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{"id":28116,"date":"2015-08-04T21:50:55","date_gmt":"2015-08-05T00:50:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/?p=28116"},"modified":"2015-08-04T23:41:50","modified_gmt":"2015-08-05T02:41:50","slug":"militares-que-foram-torturados-por-militares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/2015\/08\/militares-que-foram-torturados-por-militares\/","title":{"rendered":"Militares que foram torturados por militares"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color:#4B0082;\"><span style=\"font-family: comic sans ms,cursive;\">Brasil<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"entry-title single-title\" itemprop=\"headline\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color:#4B0082;\"><span style=\"font-size: 16px;\"><span style=\"font-family: comic sans ms,cursive;\">Militares que foram torturados por militares<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<div class=\"first clearfix\" id=\"main\" role=\"main\">\n<article class=\"post-142899 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail hentry category-brasil category-politica category-revista-brasileiros tag-aeronautica tag-brasileiros-96 tag-ditadura tag-exercito tag-forcas-armadas tag-marinha-2 tag-militar tag-militares tag-regime-militar tag-tortura clearfix\" id=\"post-142899\" itemscope=\"\" itemtype=\"http:\/\/schema.org\/BlogPosting\" role=\"article\">\n<header class=\"article-header\">\n<div class=\"excerpt\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color:#4B0082;\"><span style=\"font-family: comic sans ms,cursive;\">A persegui&ccedil;&atilde;o, a tortura, a humilha&ccedil;&atilde;o e a tentativa de reparar os danos e reconstruir a vida: a ditadura militar por quem viveu o regime de exce&ccedil;&atilde;o no interior das For&ccedil;as Armadas<\/span><\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Belmiro Monteiro (AFB) \u00e0 esquerda de um colega que o ajudou-386x\" class=\"aligncenter size-full wp-image-28131\" height=\"522\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Belmiro-Monteiro-AFB-\u00e0-esquerda-de-um-colega-que-o-ajudou-386x.jpg\" width=\"326\" srcset=\"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Belmiro-Monteiro-AFB-\u00e0-esquerda-de-um-colega-que-o-ajudou-386x.jpg 326w, https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Belmiro-Monteiro-AFB-\u00e0-esquerda-de-um-colega-que-o-ajudou-386x-240x385.jpg 240w, https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Belmiro-Monteiro-AFB-\u00e0-esquerda-de-um-colega-que-o-ajudou-386x-281x450.jpg 281w\" sizes=\"auto, (max-width: 326px) 100vw, 326px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Belmiro Dem&eacute;trio (&agrave; esq.)&nbsp;ao lado de um colega&nbsp;que o ajudou ap&oacute;s&nbsp;uma sess&atilde;o de tortura: &ldquo;Fui poupado da morte&rdquo;.<\/strong><br \/>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size:8px;\">Foto: Arquivo pessoal<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Corria o ano de 1971<\/span>, <span class=\"s2\">o primeiro de Jos&eacute; Bezerra da Silva na Aeron&aacute;utica. Ele servia na Base A&eacute;rea do Gale&atilde;o, na Ilha do Governador, zona norte do Rio de Janeiro, onde era encarregado de identificar os autom&oacute;veis e civis que se dirigiam ao port&atilde;o de entrada. Um Opala bege pediu passagem e o soldado deu in&iacute;cio aos procedimentos de praxe. Dessa vez, por&eacute;m, o motorista recusou-se a entregar-lhe os documentos. No banco de tr&aacute;s do ve&iacute;culo, Bezerra viu uma pessoa encapuzada ao lado de dois militares. Percebendo o impasse, o oficial respons&aacute;vel apressou-se em abrir o port&atilde;o. Era o carro do Servi&ccedil;o Secreto, explicou ao subordinado, e tinha passagem livre no quartel da Aeron&aacute;utica. &ldquo;<strong>Eram pessoas sequestradas, essa era a verdade.<\/strong>&rdquo;<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">Mais tarde, o prisioneiro foi levado a uma sala onde os soldados trabalhavam e posto em uma cadeira com as m&atilde;os amarradas para tr&aacute;s. Bezerra, que estava &agrave; porta, conta que o brigadeiro Jo&atilde;o Paulo Burnier ordenou que tirassem o capuz, deu um tapa no rosto do preso e amea&ccedil;ou: &ldquo;<strong>Quero ouvir voc&ecirc; falar igual falava na C&acirc;mara<\/strong>&rdquo;. Fecharam a porta. Depois, transferiram-no &agrave; cela dos presos pol&iacute;ticos. Passados alguns dias, Bezerra soube que se tratava do deputado federal Rubens Paiva, que sairia vivo da Base A&eacute;rea para morrer, no mesmo ano, nas depend&ecirc;ncias do Ex&eacute;rcito.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">&ldquo;<strong>A gente sabia que estava tendo interrogat&oacute;rio com tortura quando os soldados e cabos que faziam parte da equipe nos contavam. Ou ent&atilde;o quando os oficiais pediam lanche para passar noite adentro nas celas. Quem ia levar a comida, via o que estava acontecendo<\/strong>&rdquo;, diz Bezerra.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">Em outra ocasi&atilde;o, na enfermaria do quartel para uma consulta odontol&oacute;gica, ele viu dois soldados descerem de uma ambul&acirc;ncia com outro encapuzado. &ldquo;<strong>Pela maneira como o estavam conduzindo, falei que aquilo era covardia. O sargento passou por mim com cara de quem n&atilde;o gostou do que eu tinha dito, mas seguiu com o preso para a sala do doutor Luis, o dentista<\/strong>.&rdquo; A &uacute;ltima cena que testemunhou antes de fecharem a porta foi a do preso apavorado, segurado pelos bra&ccedil;os na cadeira do dentista.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">Ao voltar ao posto de trabalho, seu superior, cabo Argolo, j&aacute; sabia da &ldquo;<strong>besteira<\/strong>&rdquo; que Bezerra tinha falado na enfermaria. Acompanhado do tenente Amaral e do soldado Amorim, ele o chamou para a mesma sala onde Rubens Paiva fora levado. &ldquo;<strong>Me botaram contra a parede, fui agredido no rosto, peito, canelas e barriga. Dominaram minha arma. Se reagisse, morreria.<\/strong>&rdquo;<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Jos\u00e9 Bezerra da Silva (FAB) e Luiz Monteiro (Ex\u00e9rcito)\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-28122\" height=\"197\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Jos\u00e9-Bezerra-da-Silva-FAB-e-Luiz-Monteiro-Ex\u00e9rcito-385x197.jpg\" width=\"385\" srcset=\"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Jos\u00e9-Bezerra-da-Silva-FAB-e-Luiz-Monteiro-Ex\u00e9rcito-385x197.jpg 385w, https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Jos\u00e9-Bezerra-da-Silva-FAB-e-Luiz-Monteiro-Ex\u00e9rcito-450x230.jpg 450w, https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Jos\u00e9-Bezerra-da-Silva-FAB-e-Luiz-Monteiro-Ex\u00e9rcito.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 385px) 100vw, 385px\" \/><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: center;\"><strong>Jos&eacute; Bezerra da Silva, na Aeron&aacute;utica, e Luiz Monteiro, que sofreu torturas ap&oacute;s a redemocratiza&ccedil;&atilde;o no Ex&eacute;rcito.<\/strong><br \/>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size:8px;\">Fotos: Arquivo pessoal<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Assim como Bezerra, milhares de militares foram considerados &ldquo;<strong>subversivos<\/strong>&rdquo; e torturados durante o regime. De acordo com relat&oacute;rio da Comiss&atilde;o Nacional da Verdade (CNV), entre 1946 e 1988, foram 6.591 perseguidos nas For&ccedil;as Armadas e na Pol&iacute;cia Militar, sendo que a maioria dos casos aconteceu ap&oacute;s o golpe de 64. Os militares formam a categoria social que, proporcionalmente, contabilizou maior n&uacute;mero de viola&ccedil;&otilde;es de direitos nesse per&iacute;odo e a com mais processos encaminhados &agrave; Comiss&atilde;o de Anistia. Suas hist&oacute;rias, no entanto, ainda s&atilde;o pouco conhecidas pela sociedade.&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">Para Paulo Cunha, consultor da CNV e especialista na quest&atilde;o dos militares, al&eacute;m das pr&oacute;prias institui&ccedil;&otilde;es se negarem a estudar os movimentos nacionalistas e de esquerda nas For&ccedil;as Armadas, as universidades s&oacute; recentemente passaram a ver com aten&ccedil;&atilde;o a luta desses militares legalistas: &ldquo;<strong>Contam com uma tese veiculada de que as For&ccedil;as Armadas s&atilde;o um bloco monol&iacute;tico com pouco afeto &agrave; democracia<\/strong>&rdquo;.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">Depois do epis&oacute;dio narrado, Bezerra teria sido obrigado a seguir o trabalho normalmente. Durante a madrugada, de servi&ccedil;o no port&atilde;o, ele conta ter recebido um telefonema para pedir uma ambul&acirc;ncia &agrave; enfermaria. O tal preso havia morrido. &ldquo;<strong>Soube que colocaram a boca dele no escapamento do jipe de um oficial, soltando g&aacute;s carb&ocirc;nico. Ele n&atilde;o resistiu.<\/strong>&rdquo; Segundo Bezerra, o morto era Stuart Edgard Angel, militante do MR8 e filho da estilista Zuzu Angel.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">Enquanto isso, Bezerra tentava entrar para a escola de sargentos. J&aacute; havia sido aprovado quatro vezes, mas sua inicia&ccedil;&atilde;o era sempre sabotada. Cada vez que o avi&atilde;o pousava para buscar os alunos aprovados, algum oficial pedia para ele realizar um servi&ccedil;o longe da pista. Bezerra ainda n&atilde;o sabia, mas havia sido enquadrado na Portaria 1.104GM3\/64, legisla&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica para Cabos da Aeron&aacute;utica considerados &ldquo;<strong>subversivos<\/strong>&rdquo;. &ldquo;<strong>Eu estava &agrave; merc&ecirc; deles. O militar considerado subversivo tem uma diferen&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o ao civil subversivo. O civil era preso uma vez, apanhava e, se sa&iacute;sse vivo, sumia. N&oacute;s n&atilde;o pod&iacute;amos. Eu era torturado pelo meu chefe e tinha de estar l&aacute; batendo contin&ecirc;ncia para ele. Alguns desertavam e eram perseguidos por crimes a eles atribu&iacute;dos. Eu ficava transtornado, mas continuava estudando para prova.<\/strong>&rdquo;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">Por causa das agress&otilde;es que sofreu, Bezerra passou a sentir dores no t&oacute;rax. Por diversas vezes foi &agrave; enfermaria para ser medicado antes de voltar ao servi&ccedil;o. Quando um m&eacute;dico finalmente o examinou, viu que Bezerra estava com hemorragia interna e teria de ser operado o quanto antes. &ldquo;<strong>Dois dias depois da cirurgia, meu chefe foi me tirar do hospital para me agredir de novo. Ele tentou me buscar duas vezes, mas o chefe da enfermaria n&atilde;o deixou. Ent&atilde;o, tive alta do hospital e fui entregar o atestado de convalescen&ccedil;a. Ele n&atilde;o respeitou e disse para eu voltar ao expediente. Uma hora, ele apareceu para me pegar de viatura. Andamos um tanto, parou o carro, descemos e ele me agrediu novamente. Meus pontos deram problema, comecei a sangrar, mas n&atilde;o podia reagir. Depois disso, tive de voltar para o hospital.<\/strong>&rdquo; Bezerra ainda afirma ter sido torturado no consult&oacute;rio do doutor Luis. O dentista descolou suas gengivas com uma esp&aacute;tula e o mandou embora sem curar as feridas.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Belmiro Demetrio - Militar torturado e cassado da Aeron\u00e1utica-385x\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-28123\" height=\"110\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Belmiro-Demetrio-Militar-torturado-e-cassado-da-Aeron\u00e1utica-385x-385x110.jpg\" width=\"385\" \/><strong>Belmiro Dem&eacute;trio, militar torturado e cassado da Aeron&aacute;utica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hospitalizado no quartel, recebeu uma inje&ccedil;&atilde;o que o apagou. Quando acordou, estava em lugar desconhecido, enorme, com outras dezenas de doentes amarrados pelos pulsos. Um paciente fazia o jogo do bicho dos demais. As janelas e as portas eram gradeadas. Percebeu que aquilo n&atilde;o poderia ser um hospital militar &ndash; estava preso. O bicheiro conseguiu passar um recado para o pai de Bezerra, avisando onde o filho estava. Dias depois, foi liberado e expulso da Aeron&aacute;utica. &ldquo;<strong>N&atilde;o me pagaram nem o sal&aacute;rio do m&ecirc;s. Estava duro, doente e desempregado.<\/strong>&rdquo;&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size:16px;\"><span style=\"font-family: comic sans ms,cursive;\"><span class=\"s2\"><b>Limites<\/b><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">Para Paulo Abr&atilde;o, presidente da Comiss&atilde;o de Anistia, se existe um grupo pol&iacute;tico perseguido e com tratamento mal resolvido &eacute; o dos militares anistiados. &ldquo;<strong>Eles foram estigmatizados a ponto de n&atilde;o poder nunca mais exercer a profiss&atilde;o que possu&iacute;am, enquanto outros perseguidos civis demitidos de seus postos de trabalho, ap&oacute;s a Lei da Anistia, puderam retornar &agrave;s suas profiss&otilde;es. Mesmo quando algum tipo de repara&ccedil;&atilde;o foi realizada, como reintegra&ccedil;&atilde;o com aposentadorias, foram sempre com algum limite de tratamento, diferenciado em rela&ccedil;&atilde;o aos militares que estavam na ativa ou na reserva por terem servido a ditadura ao longo do tempo.<\/strong>&rdquo;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Cezar Britto, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), isso ocorre devido &agrave; Lei 10.559, de 2002, que enquadra os militares cassados em um regime de anistiado pol&iacute;tico diferenciado e os exclui do regime militar. Ou seja, ao conseguirem a anistia pol&iacute;tica, perdem os direitos da categoria de militar. A Comiss&atilde;o da Anistia, por outro lado, defende que o anistiado volte ao <i>status quo <\/i>anterior ao ato de exce&ccedil;&atilde;o. &ldquo;<strong>O militar anistiado deve ter os mesmos direitos que o da reserva, seguindo o estatuto dos militares, agregados os direitos t&iacute;picos daqueles que foram perseguidos. Afinal de contas, existe um conjunto de preju&iacute;zos adicionais em virtude do afastamento e dos atos de exce&ccedil;&atilde;o por eles sofridos ao longo do tempo<\/strong>&rdquo;, diz Abr&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">A OAB NACIONAL, a pedido da <strong>Associa&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica e Nacionalista dos Militares (ADNAM)<\/strong>, entrou com uma Argui&ccedil;&atilde;o de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) no STF em 2008, questionando a constitucionalidade desse regime diferenciado. O tribunal negou seguimento &agrave; a&ccedil;&atilde;o, por entender que a lei questionada n&atilde;o poderia ser modificada por uma ADPF e o processo transitou em julgado, ou seja, foi encerrado sem possibilidade de recurso, em junho deste ano(2015). Para o ent&atilde;o presidente da OAB, <u>&eacute; um dos casos mais s&eacute;rios no que se refere &agrave; n&atilde;o aplica&ccedil;&atilde;o da Justi&ccedil;a de transi&ccedil;&atilde;o no Brasil<\/u>. &ldquo;<strong>Os militares que resistiram &agrave; ditadura continuam sendo punidos na forma restritiva que se aplica a Lei da Anistia, criando essa figura jur&iacute;dica absurda e an&ocirc;mala<\/strong>&rdquo;, diz Britto.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">O relat&oacute;rio da CNV d&aacute; conta de 11.262 pedidos de anistias a militares finalizados pela Comiss&atilde;o de Anistia, e apenas 2.269 deferidos. Segundo Abr&atilde;o, no entanto, foram analisadas em torno de nove mil (9.000) anistias, das quais 80% foram aceitas. O presidente da comiss&atilde;o fala ainda que h&aacute; um grupo de 4.500 anistias questionadas judicialmente por iniciativa originada pelo Minist&eacute;rio da Defesa, contr&aacute;rio &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel da Comiss&atilde;o da Anistia de que a Portaria 1104GM3\/64, usada para extirpar cabos da For&ccedil;a A&eacute;rea Brasileira da carreira profissional, foi ato de exce&ccedil;&atilde;o. O Minist&eacute;rio da Defesa e a Advocacia-Geral da Uni&atilde;o entendem que foi mero ato administrativo e passaram a tentar anular as decis&otilde;es da Comiss&atilde;o da Anistia <strong>(Anterior\/2002)<\/strong>.<strong> &ldquo;A diferencia&ccedil;&atilde;o entre militares de reserva e os anistiados gera um ambiente de discrimina&ccedil;&atilde;o odiosa porque o Estado, em vez de recompor a integralidade do direito ao projeto de vida dessas pessoas que foram perseguidas e torturadas, o faz &agrave;queles que serviram &agrave; repress&atilde;o&rdquo;<\/strong>, diz Abr&atilde;o. &nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Jos\u00e9 Bezerra da Silva - Militar Aeron\u00e1utica-385x\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-28124\" height=\"115\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Jos\u00e9-Bezerra-da-Silva-Militar-Aeron\u00e1utica-385x-385x115.jpg\" width=\"385\" \/><strong>Jos&eacute; Bezerra da Silva, militar cassado da Aeron&aacute;utica e advogado especializado em pedidos de anistia<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Muitos dos militares n&atilde;o conseguiram encontrar outro trabalho depois de expulsos das For&ccedil;as Armadas. Al&eacute;m de n&atilde;o receberem seus documentos ou terem a ficha suja, empresas pr&oacute;ximas &agrave;s bases eram controladas por militares, que proibiam a contrata&ccedil;&atilde;o de &ldquo;<strong>subversivos<\/strong>&rdquo;. Bezerra foi vendedor de roupas e professor de Hist&oacute;ria e Geografia at&eacute; come&ccedil;ar a estudar Direito. Hoje advogado, especializou-se no pedido de anistia para militares perseguidos na ditadura.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">O mesmo aconteceu com Belmiro Dem&eacute;trio, soldado da Aeron&aacute;utica em Canoas, no Rio Grande do Sul, at&eacute; ser cassado e largado no meio da estrada com nada al&eacute;m do cal&ccedil;&atilde;o que vestia. Defensor de Leonel Brizola e Jo&atilde;o Goulart, ele foi preso e torturado em 1969. Um dia foi levado de sua cela para ser executado. Deitado no ch&atilde;o, teve um fuzil apontado para sua cabe&ccedil;a, mas atiraram para o lado. Belmiro afirma que um cabo, apoiando a baioneta em seu peito, urinou em seu rosto. Um sargento que estava ali teria feito o mesmo. Por dias, n&atilde;o o deixaram tomar banho ou escovar os dentes.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">Ap&oacute;s 26 dias preso e fazendo trabalho for&ccedil;ado, Belmiro foi expulso da Aeron&aacute;utica. Sem conseguir emprego no Sul do Pa&iacute;s, mudou-se para o Rio de Janeiro para trabalhar na constru&ccedil;&atilde;o civil. &ldquo;<strong>O que eu quero &eacute; uma democracia com justi&ccedil;a para mim e todos que sofreram. Quero que seja reconhecida a minha carreira militar.<\/strong>&rdquo;<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">A Lei da Anistia de 1979 n&atilde;o foi o suficiente para que os militares cassados voltassem &agrave;s For&ccedil;as Armadas. &ldquo;<strong>Fui ao quartel e me falaram que era para a gente aguardar um edital de chamamento, que nunca veio. Pens&aacute;vamos que a anistia tamb&eacute;m era para n&oacute;s, mas essa lei veio para anistiar os militares torturadores, para que eu nunca possa processar os canalhas que me agrediram<\/strong>&rdquo;, diz Bezerra. Em tese, a lei continha um dispositivo que possibilitaria o retorno dos militares perseguidos ao servi&ccedil;o ativo &ndash; mas desde que estivesse de acordo com os interesses das For&ccedil;as Armadas. Tamb&eacute;m permitia a transfer&ecirc;ncia dos militares cassados para a reserva, mas sem o pagamento de qualquer indeniza&ccedil;&atilde;o nem as promo&ccedil;&otilde;es a que teriam direito.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">Com a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, possibilitou-se a repara&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica aos aeronautas atingidos por portarias secretas do Minist&eacute;rio da Aeron&aacute;utica, em 1964, e as promo&ccedil;&otilde;es na reserva &agrave; patente que os militares teriam direito, por tempo de servi&ccedil;o ou merecimento.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">Em 2002, por meio de medida provis&oacute;ria, foram anistiados e indenizados 2.500 militares. Ainda hoje, no entanto, interpreta&ccedil;&otilde;es diversas criam um imbr&oacute;glio jur&iacute;dico que impede a aplica&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica do que a legisla&ccedil;&atilde;o prev&ecirc; para os militares anistiados.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size:16px;\"><span style=\"font-family: comic sans ms,cursive;\"><span class=\"s2\"><b>Sil&ecirc;ncio quebrado<\/b><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">Ant&ocirc;nio Rodrigues entrou na Brigada Paraquedista Marechal Hermes, do Ex&eacute;rcito, no Rio de Janeiro, no fim dos anos 1970. Admirador do antrop&oacute;logo e escritor Darcy Ribeiro, foi acusado de &ldquo;<strong>subversivo<\/strong>&rdquo;. &ldquo;<strong>N&atilde;o sei como estou vivo<\/strong>&rdquo;, diz ele, que passou 25 anos sem contar sua hist&oacute;ria sequer para a fam&iacute;lia. Sa&iacute;do em 1982 do Ex&eacute;rcito, foi apenas no in&iacute;cio deste ano que aceitou ir &agrave; Cl&iacute;nica do Testemunho, programa ligado &agrave; Comiss&atilde;o da Anistia, de atendimento ps&iacute;quico a v&iacute;timas da viol&ecirc;ncia do Estado na ditadura, para dar seu depoimento. Hoje, &eacute; pastor evang&eacute;lico: &ldquo;<strong>Precisei da f&eacute; para sobreviver<\/strong>&rdquo;.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">Na brigada, Rodrigues teria passado por exerc&iacute;cios no campo de concentra&ccedil;&atilde;o de tortura, no qual eram simuladas situa&ccedil;&otilde;es de presos de guerra. Todos os soldados participavam da atividade, mas poucos &ldquo;<strong>subversivos<\/strong>&rdquo; sobreviviam a ela. &ldquo;<strong>Pass&aacute;vamos por todo o tipo de maldade e perversidade. N&atilde;o existia tropa pior no Brasil do que a brigada paraquedista. Essa &eacute; devastadora. Tem militares formados fora do Brasil, s&atilde;o os piores que existem. Aprendemos que devemos matar at&eacute; pai ou m&atilde;e se forem impedimento para o nosso objetivo.<\/strong>&rdquo;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">Um amigo do Ex&eacute;rcito, ao ouvir Rodrigues exaltar os projetos de Darcy Ribeiro, fez uma imita&ccedil;&atilde;o de Leonel Brizola e gritou: &ldquo;<strong>Diretas J&aacute;!<\/strong>&rdquo;. Nascido no Sul, esse amigo foi logo acusado de ser filho do pol&iacute;tico ga&uacute;cho. &ldquo;<strong>Maltrataram tanto que ele n&atilde;o conseguia nem andar. Eu o carreguei nos bra&ccedil;os por dois dias durante aquela semana de treinamento de tortura. Ele sabia que estava prestes a morrer e me falou que viriam atr&aacute;s de mim tamb&eacute;m<\/strong>&rdquo;, diz Rodrigues. Essa foi a &uacute;ltima vez que viu seu colega. Terminados os exerc&iacute;cios, desceu ao batalh&atilde;o, onde mais de 400 homens estavam em forma. Um coronel ent&atilde;o anunciou que um dos militares n&atilde;o tinha aguentado o treinamento e morrido. &ldquo;<strong>No Ex&eacute;rcito, n&atilde;o pode desobedecer a ordem de um superior, mas naquela hora eu sa&iacute; de forma. Fui &agrave; enfermaria, sozinho, e chorei muito porque vi que, por causa da minha conversa, ele foi induzido a imitar o Brizola. Chorei por um ano seguido.<\/strong>&rdquo;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">Prestes a ingressar no curso de sargento, Rodrigues foi pego elogiando Darcy Ribeiro. Um militar do Servi&ccedil;o Secreto ent&atilde;o apareceu &agrave; paisana em sua casa para conversar com ele e sua fam&iacute;lia. Mais uma vez, Rodrigues falou de como gostaria de colocar em pr&aacute;tica os projetos do antrop&oacute;logo. Quando retornou ao quartel, uma viatura j&aacute; o aguardava. Foi levado para ser interrogado no Servi&ccedil;o Secreto, onde encontrou o militar que estivera em sua casa. &ldquo;<strong>Pensei: &lsquo;Agora &eacute; hora do ataque&rsquo;. N&atilde;o tem como me defender. Falei para eles: &lsquo;Fui preparado para viver ou morrer. Fui um dos melhores do Ex&eacute;rcito e n&atilde;o fui preparado para recuar. Voc&ecirc;s mataram meu colega. Isso sempre esteve na minha garganta. Voc&ecirc;s v&atilde;o ter que me matar tamb&eacute;m porque n&atilde;o vou voltar atr&aacute;s&rsquo;.<\/strong>&rdquo;<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">Rodrigues foi preso e levado de volta ao campo de concentra&ccedil;&atilde;o, onde foi torturado durante 20 dias. Retornou &agrave; cadeia do quartel com a sa&uacute;de completamente debilitada, um dedo do p&eacute; quebrado e as m&atilde;os cheias de espinhos. &ldquo;<strong>Me jogaram dentro de po&ccedil;o com granada de efeito moral, levei muito soco, pancada, me queimaram de ferro nas costas. Eu tinha certeza de que iria morrer. Quando voltei ao batalh&atilde;o, me deram uma &uacute;nica moleza, n&atilde;o sei por que: me deixaram tomar banho. Quando vi que o rapaz do port&atilde;o estava limpando a arma, fui no meu arm&aacute;rio, peguei minha farda, botei minha botina e sa&iacute; do quartel. N&atilde;o conseguia nem andar, mas naquela hora tive de me reerguer. Prestei contin&ecirc;ncia e fui.<\/strong>&rdquo; Rodrigues pegou uma carona de carro na estrada e depois um &ocirc;nibus at&eacute; sua casa, em Manguinhos, zona norte do Rio. Desmaiou no &ocirc;nibus e foi acordado para descer no ponto. Carregado, conseguiu chegar a sua casa, onde ficou por seis dias. &ldquo;<strong>N&atilde;o me lembro de nada que aconteceu nesse tempo. Uma irm&atilde; e um primo cuidaram de mim, me deram comida e banho. N&atilde;o podia contar para ningu&eacute;m que eu tinha fugido. Quando acordei, falei que precisava voltar ao quartel e fui embora.<\/strong>&rdquo;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">Ele ficou mais de 15 dias em fuga, com fortes dores nos bra&ccedil;os e pernas. S&oacute; n&atilde;o foi a um hospital, com medo de ser pego. Um dia, de dentro de um &ocirc;nibus, percebeu que uma viatura o seguia. Desceu e correu para uma passarela por cima da Avenida Brasil, no Rio de Janeiro. &ldquo;<strong>Eles vieram atr&aacute;s, fardados, armados, eu n&atilde;o podia correr tanto porque estava doente. Pulei da passarela, era a &uacute;nica maneira de fugir. Pulei l&aacute; de cima, tinha uns 5 m de altura. Cheguei a voar. Fui treinado para sofrer impacto de at&eacute; 10 m. S&oacute; estourei um pouco o joelho. Entrei na favela Nova Holanda, e eles n&atilde;o quiseram me seguir mais. Desistiram.<\/strong>&rdquo;<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">Escapou naquele momento, mas n&atilde;o conseguia mais suportar as dores. No atendimento p&uacute;blico, Rodrigues diz que os m&eacute;dicos n&atilde;o conseguiram diagnosticar o seu mal. Mais tarde, descobriu que estava com arterite de Takayasu, doen&ccedil;a inflamat&oacute;ria cr&ocirc;nica das art&eacute;rias que ainda hoje dificulta os movimentos de suas pernas e bra&ccedil;os. Foi obrigado a ir ao hospital militar, onde acabou preso e encaminhado ao manic&ocirc;mio do quartel, para uma interna&ccedil;&atilde;o de dois anos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s2\"><b><span style=\"font-size:16px;\"><span style=\"font-family: comic sans ms,cursive;\">Tortura p&oacute;s-ditadura <\/span><\/span><span class=\"Apple-converted-space\"><span style=\"font-size:16px;\"><span style=\"font-family: comic sans ms,cursive;\">&nbsp;<\/span><\/span> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">As torturas e persegui&ccedil;&otilde;es aos militares n&atilde;o cessaram com a redemocratiza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; o que conta Luiz Cl&aacute;udio Monteiro, que ingressou no Ex&eacute;rcito em 1986. No ano seguinte, colegas o ouviram falar de Darcy Ribeiro e o levaram preso como &ldquo;<strong>comunista<\/strong>&rdquo; e &ldquo;<strong>traidor da p&aacute;tria<\/strong>&rdquo;. Medeiros foi colocado em uma solit&aacute;ria &agrave;s margens da Ba&iacute;a de Guanabara. &ldquo;<strong>Ali era a sucursal do inferno, com tudo o que um ser humano n&atilde;o deveria passar. Quando a mar&eacute; enchia, a &aacute;gua vinha at&eacute; o peito. Pelas grades, entravam baratas, ratos, centopeias. Enfiaram uma jiboia l&aacute; dentro tamb&eacute;m. Eu gritava por socorro, mas ningu&eacute;m vinha.<\/strong>&rdquo;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/brasileiros.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/luiz-claudio-monteiro.jpg\"><img decoding=\"async\" alt=\"Luiz Cl\u00e1udio Monteiro, militar cassado do Ex\u00e9rcito\" class=\"size-full wp-image-142906\" src=\"http:\/\/brasileiros.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/luiz-claudio-monteiro.jpg\" style=\"width: 385px; height: 87px;\" \/><\/a><br \/>\n\t\t\t\t\t<strong>Luiz Cl&aacute;udio Monteiro, militar cassado do Ex&eacute;rcito<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Foram tr&ecirc;s meses preso e 20 dias de tortura, entre idas e vindas da solit&aacute;ria para uma cela. De madrugada, era levado vendado para o interior do quartel, onde sofria agress&otilde;es e choques. Tomava &aacute;gua de chuva, comia papel higi&ecirc;nico molhado e levava banho de &oacute;leo queimado. &ldquo;<strong>S&oacute; pensava: &lsquo;Por que isso est&aacute; acontecendo?&rsquo;. Aqui fora a ditadura esmoreceu, mas dentro dos quart&eacute;is endureceu<\/strong>&rdquo;, diz Medeiros. Apesar das torturas que sofreu, ainda deseja voltar &agrave;s For&ccedil;as Armadas. Diz que a vontade de servir ao Pa&iacute;s &eacute; maior do que o desejo de vingan&ccedil;a, e delega &agrave; Justi&ccedil;a o dever de julgar aqueles que lhe fizeram mal. A institui&ccedil;&atilde;o, segundo ele, &eacute; inviol&aacute;vel. Se excessos ainda s&atilde;o cometidos dentro das For&ccedil;as Armadas, ao menos agora ele teria a quem recorrer para combat&ecirc;-los.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">&ldquo;<strong>Voc&ecirc; entra no regime militar para servir &agrave; na&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o para ser um assassino. N&atilde;o vou bater em brasileiro. Eu me sinto constrangido quando vejo ocupa&ccedil;&atilde;o do Ex&eacute;rcito na Mar&eacute;, UPP, o que &eacute; isso? Sabe l&aacute; o que &eacute; voc&ecirc; entrar em casa e o cara estar armado na sua porta, um tanque apontado para o meio da comunidade? N&atilde;o conte comigo para isso. Sou contra a redu&ccedil;&atilde;o da maioridade penal tamb&eacute;m. Isso &eacute; incompet&ecirc;ncia dos governantes que n&atilde;o fazem o trabalho direito. Se as ideias de Darcy tivessem sido implantadas&hellip; Quer saber? Acho que no fundo, no fundo, tenho uma veia de esquerda mesmo.<\/strong>&rdquo;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tags:<strong> aeron&aacute;utica, brasileiros-96, ditadura, ex&eacute;rcito, For&ccedil;as Armadas, marinha, militar, militares, regime militar, tortura <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte:<strong> <a href=\"http:\/\/brasileiros.com.br\/2015\/08\/militares-que-foram-torturados-por-militares\/\">Brasileiros<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>(*) Negritos nossos.<\/strong><\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/header>\n<\/article>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: right;\"><a dwhelper-border=\"\" dwhelper-display=\"\" href=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/GVLIMA-298-48x74.jpg\" rel=\"nofollow\" style=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"gvlima15_jpg\" class=\"alignnone size-full wp-image-4034\" height=\"49\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/GVLIMA-298-48x74.jpg\" title=\"Gilvan VANDERLEI\" width=\"32\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 11px;\">Postado por <strong>Gilvan VANDERLEI<\/strong><br \/>\n\tEx-Cabo da FAB &ndash; Atingido pela Portaria 1.104GM3\/64<br \/>\n\tE-mail <a href=\"mailto:gvlima@terra.com.br\" rel=\"nofollow\">gvlima@terra.com.br<\/a> <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasil Militares que foram torturados por militares A persegui&ccedil;&atilde;o, a tortura, a humilha&ccedil;&atilde;o e a tentativa de reparar os danos e reconstruir a vida: a ditadura militar por quem viveu o regime de exce&ccedil;&atilde;o no interior das For&ccedil;as Armadas<\/p>\n","protected":false},"author":283,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-28116","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-postagens-2015"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28116","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/283"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28116"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28116\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28132,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28116\/revisions\/28132"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28116"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28116"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28116"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}