\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\"><path d=\"M10.107 2.002c-.554.683-1.14 1.611-1.758 2.783A25.379 25.379 0 0 0 6.713 8.69a30.019 30.019 0 0 0-1.098 4.516 16.033 16.033 0 0 0-.098 4.663c.944-.423 1.847-.602 2.71-.537.863.065 1.62.31 2.27.732a4.462 4.462 0 0 1 1.538 1.71c.375.715.562 1.513.562 2.392 0 1.855-.537 3.287-1.611 4.296-1.075 1.01-2.376 1.514-3.906 1.514-1.14 0-2.149-.236-3.028-.708a6.647 6.647 0 0 1-2.221-1.929c-.602-.814-1.058-1.774-1.367-2.88A13.196 13.196 0 0 1 0 18.895c0-1.27.179-2.758.537-4.467a36.568 36.568 0 0 1 1.514-5.2 37.03 37.03 0 0 1 2.343-5.102C5.306 2.482 6.314 1.106 7.421 0l2.686 2.002zm17.627 0c-.554.683-1.14 1.611-1.758 2.783A25.379 25.379 0 0 0 24.34 8.69a30.019 30.019 0 0 0-1.098 4.516 16.033 16.033 0 0 0-.098 4.663c.944-.423 1.847-.602 2.71-.537.863.065 1.62.31 2.27.732a4.462 4.462 0 0 1 1.538 1.71c.375.715.562 1.513.562 2.392 0 1.855-.537 3.287-1.611 4.296-1.075 1.01-2.377 1.514-3.906 1.514-1.14 0-2.149-.236-3.028-.708a6.647 6.647 0 0 1-2.221-1.929c-.602-.814-1.058-1.774-1.367-2.88a13.196 13.196 0 0 1-.464-3.565c0-1.27.179-2.758.537-4.467a36.568 36.568 0 0 1 1.514-5.2 37.03 37.03 0 0 1 2.343-5.102c.912-1.644 1.92-3.02 3.027-4.126l2.686 2.002z\" fill=\"#000\" fill-rule=\"evenodd\"><\/path><\/svg><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">Os principais nomes do pensamento conservador s&atilde;o inexistentes na academia brasileira<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><svg class=\"aspas-fecha\" height=\"28\" viewbox=\"0 0 31 28\" width=\"31\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\"><path d=\"M2.49 25.977c.554-.684 1.14-1.612 1.758-2.784a25.38 25.38 0 0 0 1.636-3.906 30.02 30.02 0 0 0 1.098-4.516c.26-1.58.293-3.134.098-4.664-.944.424-1.847.603-2.71.538-.863-.066-1.62-.31-2.27-.733A4.462 4.462 0 0 1 .562 8.203C.187 7.487 0 6.69 0 5.811c0-1.856.537-3.288 1.611-4.297C2.686.504 3.988 0 5.518 0c1.139 0 2.148.236 3.027.708a6.647 6.647 0 0 1 2.222 1.929c.602.814 1.058 1.774 1.367 2.88.309 1.107.464 2.295.464 3.565s-.18 2.759-.537 4.468a36.57 36.57 0 0 1-1.514 5.2 37.033 37.033 0 0 1-2.344 5.103c-.911 1.643-1.92 3.019-3.027 4.126L2.49 25.977zm17.578 0c.554-.684 1.14-1.612 1.758-2.784a25.38 25.38 0 0 0 1.636-3.906 30.02 30.02 0 0 0 1.099-4.516c.26-1.58.293-3.134.097-4.664-.944.424-1.847.603-2.71.538-.862-.066-1.62-.31-2.27-.733a4.462 4.462 0 0 1-1.538-1.709c-.375-.716-.562-1.514-.562-2.392 0-1.856.537-3.288 1.611-4.297C20.264.504 21.566 0 23.096 0c1.139 0 2.148.236 3.027.708a6.647 6.647 0 0 1 2.222 1.929c.602.814 1.058 1.774 1.367 2.88.31 1.107.464 2.295.464 3.565s-.18 2.759-.537 4.468a36.57 36.57 0 0 1-1.514 5.2 37.033 37.033 0 0 1-2.344 5.103c-.911 1.643-1.92 3.019-3.027 4.126l-2.686-2.002z\" fill=\"#000\" fill-rule=\"evenodd\"><\/path><\/svg><\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O senhor tamb&eacute;m tem uma postura muito cr&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o ao Jornalismo nesse processo. Afirma que o Jornalismo, como a academia, foi essencial para sustentar o projeto do PT. Quer dizer que, no final, a culpa de tudo que aconteceu &eacute; da Imprensa?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acredito que a Imprensa tem uma parte significativa de culpa, por ter evitado por muito tempo fazer cr&iacute;ticas mais contundentes ao PT. A cria&ccedil;&atilde;o do Foro de S&atilde;o Paulo, organizado por Lula e Fidel Castro, durante muito tempo quase n&atilde;o repercutiu na Imprensa. Basta fazer pesquisa nos arquivos dos jornais. Toda aquela liga&ccedil;&atilde;o do PT com a Venezuela, a Bol&iacute;via, o Equador, que era um projeto continental, o socialismo do s&eacute;culo 21, n&atilde;o recebeu o tratamento devido. Depois do colapso da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, eles tinham o projeto de reconquistar o terreno perdido, de fazer na Am&eacute;rica Latina uma esp&eacute;cie de nova Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. Ainda hoje todo o simbolismo &eacute; aquele simbolismo arcaico do comunismo, do imperialismo americano, &eacute; o mesmo vocabul&aacute;rio que se usava na d&eacute;cada de 1960. A&nbsp;Imprensa teve um papel muito importante em n&atilde;o tornar isso conhecido e colocar esse tema no debate p&uacute;blico. N&atilde;o estou dizendo, obviamente, que todo mundo na Imprensa &eacute; petista Agora, at&eacute; os cr&iacute;ticos do PT restringiam suas cr&iacute;ticas a alguns pontos e deixavam outras quest&otilde;es importantes de lado. Criticavam a corrup&ccedil;&atilde;o, a m&aacute; gest&atilde;o, mas n&atilde;o tratavam desse projeto em comum, do Foro de S&atilde;o Paulo, desse projeto totalit&aacute;rio. Mesmo os cr&iacute;ticos da esquerda brasileira acabam cedendo &agrave; narrativa da esquerda europeia e americana ao cobrir os acontecimentos na Europa e nos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em sua opini&atilde;o, como essa postura da Imprensa se manifesta no dia a dia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas agendas s&atilde;o tratadas como se fossem uma unanimidade. Por exemplo, o aborto. Quase toda a imprensa aborda isso como um direito das mulheres, uma evolu&ccedil;&atilde;o, e trata quem &eacute; contra como atrasado, arcaico, fundamentalista. Com as quest&otilde;es do direito ao porte de arma, da maioridade penal, acontece a mesma coisa. Nas reda&ccedil;&otilde;es, a maioria dos jornalistas &ndash; voc&ecirc; sente isso pela cobertura &ndash; &eacute; contr&aacute;ria a essas ideias. O pr&oacute;prio vocabul&aacute;rio usado no notici&aacute;rio refor&ccedil;a essa percep&ccedil;&atilde;o. Toda ideia que sai um pouco da bolha dos jornalistas &eacute; tratada de forma pejorativa. Toda a direita costuma ganhar os sufixos ultra ou extrema, mas voc&ecirc; n&atilde;o v&ecirc; quase nunca o uso do termo &ldquo;extrema esquerda&rdquo; ou &ldquo;ultraesquerdista&rdquo;. O ex-ombudsman do <em>New York Times<\/em>, Arthur Brisbane, falava que havia um progressivismo cultural nas reda&ccedil;&otilde;es dos grandes jornais americanos. N&atilde;o vejo esse tipo de autocr&iacute;tica no Brasil, com raras exce&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O senhor conta no livro que n&atilde;o apenas votou no Lula em 2002, como foi &agrave; Bras&iacute;lia, para a posse. Hoje, se diz um liberal conservador. O que o levou a essa guinada ideol&oacute;gica? Alguma decep&ccedil;&atilde;o, algum ressentimento?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram v&aacute;rias coisas que se combinaram para eu dar essa virada &agrave; direta De um lado, percebi que nunca fui de esquerda por convic&ccedil;&atilde;o. Era de esquerda porque todo mundo era, porque ser de esquerda era, digamos, como respirar. Fazia parte da cultura da minha gera&ccedil;&atilde;o. Se n&atilde;o fosse de esquerda, n&atilde;o era bem aceito nos lugares, virava praticamente um ET. Por outro lado, estudei no IFCS, o Instituto de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Sociais da UFRJ, que &eacute; um dos n&uacute;cleos da esquerda carioca h&aacute; d&eacute;cadas. Com a conviv&ecirc;ncia muito pr&oacute;xima com o pessoal de esquerda, fui percebendo uma s&eacute;rie de incongru&ecirc;ncias entre o que eles falavam e o que faziam. Eu lembro que um dos momentos em que tive de profunda vergonha de mim mesmo foi no come&ccedil;o da faculdade. Eu me vi numa situa&ccedil;&atilde;o com um grupo de militantes estudantis do PC do B e do PT, fechando a Avenida Passos, no centro do Rio de Janeiro, na hora do rush, protestando contra o FMI, e o Fernando Henrique, no governo dele. A&iacute;, eu observei o olhar descompromissado&nbsp;da popula&ccedil;&atilde;o&nbsp;que&nbsp;circulava&nbsp;na regi&atilde;o, os motoristas, o pessoal indo para o trabalho, e fiquei morrendo de vergonha. Aquilo me marcou profundamente. Eu pensei: essa manifesta&ccedil;&atilde;o aqui est&aacute; falando do povo, mas n&atilde;o do povo real e sim de uma cria&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica da pr&oacute;pria esquerda. O pessoal n&atilde;o estava preocupado com as pessoas de carne e osso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais foram os pensadores que mais influenciaram essa sua guinada &agrave; direita?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comecei a tomar contato com a literatura conservadora mais recentemente, com autores como o economista americano Thomas Sowell e o fil&oacute;sofo e cientista pol&iacute;tico alem&atilde;o Eric Voegelin, e fui me identificando com essas ideias. Vi que tinha um substrato filos&oacute;fico, te&oacute;rico, para essas coisas em que eu sempre acreditei. Sempre fui um pouco desconfiado com a ideia de tentar realizar ideias criadas em laborat&oacute;rio. O fil&oacute;sofo Olavo de Carvalho tamb&eacute;m foi muito importante para mim nesse processo, um autor que me abriu uma s&eacute;rie de refer&ecirc;ncias que n&atilde;o tive na faculdade. Os principais nomes do pensamento conservador s&atilde;o inexistentes dentro da academia brasileira. Comecei a me voltar para uma tradi&ccedil;&atilde;o mais cl&aacute;ssica e tamb&eacute;m para a filosofia medieval, escol&aacute;stica. Li bastante Santo Agostinho, que teve um impacto muito profundo em mim. Tudo isso foi sedimentando uma vis&atilde;o mais s&oacute;lida e mais consistente. Comecei a ler tamb&eacute;m muitos cr&iacute;ticos da esquerda, ex-intelectuais de esquerda, sobretudo do leste europeu. Al&eacute;m disso, &eacute; claro, teve tamb&eacute;m todo o efeito da atua&ccedil;&atilde;o da esquerda quando assumiu o poder no Brasil. Comecei a ver que era uma coisa perigosa, o aparelhamento, a mentalidade totalit&aacute;ria de lidar com a sociedade, o incha&ccedil;o do Estado, tudo isso que aconteceu no Pa&iacute;s. No fundo, essa minha virada ideol&oacute;gica foi uma redescoberta, meio que uma volta &agrave;s ideias que eu havia abandonado durante uma parte da vida para me acomodar ao ambiente que me circundava.<\/p>\n<div class=\"n--noticia__citacao\">\n<div class=\"citacao-texto\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><svg class=\"aspas-abre\" height=\"28\" viewbox=\"0 0 31 28\" width=\"31\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\"><path d=\"M10.107 2.002c-.554.683-1.14 1.611-1.758 2.783A25.379 25.379 0 0 0 6.713 8.69a30.019 30.019 0 0 0-1.098 4.516 16.033 16.033 0 0 0-.098 4.663c.944-.423 1.847-.602 2.71-.537.863.065 1.62.31 2.27.732a4.462 4.462 0 0 1 1.538 1.71c.375.715.562 1.513.562 2.392 0 1.855-.537 3.287-1.611 4.296-1.075 1.01-2.376 1.514-3.906 1.514-1.14 0-2.149-.236-3.028-.708a6.647 6.647 0 0 1-2.221-1.929c-.602-.814-1.058-1.774-1.367-2.88A13.196 13.196 0 0 1 0 18.895c0-1.27.179-2.758.537-4.467a36.568 36.568 0 0 1 1.514-5.2 37.03 37.03 0 0 1 2.343-5.102C5.306 2.482 6.314 1.106 7.421 0l2.686 2.002zm17.627 0c-.554.683-1.14 1.611-1.758 2.783A25.379 25.379 0 0 0 24.34 8.69a30.019 30.019 0 0 0-1.098 4.516 16.033 16.033 0 0 0-.098 4.663c.944-.423 1.847-.602 2.71-.537.863.065 1.62.31 2.27.732a4.462 4.462 0 0 1 1.538 1.71c.375.715.562 1.513.562 2.392 0 1.855-.537 3.287-1.611 4.296-1.075 1.01-2.377 1.514-3.906 1.514-1.14 0-2.149-.236-3.028-.708a6.647 6.647 0 0 1-2.221-1.929c-.602-.814-1.058-1.774-1.367-2.88a13.196 13.196 0 0 1-.464-3.565c0-1.27.179-2.758.537-4.467a36.568 36.568 0 0 1 1.514-5.2 37.03 37.03 0 0 1 2.343-5.102c.912-1.644 1.92-3.02 3.027-4.126l2.686 2.002z\" fill=\"#000\" fill-rule=\"evenodd\"><\/path><\/svg><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">A candidatura de Jair Bolsonaro representa os anseios de uma parte da direita brasileira<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><svg class=\"aspas-fecha\" height=\"28\" viewbox=\"0 0 31 28\" width=\"31\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\"><path d=\"M2.49 25.977c.554-.684 1.14-1.612 1.758-2.784a25.38 25.38 0 0 0 1.636-3.906 30.02 30.02 0 0 0 1.098-4.516c.26-1.58.293-3.134.098-4.664-.944.424-1.847.603-2.71.538-.863-.066-1.62-.31-2.27-.733A4.462 4.462 0 0 1 .562 8.203C.187 7.487 0 6.69 0 5.811c0-1.856.537-3.288 1.611-4.297C2.686.504 3.988 0 5.518 0c1.139 0 2.148.236 3.027.708a6.647 6.647 0 0 1 2.222 1.929c.602.814 1.058 1.774 1.367 2.88.309 1.107.464 2.295.464 3.565s-.18 2.759-.537 4.468a36.57 36.57 0 0 1-1.514 5.2 37.033 37.033 0 0 1-2.344 5.103c-.911 1.643-1.92 3.019-3.027 4.126L2.49 25.977zm17.578 0c.554-.684 1.14-1.612 1.758-2.784a25.38 25.38 0 0 0 1.636-3.906 30.02 30.02 0 0 0 1.099-4.516c.26-1.58.293-3.134.097-4.664-.944.424-1.847.603-2.71.538-.862-.066-1.62-.31-2.27-.733a4.462 4.462 0 0 1-1.538-1.709c-.375-.716-.562-1.514-.562-2.392 0-1.856.537-3.288 1.611-4.297C20.264.504 21.566 0 23.096 0c1.139 0 2.148.236 3.027.708a6.647 6.647 0 0 1 2.222 1.929c.602.814 1.058 1.774 1.367 2.88.31 1.107.464 2.295.464 3.565s-.18 2.759-.537 4.468a36.57 36.57 0 0 1-1.514 5.2 37.033 37.033 0 0 1-2.344 5.103c-.911 1.643-1.92 3.019-3.027 4.126l-2.686-2.002z\" fill=\"#000\" fill-rule=\"evenodd\"><\/path><\/svg><\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O senhor afirma que o Olavo de Carvalho foi um dos te&oacute;ricos que marcaram o seu pensamento. Ele j&aacute; se declarou v&aacute;rias vezes a favor da candidatura do deputado Jair Bolsonaro &agrave; presid&ecirc;ncia em 2018. O senhor concorda com ele?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O debate de nomes agora &eacute; muito prematuro. Mas acho que o Jair Bolsonaro representa uma parte das pessoas que se levantaram contra a esquerda durante esse per&iacute;odo. &Eacute; uma candidatura leg&iacute;tima, que representa os anseios de uma parte da direita brasileira, que n&atilde;o est&atilde;o sendo correspondidos pela estrutura pol&iacute;tica do Pa&iacute;s, que n&atilde;o vinham tendo canais de express&atilde;o. Mas prefiro n&atilde;o entrar em discuss&otilde;es eleitorais no momento. Falta um ano ainda para as elei&ccedil;&otilde;es e precisamos ver se esses nomes que est&atilde;o surgindo agora v&atilde;o se efetivar, quais partidos ter&atilde;o candidatos. Acredito que &eacute; o momento de discutir a pol&iacute;tica no sentido mais amplo, quest&otilde;es sociais mais profundas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na economia, as declara&ccedil;&otilde;es de Bolsonaro mostram que as ideias dele s&atilde;o muito pr&oacute;ximas das que o PT, o Lula e a Dilma defendem, como uma interven&ccedil;&atilde;o estatal muito forte na economia, aquela coisa do &ldquo;Brasil grande&rdquo; do Geisel. Como algu&eacute;m que se diz liberal-conservador pode apoi&aacute;-lo, com essa plataforma econ&ocirc;mica?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais uma vez, prefiro n&atilde;o entrar nessa discuss&atilde;o agora. Acho que n&atilde;o tem muito a ver com as quest&otilde;es mais duradouras de que trato no livro. A pr&oacute;pria economia deve ser vista dentro de um contexto cultural. O Brasil tem muitos problemas a resolver antes de a gente discutir programas econ&ocirc;micos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O senhor diz que o livro foi a sua &ldquo;carta de alforria&rdquo;. Por qu&ecirc;?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estou me referindo especificamente &agrave; linguagem da academia. Durante mais de 11 anos, eu me viciei pelo falso rigor, cheio de jarg&otilde;es e tecnicismos que predomina na academia, distante da linguagem culta e da boa escrita. O livro &eacute; uma esp&eacute;cie de liberta&ccedil;&atilde;o dessas amarras, onde eu pude me expressar como quis, de forma mais compreens&iacute;vel, sem ficar preso &agrave;s etiquetas acad&ecirc;micas. Olhar para quem est&aacute; fora da academia, n&atilde;o significa rebaixar a linguagem, mas falar linguagem culta comum, que as pessoas letradas v&atilde;o entender.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" class=\"alignnone size-medium wp-image-39158\" height=\"385\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/1504303102146-259x385.jpg\" width=\"259\" \/><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<strong>A Corrup&ccedil;&atilde;o da Intelig&ecirc;ncia<\/strong><\/p>\n<p>Autor:&nbsp;Flavio Gordon<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<strong>Editora:&nbsp;<\/strong>Record<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t364 p&aacute;ginas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\"><strong>Temos dito&#8230;<\/strong><\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/section><\/div>\n<\/section><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a dwhelper-border=\"\" dwhelper-display=\"\" href=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/GVLIMA-298-48x74.jpg\" rel=\"nofollow\" style=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"gvlima15_jpg\" class=\"alignnone size-full wp-image-4034\" height=\"74\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/GVLIMA-298-48x74.jpg\" title=\"Gilvan VANDERLEI\" width=\"48\" \/><\/a><br \/>\n\t<span style=\"font-size: 11px;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">Postado por <strong>Gilvan VANDERLEI<\/strong><br \/>\n\tEx-Cabo da FAB &ndash; Atingido pela Portaria 1.104GM3\/64<br \/>\n\tE-mail <a href=\"mailto:gvlima@terra.com.br\" rel=\"nofollow\">gvlima@terra.com.br<\/a><\/span> <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para Flavio Gordon, a intelig&ecirc;ncia de esquerda, que apoia o PT, tamb&eacute;m deveria responder pela corrup&ccedil;&atilde;o ocorrida nos governos petistas<\/p>\n","protected":false},"author":283,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[18],"tags":[],"class_list":["post-39147","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-postagem-2017"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39147","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/283"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39147"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39147\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39159,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39147\/revisions\/39159"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39147"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39147"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39147"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}