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{"id":36311,"date":"2017-03-01T17:50:13","date_gmt":"2017-03-01T20:50:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/?p=36311"},"modified":"2017-03-01T20:07:50","modified_gmt":"2017-03-01T23:07:50","slug":"tmld-artigo-direito-dos-cabos-a-concessao-de-anistia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/2017\/03\/tmld-artigo-direito-dos-cabos-a-concessao-de-anistia\/","title":{"rendered":"TMLD &#8211; Artigo: Direito dos Cabos \u00e0 Concess\u00e3o de Anistia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" class=\"aligncenter size-full wp-image-36313\" height=\"263\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Ministerio-da-Justica-interino-Jos\u00e9-Levi-do-Amaral-395x238.jpeg\" width=\"395\" srcset=\"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Ministerio-da-Justica-interino-Jos\u00e9-Levi-do-Amaral-395x238.jpeg 395w, https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Ministerio-da-Justica-interino-Jos\u00e9-Levi-do-Amaral-395x238-385x256.jpeg 385w\" sizes=\"auto, (max-width: 395px) 100vw, 395px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size:16px;\"><span style=\"font-family: comic sans ms,cursive;\"><strong>O Direito dos Cabos &agrave; Concess&atilde;o de Anistia Pol&iacute;tica e Repara&ccedil;&atilde;o Econ&ocirc;mica &#8211; Artigo analisa o erro do Ministro Interino da Justi&ccedil;a &#8211; Jos&eacute; Levi Mello do Amaral, ao indeferir a anistia dos ex-Cabos da FAB. <\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"437\" height=\"115\" alt=\"\" class=\"alignnone size-full wp-image-35943\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Artigos5.jpg\" style=\"width: 300px; height: 79px;\" srcset=\"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Artigos5.jpg 437w, https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Artigos5-385x101.jpg 385w\" sizes=\"auto, (max-width: 437px) 100vw, 437px\" \/><\/p>\n<p><strong>De:<\/strong> Marcelo Torre&atilde;o [mailto:torreao@tmld.com.br]<br \/>\n\t<strong>Enviada em:<\/strong> quarta-feira, 1 de mar&ccedil;o de 2017 17:40<br \/>\n\t<strong>Para:<\/strong> &#39;OJSF iG&#39; &lt;ojsf@ig.com.br&gt;; (&#8230;); asane2002@gmail.com; (&#8230;)<br \/>\n\t<strong>Cc:<\/strong> GVLima@terra.com.br; (&#8230;)<br \/>\n\t<strong>Assunto:<\/strong> Artigo: Direito dos Cabos &agrave; Concess&atilde;o de Anistia<\/p>\n<p>Segue abaixo artigo que <strong>analisa o erro<\/strong> do Ministro Interino da Justi&ccedil;a ao indeferir a anistia dos ex-Cabos da FAB.<\/p>\n<p>Att.,<\/p>\n<p>por Marcelo Pires Torre&atilde;o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"385\" height=\"192\" alt=\"\" class=\"alignnone size-medium wp-image-35063\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/logo-tmld-385x192.png\" style=\"width: 250px; height: 125px;\" srcset=\"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/logo-tmld-385x192.png 385w, https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/logo-tmld-450x225.png 450w, https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/logo-tmld.png 823w\" sizes=\"auto, (max-width: 385px) 100vw, 385px\" \/><br \/>\n\t<span style=\"font-size:11px;\">SHIS QL 10 Conjunto 5 Casa 13. Bras&iacute;lia &#8211; DF. CEP 71630-055<br \/>\n\tTelefone: +55 (61) 3367-1733&nbsp;&nbsp; <a href=\"mailto:contato@tmld.com.br\">contato@tmld.com.br<\/a><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size:14px;\">PUBLICA&Ccedil;&Otilde;ES<br \/>\n\tO Direito dos Cabos &agrave; Concess&atilde;o de Anistia Pol&iacute;tica e Repara&ccedil;&atilde;o Econ&ocirc;mica<\/span><\/strong><br \/>\n\t<small>01\/03\/2017 &#8211; Artigo<\/small><br \/>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size:16px;\"><span style=\"font-family: comic sans ms,cursive;\">O Direito dos Cabos &agrave; Concess&atilde;o de Anistia Pol&iacute;tica e Repara&ccedil;&atilde;o Econ&ocirc;mica<\/span><\/span><\/p>\n<p>Marcelo Pires Torre&atilde;o e Daniel Fernandes Machado<span style=\"font-size:14px;\"><strong>*<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 24\/02\/2017, foram publicados cinquenta indeferimentos de pedidos de anistia, formulados por antigos Cabos que serviram a For&ccedil;a A&eacute;rea Brasileira durante o per&iacute;odo do regime militar (p&aacute;ginas 60 a 62 do Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o). Esses cabos ingressaram nas For&ccedil;as Armadas antes de 12\/10\/1964 e foram licenciados de forma abrupta com base na Portaria n&ordm; 1.104\/64 da mesma data, considerado ato de exce&ccedil;&atilde;o de natureza pol&iacute;tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas as portarias de indeferimento foram assinadas pelo Ministro Interino da Justi&ccedil;a e Seguran&ccedil;a P&uacute;blica, respons&aacute;vel pela pasta at&eacute; que seja nomeado o titular desse cargo. Esses resultados chamam aten&ccedil;&atilde;o, pois a Comiss&atilde;o de Anistia havia proferido ac&oacute;rd&atilde;os favor&aacute;veis aos respectivos pedidos. Em regra, ap&oacute;s parecer favor&aacute;vel da Comiss&atilde;o de Anistia, o Ministro de Estado da Justi&ccedil;a concede a repara&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica (art. 3&ordm;, par&aacute;grafo &uacute;nico, da Lei 10.559\/02).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo disposi&ccedil;&atilde;o legal, cabe ao Ministro da Justi&ccedil;a a decis&atilde;o final quanto aos pedidos de anistia (art. 10 da Lei 10.559\/02). Na mesma lei, est&aacute; prevista a compet&ecirc;ncia da Comiss&atilde;o de Anistia para examinar todos os requerimentos administrativos mediante a realiza&ccedil;&atilde;o de dilig&ecirc;ncias, aferi&ccedil;&atilde;o de provas, requisi&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es, an&aacute;lise de documentos, oitiva de testemunhas, emiss&atilde;o de pareceres t&eacute;cnicos e arbitramento dos valores de indeniza&ccedil;&atilde;o (art. 12 e par&aacute;grafos da Lei 10.559\/02).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dito de outro modo, em se tratando de requerimentos de anistia pol&iacute;tica, a &uacute;ltima palavra &eacute; do Ministro da Justi&ccedil;a, mas todas as demais s&atilde;o da Comiss&atilde;o de Anistia. Portanto, n&atilde;o pode o Ministro da Justi&ccedil;a simplesmente impor a preval&ecirc;ncia de seu entendimento pessoal sobre a orienta&ccedil;&atilde;o adotada pelo colegiado da Comiss&atilde;o de Anistia, a menos que o fa&ccedil;a com base em substancial amparo jur&iacute;dico que o autorize a adotar essa solu&ccedil;&atilde;o divergente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N&atilde;o foi o que aconteceu nos casos aqui analisados. Na verdade, para tentar justificar a utiliza&ccedil;&atilde;o de entendimento contr&aacute;rio &agrave;quele recomendado pela Comiss&atilde;o de Anistia, o Ministro da Justi&ccedil;a utilizou um antigo parecer da AGU (Parecer 106\/2010\/DECOR\/CGU\/AGU). Esse parecer apenas expressa o entendimento da Advocacia Geral da Uni&atilde;o, naquele espec&iacute;fico momento, no sentido de que o licenciamento dos Cabos da For&ccedil;a A&eacute;rea Brasileira n&atilde;o teria car&aacute;ter pol&iacute;tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, a AGU n&atilde;o &eacute; o &oacute;rg&atilde;o respons&aacute;vel por analisar os pedidos de anistia pol&iacute;tica. Como visto acima, essa responsabilidade recai sobre a Comiss&atilde;o de Anistia, que possui a incumb&ecirc;ncia legal de assessorar o Ministro de Estado da Justi&ccedil;a nos assuntos relacionados aos pedidos de anistia pol&iacute;tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, a Comiss&atilde;o de Anistia possui s&oacute;lida convic&ccedil;&atilde;o quanto &agrave; persegui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica perpetrada contra os antigos cabos. Esse entendimento foi adotado ap&oacute;s a an&aacute;lise de v&aacute;rios documentos sigilosos da Aeron&aacute;utica. Tais documentos demonstraram que a c&uacute;pula da For&ccedil;a A&eacute;rea Brasileira estava convencida do car&aacute;ter subversivo dos cabos e elaborou um plano para expuls&aacute;-los, concretizado com a edi&ccedil;&atilde;o da Portaria 1.104\/64. Essa convic&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o de Anistia est&aacute; estampada na vigente S&uacute;mula Administrativa 2002.07.0003, que disp&otilde;e o seguinte:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">&ldquo;A Portaria n.&ordm; 1.104, de 12 de outubro de 1964, expedida pelo Senhor Ministro de Estado da Aeron&aacute;utica, &eacute; ato de exce&ccedil;&atilde;o, de natureza exclusivamente pol&iacute;tica&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por meio do Of&iacute;cio n&ordm; 678\/2008 enviado ao Tribunal de Contas da Uni&atilde;o, o ilustre Presidente da Comiss&atilde;o de Anistia &agrave; &eacute;poca, Paulo Abra&atilde;o, defendeu a legalidade das anistias concedidas aos cabos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">&ldquo;10. Os mencionados deferimentos de pedidos de anistia referem-se a um grupo determinado de pessoas cujos atos arbitr&aacute;rios do governo, calcados em motiva&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, explicitam o direito &agrave; anistia de forma clara e objetiva. Neste contexto, fa&ccedil;o refer&ecirc;ncia ao texto de Abelardo Jurema, publicado no &lsquo;O Cruzeiro&rsquo; de 04 de julho de 1964, onde o ex-Ministro da Justi&ccedil;a narra as turbul&ecirc;ncias e crises dos &uacute;ltimos dias do Governo &lsquo;Jango&rsquo;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">11. No texto, o autor deixa claro a agita&ccedil;&atilde;o social e militar que se instalara nos &uacute;ltimos dias de mar&ccedil;o, com as dificuldades encontradas pelas For&ccedil;as Armadas, onde os oficiais eram reformistas, e os pra&ccedil;as firmavam apoio a legalidade e a &lsquo;Jango&rsquo;, e mostra a sucess&atilde;o de acontecimentos e decis&otilde;es que levaram a perda do equil&iacute;brio no poder, e ao golpe de abril.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">12. Neste interim, o que melhor e mais notoriamente representa a repress&atilde;o pol&iacute;tica dentro das armas s&atilde;o os atos da Marinha (em especial a exposi&ccedil;&atilde;o de motivos n&ordm; 138), que visava reprimir a rebeli&atilde;o ocorrida no Sindicato dos Metal&uacute;rgicos, que envolvia a participa&ccedil;&atilde;o de civis e militares da Marinha, e posteriormente o controle de diversos navios da Armada, e que se consagrou com o ato de baixar armas dos fuzileiros &lsquo;recrutados&rsquo; para controlar o &lsquo;motim&rsquo;, e na necessidade de uso das tropas do Ex&eacute;rcito para repress&atilde;o da manifesta&ccedil;&atilde;o que j&aacute; durava tr&ecirc;s dias.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">13. Nessa ocasi&atilde;o, a Marinha, optou por banir de seus quadros todos os militares envolvidos na rebeli&atilde;o, direta ou indiretamente, e com qualquer grau de participa&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">14. A Aeron&aacute;utica, embora sem participa&ccedil;&atilde;o militar direta nos fatos ocorridos nos dias 26, 27 e 28 de mar&ccedil;o de 1964, mas ante os acontecimentos, tamb&eacute;m procedeu a uma investiga&ccedil;&atilde;o em seus quadros. Tal investiga&ccedil;&atilde;o resultou no afastamento pontual dos apontados na Portaria n&ordm; 1.103 e agiu, de forma preventiva, com rela&ccedil;&atilde;o aos cabos da Portaria n&ordm; 1.104.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">15. Assim, a motiva&ccedil;&atilde;o exclusivamente pol&iacute;tica do licenciamento de diversos militares da For&ccedil;a A&eacute;rea Brasileira encontra-se na edi&ccedil;&atilde;o de algumas normas do per&iacute;odo, considerando os fatos da &eacute;poca, tinham como motor a persegui&ccedil;&atilde;o daqueles considerados suspeitos de pr&aacute;ticas revolucion&aacute;rias dentro da Aeron&aacute;utica, onde principalmente os Cabos se organizavam em institui&ccedil;&otilde;es, as quais a de maior notoriedade foi a ACAFAB &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o dos Cabos da For&ccedil;a A&eacute;rea Brasileira.&rdquo;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an&aacute;lise feita pelo Presidente da Comiss&atilde;o de Anistia foi corroborada pela Nota AGU\/CGU\/ASMG n.&ordm; 01\/2011. Veja-se, portanto, que a mesma Advocacia Geral da Uni&atilde;o concordou com o car&aacute;ter pol&iacute;tico da persegui&ccedil;&atilde;o cometida contra os antigos cabos da FAB, conforme se verifica abaixo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">&ldquo;13. &Eacute; ineg&aacute;vel que a Portaria n&ordm; 1.104-GM3, de 1964, do Ministro da Aeron&aacute;utica, tivesse explicitado pesad&iacute;ssima motiva&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. A deposi&ccedil;&atilde;o do Governo Jo&atilde;o Goulart, por parte das For&ccedil;as Armadas, ensejou movimenta&ccedil;&atilde;o que redundou no afastamento daqueles que eram identificados com o regime deposto. O ide&aacute;rio que oxigenou o movimento de 1964 radicava no movimento tenentista da d&eacute;cada de 1920, especialmente no que se refere aos epis&oacute;dios da revolta do Forte de Copacabana, bem como na Revolu&ccedil;&atilde;o Paulista de 1924.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">14. O aludido ide&aacute;rio fora de certa forma retomado por alguns setores que apoiaram o movimento de 1930, ressurgiu, com muita for&ccedil;a, ao longo dos 206 dias de mandato do Governo J&acirc;nio Quadros, realizando-se, plenamente, em 1964, inclusive com o apoio de governos civis (refiro-me a Carlos Lacerda e a Ademar de Barros, contra os quais posteriormente se voltou, bem como a Magalh&atilde;es Pinto).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">15. Por isso, os focos de insurrei&ccedil;&atilde;o, supostamente identificados com o regime deposto, foram objeto de intensa persegui&ccedil;&atilde;o. Os cabos amotinados no Rio de Janeiro, bem como os que tomaram o Aeroporto de Bras&iacute;lia, por exemplo, teriam sido alvos da Portaria n&ordm; 1.104-GM3, de 1964, do Ministro da Aeron&aacute;utica.&rdquo;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A preocupa&ccedil;&atilde;o da Aeron&aacute;utica com a mobiliza&ccedil;&atilde;o dos cabos foi exposta em expedientes reservados. A motiva&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da persegui&ccedil;&atilde;o aos cabos &eacute; objeto do Of&iacute;cio Reservado n&ordm; 04, de setembro de 1964, editado pelo Estado-Maior da Aeron&aacute;utica, em que se consignou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\"><strong>&ldquo;<\/strong>V&aacute;rios dos fatores anteriormente relacionados explicam at&eacute; a recente tentativa de muitos em organizarem-se em Associa&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter civil, para assim pleitearem, mais ao abrigo de san&ccedil;&otilde;es disciplinares, os benef&iacute;cios legais que almejam valendo-se por instinto de pol&iacute;ticos. Nesse caso ao mesmo tempo em que pleiteiam favores, ficam sujeitos &agrave; explora&ccedil;&atilde;o de demagogos ou agitadores que pretendem cavar dissen&ccedil;&otilde;es nas For&ccedil;as Armadas, com incitamentos direitos ou indiretos &agrave; indisciplina para imobilizarem a a&ccedil;&atilde;o dos chefes militares ou atrasarem-na, enquanto manobram para a posse do Poder.&rdquo;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se pode observar, o Comando da Aeron&aacute;utica temia o potencial subversivo do movimento dos cabos e, por esse motivo, engendrou a persegui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica &agrave; categoria, especialmente por meio da exclus&atilde;o ou licenciamento dos cabos de suas fileiras. Mais um expediente reservado, o Boletim n.&ordm; 21, de maio de 1965, evidencia de forma ainda mais clara a persegui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica &agrave; categoria dos cabos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&ldquo;<\/em><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">Em Of&iacute;cio Reservado n&ordm; 014\/GM-2\/S-070\/R, de 09 de abril de 1965, o Excelent&iacute;ssimo Senhor Chefe do Gabinete do Ministro, remeteu c&oacute;pia a esta Diretoria, dos autos do Inqu&eacute;rito Policial Militar instaurado na ACAFAB, do qual foi encarregado inicialmente o CapAv &ndash; Marialdo Rodrigues Moreira, e posteriormente o Excelent&iacute;ssimo Senhor Marechal do Ar R\/1 &ndash; Hugo da Cunha Machado, para apurar atividades subversivas, a fim de ser feita a publica&ccedil;&atilde;o em Boletim Reservado desta Diretoria, da Solu&ccedil;&atilde;o dada no referido Inqu&eacute;rito, pelo Excelent&iacute;ssimo Senhor Ministro da Aeron&aacute;utica;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">Neste Inqu&eacute;rito Policial Militar, instaurado por solicita&ccedil;&atilde;o do Comando da Base A&eacute;rea de Santa Cruz, foram apuradas as atividades subversivas da entidade denominada &lsquo;Associa&ccedil;&atilde;o dos Cabos da For&ccedil;a A&eacute;rea Brasileira&rsquo; (ACAFAB). Os fatos apurados atestam que a entidade: foi criada sem autoriza&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Aeron&aacute;utica; vem utilizando indevidamente o nome da For&ccedil;a A&eacute;rea Brasileira; que sua Diretoria tomava parte ativa em reuni&otilde;es em atividades subversivas; que desenvolvia atividades il&iacute;citas, contr&aacute;rias ao bem p&uacute;blico e a pr&oacute;pria seguran&ccedil;a nacional; que, atrav&eacute;s de reuni&otilde;es subversivas na entidade era tramada a deposi&ccedil;&atilde;o de ex-Presidente da Rep&uacute;blica e seguidas, in totem, as teses contr&aacute;rias ao regime, do ent&atilde;o Deputado Leonel Brizola; que teve participa&ccedil;&atilde;o direta nos acontecimentos subversivos, que foram levados a efeito no Sindicato dos Metal&uacute;rgicos; &lsquo;A Associa&ccedil;&atilde;o dos Cabos da For&ccedil;a A&eacute;rea Brasileira&rsquo;, registrada sob esse t&iacute;tulo, contrariando as Autoridades do Minist&eacute;rio da Aeron&aacute;utica, dever&aacute; ter seu registro, como pessoa jur&iacute;dica, cassado mediante A&Ccedil;&Atilde;O JUDICIAL INTENTADA pelo Minist&eacute;rio da Aeron&aacute;utica; uma vez que essa denomina&ccedil;&atilde;o &ndash; &lsquo;DE CABOS DA FOR&Ccedil;A A&Eacute;REA BRASILEIRA&rsquo; &ndash; envolve o nome da corpora&ccedil;&atilde;o e se presta a explora&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas. &Eacute; recomend&aacute;vel que sejam tomadas medidas para prevenir que se organizem outras entidades, de car&aacute;ter tendencioso como a &lsquo;ACAFAB&rsquo; e a &lsquo;CASA DOS CABOS DA AERON&Aacute;UTICA DE S&Atilde;O PAULO&rsquo;, associa&ccedil;&atilde;o de car&aacute;ter civil organizada por graduados da For&ccedil;a A&eacute;rea Brasileira, que devem ser mantidas sob vigil&acirc;ncia para evitar que se degenerem. Tendo ficado evidenciada no decorrer deste IPM a pr&aacute;tica de transgress&otilde;es disciplinares, face ao relat&oacute;rio fls. 574, usque 584, resolvo:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">1&ordm;) Aplicar a puni&ccedil;&atilde;o de expuls&atilde;o aos seguintes Cabos: (&hellip;);<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">Ainda, imponho a pena disciplinar de 30 (trinta) dias de pris&atilde;o aos militares abaixo discriminados (&hellip; )<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">Determino, outrossim, a Diretoria Geral do Pessoal da Aeron&aacute;utica que atente com especial cautela para a conduta dos Cabos, cujos nomes constam das rela&ccedil;&otilde;es de fls. 35, 122 a 124, 126 a 140, 364 a 365, os seguintes (&hellip; );<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">Que o engajamento ou reengajamento, objeto de exame cuidadoso, primordialmente no que se relaciona com o comportamento militar e civil;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">Tamb&eacute;m atendendo, ao sugerido no relat&oacute;rio de fls. 574, RESOLVO, proibir, expressamente, sejam feitos, em folhas de pagamento, desconto em favor DA ASSOCIA&Ccedil;&Atilde;O DOS CABOS DA FOR&Ccedil;A A&Eacute;REA BRASILEIRA, da Casa dos Cabos da Aeron&aacute;utica de S&atilde;o Paulo e de quaisquer outras associa&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter civil, organizadas por Cabos pertencentes &agrave; Aeron&aacute;utica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">RESOLVO, ainda sejam expedidos avisos, comunica&ccedil;&otilde;es, r&aacute;dios ou circulares a todas &agrave;s Unidades do Minist&eacute;rio da Aeron&aacute;utica, cientificando-as da decis&atilde;o acima adotada;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">Outrossim, DETERMINO aos Senhores Comandantes de Unidades procedam ao fechamento sum&aacute;rio e imediato de todas as sucursais da denominada Associa&ccedil;&atilde;o dos Cabos da For&ccedil;a A&eacute;rea Brasileira, que, porventura, ainda estejam em atividades.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">Tamb&eacute;m, resolvo sejam pedidos informa&ccedil;&otilde;es ao Excelent&iacute;ssimo Senhor Comandante da 4&ordf; Zona A&eacute;rea respeito das atividades da denominada &lsquo;CASA DOS CABOS DA AERON&Aacute;UTICA DE S&Atilde;O PAULO&rsquo;, devendo ser ao meu Gabinete remetidos Estatutos e relatados todos os fatos atinentes &agrave; mesma.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">Ainda, a &lsquo;ASSOCIA&Ccedil;&Atilde;O DOS CABOS DA FOR&Ccedil;A A&Eacute;REA BRASILEIRA&rsquo;, j&aacute; tendo suas atividades suspensas por seis meses, pelo Decreto Presidencial n&ordm; 55.629, publicado no Di&aacute;rio Oficial de 28 de janeiro de 1965, deve, face &agrave; sua periculosidade, ser extinta, como o foi sua cong&ecirc;nere ASSOCIA&Ccedil;&Atilde;O DOS CABOS E MARINHEIROS. A extin&ccedil;&atilde;o completar&aacute; a s&eacute;rie de medidas adotadas pelas autoridades federais para erradicar do meio social e sobre tudo das classes militares os organismos subversivos;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">Imp&otilde;e-se a medida contra a &lsquo;ASSOCIA&Ccedil;&Atilde;O DOS CABOS DA FOR&Ccedil;A A&Eacute;REA BRASILEIRA&rsquo;, que, valendo-se das garantias constitucionais que asseguram a liberdade de associa&ccedil;&atilde;o de palavra, de imprensa e das demais que caracterizam o regime democr&aacute;tico em que vivemos, pretendeu fazer letra morta das disposi&ccedil;&otilde;es que condicionam tais liberdades a licitude das suas finalidades.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">Pedido imediato ser&aacute; encaminhado ao Excelent&iacute;ssimo Senhor Ministro da Justi&ccedil;a, a fim de que seja extinta, no judici&aacute;rio, a &lsquo;Associa&ccedil;&atilde;o dos Cabos da For&ccedil;a A&eacute;rea Brasileira&rsquo;, na forma prevista pelo artigo 670 do C&oacute;digo de Processo Civil e artigo 2&ordm; e 6&deg; do Decreto-Lei 9.085 de 25 de mar&ccedil;o de 1946;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">Solicito, tamb&eacute;m, que os Senhores Comandantes da For&ccedil;a A&eacute;rea Brasileira esclare&ccedil;am com brevidade se outras entidades de cabos da For&ccedil;a A&eacute;rea Brasileira t&ecirc;m presentemente atividade;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">Remetam-se c&oacute;pias dos relat&oacute;rios de fls. 574 e fls. 584, e da presente solu&ccedil;&atilde;o a Comiss&atilde;o Geral de Investiga&ccedil;&otilde;es;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">Envie-se este IPM na observ&acirc;ncia do Par&aacute;grafo 1&ordm; do artigo 117 do C&oacute;digo de Justi&ccedil;a Militar &agrave; Diretoria Geral do Pessoal da Aeron&aacute;utica, para que providencie a respeito de todas as determina&ccedil;&otilde;es ora feitas e para que promova a efetiva&ccedil;&atilde;o das puni&ccedil;&otilde;es disciplinares;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">Recomendo, ainda, que a Diretoria Geral do Pessoal da Aeron&aacute;utica ponha em execu&ccedil;&atilde;o todas as ordens ora expedidas, apresentando com toda a brevidade sugest&otilde;es para Avisos, ou outras medidas, caso sejam necess&aacute;rios e imprescind&iacute;veis;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">Publique-se a presente solu&ccedil;&atilde;o em Boletim Reservado &ndash; Rio de Janeiro, GB, 09 de abril de 1965 &ndash; Eduardo Gomes &ndash; Ministro da Aeron&aacute;utica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">Em consequ&ecirc;ncia todas Organiza&ccedil;&otilde;es da FAB, de modo geral, tomem conhecimento e as provid&ecirc;ncias que lhes competirem e, mais particularmente, o Excelent&iacute;ssimo Senhor Comandante da 4&deg; Zona A&eacute;rea para a provid&ecirc;ncia da 6&ordf; recomenda&ccedil;&atilde;o acima transcrita, bem como demais Organiza&ccedil;&otilde;es para a 8&deg; recomenda&ccedil;&atilde;o, fazendo transitar as informa&ccedil;&otilde;es atrav&eacute;s desta Diretoria.&rdquo;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa forma, infere-se que o Of&iacute;cio Reservado n&ordm; 04 e o Boletim Reservado n&ordm; 21 n&atilde;o deixam d&uacute;vidas sobre a motiva&ccedil;&atilde;o exclusivamente pol&iacute;tica nas expuls&otilde;es, desligamentos e licenciamentos <em>ex officio<\/em> de cabos. A motiva&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da Aeron&aacute;utica resultou na edi&ccedil;&atilde;o das Portarias n&ordm; 1.103 e 1.104, entre outros atos de persegui&ccedil;&atilde;o. A Portaria n&ordm; 1.103\/64 determinou o afastamento de 11 cabos identificados como os l&iacute;deres do movimento subversivo no &acirc;mbito da FAB.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por&eacute;m, o Comando da Aeron&aacute;utica n&atilde;o se contentou com a persegui&ccedil;&atilde;o aos l&iacute;deres dos cabos. A persegui&ccedil;&atilde;o foi estendida a toda a categoria por meio da edi&ccedil;&atilde;o da Portaria n&ordm; 1.104\/64. A esse respeito, vale mais uma vez citar o Of&iacute;cio n&ordm; 678\/2008 do Presidente da Comiss&atilde;o de Anistia:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">&ldquo;25. Assim, n&atilde;o se pode deixar de ressaltar que as atividades exercidas pela Associa&ccedil;&atilde;o dos Cabos da For&ccedil;a A&eacute;rea Brasileira &ndash; ACAFAB, sem d&uacute;vida, representaram um grande obst&aacute;culo &agrave;s autoridades militares golpistas, conforme se comprova pelos of&iacute;cios reservados citados acima, e em consequ&ecirc;ncia a esta constata&ccedil;&atilde;o a edi&ccedil;&atilde;o de uma norma (de estrutura formal, que apresentava em seu bojo amplos poderes de liberalidade o que lhe afastou o car&aacute;ter discricion&aacute;rio) que desmobilizasse essa classe militar, foi certamente a op&ccedil;&atilde;o considerada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">26. Todavia, diferentemente da Marinha, que apenas identificou e excluiu cada um dos envolvidos, a Aeron&aacute;utica optou pela tomada de duas medidas, uma punitiva, desligando aqueles que conseguiu nominar como envolvidos no inqu&eacute;rito &lsquo;ACAFAB&rsquo; &ndash; Portaria n&ordm; 1.103, e uma preventiva, que evitava que mesmo futuramente, a mobiliza&ccedil;&atilde;o de cabos eclodisse em movimentos considerados subversivos, pois ainda havia descontentamento dentro da corpora&ccedil;&atilde;o da FAB com os acontecimentos pol&iacute;ticos do pa&iacute;s &ndash; Portaria n&ordm; 1.104\/64.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">27. Foi ent&atilde;o, considerando esta din&acirc;mica preventiva, por ato administrativo foi revogada a Portaria n&deg; 570\/GM3, de 23 de novembro de 1954. O prop&oacute;sito da inova&ccedil;&atilde;o era desligar os pra&ccedil;as da FAB que depois de sucessivos reengajamentos j&aacute; dominavam sua din&acirc;mica institucional, detendo bom tr&acirc;nsito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">28. Diante da impossibilidade de desligamento sum&aacute;rio e instant&acirc;neo de todo o pessoal indiretamente envolvido com os fatos j&aacute; narrados, eis que tal medida paralisaria a Aeron&aacute;utica por se tratar de uma imensa massa de trabalho, e considerando o impeditivo legal de desligamentos daqueles que prestassem servi&ccedil;o h&aacute; mais de dez anos, pois adquiririam &lsquo;estabilidade&rsquo;, optou-se pelo desligamento administrativo daqueles que, na gradua&ccedil;&atilde;o de Cabo, viessem a completar 8 (oito) anos de servi&ccedil;o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">29. Isso viabilizaria o afastamento gradual de todos os envolvidos direta ou indiretamente com o ocorrido em Mar&ccedil;o\/Abril de 1964, e por consequ&ecirc;ncia evitaria a forma&ccedil;&atilde;o de novos movimentos que pudessem subverter a ordem dentro e fora da caserna.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">30. Saliente-se que a ado&ccedil;&atilde;o de regras de transi&ccedil;&atilde;o para evitar o desligamento sum&aacute;rio, foi objeto de preocupa&ccedil;&atilde;o do Grupo de Trabalho constitu&iacute;do pela Portaria n&ordm; 16, de 14 de janeiro de 1964, estudo este ignorado pelas autoridades militares quando das determina&ccedil;&otilde;es inseridas no Boletim Reservado n&ordm; 21, culminada com a edi&ccedil;&atilde;o da Portaria n&ordm; 1.104.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">31. Sob este contexto, foi elaborada a Portaria n&ordm; 1.104\/64, um dos elementos do conjunto de atos procedimentais realizados pela For&ccedil;a Singular, para operacionalizar o afastamento de todos aqueles aos quais n&atilde;o se conseguiu atingir por meio do inqu&eacute;rito policial que culminou na Portaria n&deg; 1.103\/64, de forma nominativa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">32. Assim, ainda que alguns cabos n&atilde;o tenham participado ativamente nos acontecimentos que geraram a suspens&atilde;o da ACAFAB pelo fato de servirem em outras Organiza&ccedil;&otilde;es Militares, n&atilde;o se pode negar o descr&eacute;dito militar da classe\/gradua&ccedil;&atilde;o de cabos perante a For&ccedil;a A&eacute;rea Brasileira, cujo receio quanto a novas intimida&ccedil;&otilde;es revolucion&aacute;rias deu origem a um ordenamento criado para atingir o grupo especificamente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">33. Assim, ao mesmo passo em que a Marinha e o Ex&eacute;rcito utilizaram-se dos Servi&ccedil;os de Intelig&ecirc;ncia para identificar e punir os subversivos dos seus quadros, a Aeron&aacute;utica utilizou-se &lsquo;Erodes&rsquo;, que n&atilde;o identificando Jesus, procedeu ao infantic&iacute;dio geral, evitando problemas futuros&rdquo; .<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr&oacute;prio Ministro de Estado da Justi&ccedil;a, ao encaminhar ao Presidente da Rep&uacute;blica o projeto da Medida Provis&oacute;ria n&ordm; 2.151\/2001, convertida na Lei n&ordm; 10.559\/2002, cuidou, na Exposi&ccedil;&atilde;o de Motivos n&ordm; 146\/MJ, de 13 de abril de 2000, de explicitar a motiva&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da Portaria n.&ordm; 1.104\/64:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">&ldquo;Na sequ&ecirc;ncia, e finalizando o Cap&iacute;tulo, o anteprojeto assegura aos atingidos pela Portaria n. 1.104 do Minist&eacute;rio da Aeron&aacute;utica de 12 de outubro de 1964 que se fundamenta no Of&iacute;cio Reservado n. 04 de setembro de 1964 e pela Exposi&ccedil;&atilde;o de Motivos n. 138, de 21 de agosto de 1964, sem preju&iacute;zo de outros atos considerados pela Comiss&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">A Repara&ccedil;&atilde;o Econ&ocirc;mica em Presta&ccedil;&atilde;o Permanente e Continuada &eacute; assegurada aos anistiados pol&iacute;ticos demitidos, licenciados, desligados, expulsos ou de qualquer forma compelidos ao afastamento de suas atividades profissionais remuneradas, abrangendo ainda &agrave;queles que foram impedidos de exercer, na vida civil, atividade profissional espec&iacute;fica, em decorr&ecirc;ncia das Portarias Reservadas do Minist&eacute;rio da Aeron&aacute;utica n&ordm; S-501-GM5, de 19 de junho de 1964 e n&ordm; S-285-GM5 e pela Portaria n. 1.104 do mesmo Minist&eacute;rio de 12 de outubro de 1964, que se fundamenta no of&iacute;cio reservado n&ordm; 04, de setembro de 1964, e pela Exposi&ccedil;&atilde;o de Motivos n. 138, de 21 de agosto de 1964.&rdquo;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">No Senado Federal, o texto da Medida Provis&oacute;ria n.&ordm; 2.151\/2001 foi aprimorado por meio de emenda aditiva que acrescentou ao texto do inciso XI do artigo 2&ordm; da medida provis&oacute;ria a express&atilde;o &ldquo;licenciados&rdquo;, com a seguinte justificativa:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">&ldquo;A maioria dos pra&ccedil;as da Marinha e Aeron&aacute;utica foram licenciados com base nos atos 424, 425, 0365, etc (Na Marinha) e Portaria 1.104\/GM3, (Na Aeron&aacute;utica) com fundamento em legisla&ccedil;&atilde;o comum (LRSM), quando na realidade ditos atos e portarias estavam eivados de v&iacute;cios nulos por contrariar o princ&iacute;pio constitucional da equidade e da isonomia, podendo as For&ccedil;as Armadas excluir qualquer pra&ccedil;a, sem fundamenta&ccedil;&atilde;o plaus&iacute;vel: bastava ser considerado &lsquo;subversivo&rsquo;, em desrespeito ao Princ&iacute;pio do Devido Processo Legal&rdquo;.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, a Portaria n&ordm; 1.104\/64 foi expedida em um contexto de expurgo em massa de militares, majoritariamente de cabos, considerados subversivos pelo Comando da Aeron&aacute;utica. Em outras palavras, houve uma persegui&ccedil;&atilde;o, com clara motiva&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, a uma categoria determinada. A persegui&ccedil;&atilde;o &agrave; categoria gerou efeitos individuais para todos os cabos que ingressaram na Aeron&aacute;utica antes da edi&ccedil;&atilde;o da Portaria n&ordm; 1.104, em 12 de outubro de 1964.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse modo, fica claro que a Comiss&atilde;o de Anistia, ao editar a S&uacute;mula Administrativa n&ordm; 2002.07.0003, atesta o car&aacute;ter de ato de exce&ccedil;&atilde;o da Portaria n&ordm; 1.104\/64 e fundamenta-se em dados hist&oacute;ricos e documentais consistentes. Trata-se, na verdade, de um reconhecimento de uma injusti&ccedil;a perpetrada pela ditadura militar contra uma categoria espec&iacute;fica de militares, que foram impedidos de permanecer na Aeron&aacute;utica por motiva&ccedil;&atilde;o exclusivamente pol&iacute;tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al&eacute;m de ignorar todos os documentos acima mencionados e desprestigiar o minucioso trabalho realizado pela Comiss&atilde;o de Anistia e sua s&uacute;mula administrativa, o entendimento adotado pelo Ministro Interino da Justi&ccedil;a tamb&eacute;m se afasta da orienta&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica do Supremo Tribunal Federal sobre o assunto. As duas turmas da Corte Suprema Brasileira j&aacute; se debru&ccedil;aram sobre a efetiva persegui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica &agrave;queles Cabos que ingressaram na Fora A&eacute;rea Brasileira anteriormente a 12\/10\/1964 e foram prejudicados pela Portaria 1.104\/64, conforme se verifica dos trechos de ac&oacute;rd&atilde;os abaixo transcritos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">&ldquo;1. A&nbsp;anistia&nbsp;pol&iacute;tica de ex-cabos da For&ccedil;a A&eacute;rea Brasileira reclama, como requisito, que tenham ingressado nos quadros&nbsp;anteriormente&nbsp;&agrave; edi&ccedil;&atilde;o da Portaria n&deg; 1.104-GM3\/1964, do Minist&eacute;rio da Aeron&aacute;utica. Precedentes: RMS 25.851 AgR\/DF, Rel. Min. Menezes Direito, RMS 25.642 AgR\/DF, Rel. Min. Cezar Peluso, RMS 31.808 ED\/DF, Rel. Min. C&aacute;rmen L&uacute;cia&rdquo; (Supremo Tribunal Federal. 1&ordf; Turma. RMS 25.754. Relator Ministro Luiz Fux. Un&acirc;nime. DJe 25\/08\/2014).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">&ldquo;1. A jurisprud&ecirc;ncia do Supremo Tribunal Federal fixou-se no sentido de que apenas existe direito subjetivo &agrave; anistia pol&iacute;tica, fundada na Portaria 1.104\/64, do Minist&eacute;rio da Aeron&aacute;utica, aos cabos que, ao tempo de sua edi&ccedil;&atilde;o, j&aacute; estavam incorporados &agrave; For&ccedil;a A&eacute;rea&rdquo; (Supremo Tribunal Federal. 2&ordf; Turma. RMS 26.025. Relator Ministro Teori Zavascki. Un&acirc;nime. DJe 03\/08\/2015).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caber&aacute; mais uma vez ao Poder Judici&aacute;rio, no controle de legalidade e constitucionalidade do ato administrativo, afastar as viola&ccedil;&otilde;es a direitos causados &agrave;queles ex-cabos que foram prejudicados pelo regime de exce&ccedil;&atilde;o. Ao realizar essa tarefa, o Poder Judici&aacute;rio garante o respeito &agrave;s espec&iacute;ficas normas da Justi&ccedil;a de Transi&ccedil;&atilde;o, que constituem importante elemento para a pacifica&ccedil;&atilde;o social e para a constru&ccedil;&atilde;o de uma democracia leg&iacute;tima e duradoura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size:14px;\"><strong>*<\/strong><\/span><span style=\"font-size:10px;\"><span style=\"font-family: trebuchet ms,helvetica,sans-serif;\">Marcelo Pires Torre&atilde;o e Daniel Fernandes Machado s&atilde;o Advogados S&oacute;cios do Escrit&oacute;rio Torre&atilde;o, Machado e Linhares Dias &ndash; Advocacia, especializado em causas de direitos humanos, anistia pol&iacute;tica e justi&ccedil;a de transi&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms' , cursive;\"><b>E vamos em frente&hellip;<\/b><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms' , cursive;\"><span style=\"font-size: 12px;\"><b>Abcs\/SF (78)<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms' , cursive;\"><a href=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/OJSilvaFilho48x74.jpg\" rel=\"nofollow\" style=\"font-size: 12px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"OJSilvaFilho48x74\" class=\"alignnone size-full wp-image-5812\" height=\"74\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/OJSilvaFilho48x74.jpg\" title=\"OJSilvaFilho48x74\" width=\"48\" \/><\/a><br \/>\n\t<b><span style=\"color: #333300;\">OJSilvaFilho<\/span><span style=\"color: #333300;\">.<\/span><\/b><br \/>\n\t<span style=\"color: #333300;\"><span style=\"color: black;\">Ex-Cabo da FAB v&iacute;tima da Portaria 1.104GM3\/64<br \/>\n\tEmail:<\/span><b> <a href=\"http:\/\/mailto:ojsf@ig.com.br\/\">ojsilvafilho@gmail.com<\/a><\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a dwhelper-border=\"\" dwhelper-display=\"\" href=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/GVLIMA-298-48x74.jpg\" rel=\"nofollow\" style=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"gvlima15_jpg\" class=\"alignnone size-full wp-image-4034\" height=\"74\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/GVLIMA-298-48x74.jpg\" title=\"Gilvan VANDERLEI\" width=\"48\" \/><\/a><br \/>\n\t<span style=\"font-size: 11px;\"><span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\">Postado por <strong>Gilvan VANDERLEI<\/strong><br \/>\n\tEx-Cabo da FAB &ndash; Atingido pela Portaria 1.104GM3\/64<br \/>\n\tE-mail <strong><a href=\"mailto:gvlima@terra.com.br\" rel=\"nofollow\">gvlima@terra.com.br<\/a><\/strong><\/span> <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Direito dos Cabos &agrave; Concess&atilde;o de Anistia Pol&iacute;tica e Repara&ccedil;&atilde;o Econ&ocirc;mica &#8211; Artigo analisa o erro do Ministro Interino da Justi&ccedil;a &#8211; Jos&eacute; Levi Mello do Amaral, ao indeferir a anistia dos ex-Cabos da FAB.<\/p>\n","protected":false},"author":283,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[18],"tags":[],"class_list":["post-36311","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-postagem-2017"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36311","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/283"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36311"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36311\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36316,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36311\/revisions\/36316"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36311"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36311"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36311"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}