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{"id":17997,"date":"2013-06-04T19:10:44","date_gmt":"2013-06-04T22:10:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/?p=17997"},"modified":"2013-06-05T00:28:04","modified_gmt":"2013-06-05T03:28:04","slug":"mais-duas-liminares-favoraveis-concedidas-a-ex-cabos-da-fab-desta-feita-pelo-ministro-napoleao-nunes-maia-filh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/2013\/06\/mais-duas-liminares-favoraveis-concedidas-a-ex-cabos-da-fab-desta-feita-pelo-ministro-napoleao-nunes-maia-filh\/","title":{"rendered":"Mais duas liminares favor\u00e1veis concedidas a ex-Cabos da FAB, desta feita pelo Ministro Napole\u00e3o Nunes Maia Filho"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/ministro-Napole\u00e3o-Maia-Filho-400x270.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17998\" height=\"270\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/ministro-Napole\u00e3o-Maia-Filho-400x270.jpg\" title=\"ministro Napole\u00e3o Maia Filho-400x270\" width=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/ministro-Napole\u00e3o-Maia-Filho-400x270.jpg 400w, https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/ministro-Napole\u00e3o-Maia-Filho-400x270-300x202.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color:#800000;\"><strong>Ministro Napole&atilde;o Nunes Maia Filho<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>De:<\/strong> alexandre@baptistaevasconcelos.com.br<br \/>\n\t<strong>Enviada em:<\/strong> ter&ccedil;a-feira, 4 de junho de 2013 18:17<br \/>\n\t<strong>Para:<\/strong> &#39;gvlima@terra.com.br&#39;<br \/>\n\t<span style=\"color:#800000;\"><strong>Assunto:<\/strong> Duas liminares concedidas<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vanderlei,<\/p>\n<p>Mais duas liminares concedidas, no &acirc;mbito do STJ, desta feita do Ministro Napole&atilde;o Nunes Maia Filho.<\/p>\n<p>Acompanhe abaixo o andamento processual dos <strong>MS 20.178\/DF<\/strong> e <strong>MS 20.187\/DF<\/strong> tendo como autores <strong>Raimundo Ricardo de Oliveira<\/strong> e <strong>Manoel Genival Rodrigues<\/strong>, respectivamente, inclusive as decis&otilde;es monocr&aacute;ticas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><u>Superior Tribunal de Justi&ccedil;a<\/u><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MANDADO DE SEGURAN&Ccedil;A N&ordm; 20.178 &#8211; DF (2013\/0153977-8)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RELATOR : <strong>MINISTRO NAPOLE&Atilde;O NUNES MAIA FILHO<\/strong><br \/>\n\tIMPETRANTE : <strong>RAIMUNDO RICARDO DE OLIVEIRA<\/strong><br \/>\n\tADVOGADO :<strong> ALEXANDRE AUGUSTO SANTOS DE VASCONCELOS<\/strong> <strong>E <\/strong><strong>OUTRO(S)<\/strong><br \/>\n\tIMPETRADO :<strong> MINISTRO DE ESTADO DA JUSTI&Ccedil;A<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DECIS&Atilde;O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MANDADO DE SEGURAN&Ccedil;A. PEDIDO DE LIMINAR. ANISTIADO POL&Iacute;TICO, EX-INTEGRANTE DA AERON&Aacute;UTICA. AUTORIZA&Ccedil;&Atilde;O PELO MINISTRO DE ESTADO DA JUSTI&Ccedil;A PARA ABERTURA DE PROCESSO DE ANULA&Ccedil;&Atilde;O DA ANISTIA. DECURSO DE MAIS DE 5 ANOS DESDE A PUBLICA&Ccedil;&Atilde;O DA PORTARIA ANISTIADORA AT&Eacute; A PRETENSA REVIS&Atilde;O DO ATO PELA ADMINISTRA&Ccedil;&Atilde;O P&Uacute;BLICA. DECAD&Ecirc;NCIA. ART. 54 DA LEI 9.784\/99. MS 15.346\/DF, REL. MIN. HAMILTON CARVALHIDO, DJe 03.12.2010. PREPONDER&Acirc;NCIA DOS PRINC&Iacute;PIOS DA CONFIAN&Ccedil;A E DA SEGURAN&Ccedil;A JUR&Iacute;DICA, PILARES DE FERRO DO ESTADO DEMOCR&Aacute;TICO DE DIREITO. PRESEN&Ccedil;A DE PERICULUM IN MORA E FUMUS BONI IURIS. MEDIDA LIMINAR DEFERIDA PARA DETERMINAR QUE A AUTORIDADE APONTADA COMO COATORA SE ABSTENHA DE PRATICAR QUALQUER ATO QUE IMPORTE NA SUSPENS&Atilde;O E\/OU CANCELAMENTO DA ANISTIA CONCEDIDA AO IMPETRANTE, AT&Eacute; FINAL JULGAMENTO DO PRESENTE MANDADO DE SEGURAN&Ccedil;A.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. Trata-se de Mandado de Seguran&ccedil;a com pedido de medida liminar impetrado por RAIMUNDO RICARDO DE OLIVEIRA, anistiado pol&iacute;tico, no qual aponta como autoridade coatora o MINISTRO DE ESTADO DA JUSTI&Ccedil;A e, como ato coator, o despacho que autorizou a abertura de processo para anula&ccedil;&atilde;o da Portaria anistiadora que o beneficiou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Narra a inicial que o ex-militar foi declarado Anistiado Pol&iacute;tico por meio de Portaria1.617, de 28.11.2002, passando, desde ent&atilde;o, a perceber a repara&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica correspondente na forma de presta&ccedil;&otilde;es mensais, permanentes e continuadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Aduz que, conquanto n&atilde;o tenha sido informado, nos &uacute;ltimos anos, de qualquer iniciativa da Administra&ccedil;&atilde;o para revisar ou anular a anistia concedida, em 15.02.2011, foi editada a Portaria Interministerial 134, do Ministro de Estado da Justi&ccedil;a e do Advogado Geral da Uni&atilde;o, criando o Grupo de Trabalho Interministerial com a finalidade de reexaminar as anistias embasadas na Portaria 1.104-GM3\/1964, sendo que recentemente o Ministro da Justi&ccedil;a proferiu despacho autorizando a abertura de processo de anula&ccedil;&atilde;o da portaria de anistia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Sustenta que, passados mais de 5 anos a contar do primeiro pagamento da presta&ccedil;&atilde;o mensal relativa &agrave; sua anistia pol&iacute;tica, estabilizou-se a rela&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica com albergue constitucional do direito adquirido e da inviolabilidade do ato jur&iacute;dico perfeito. Destaca que a possibilidade de revis&atilde;o e eventual anula&ccedil;&atilde;o da Portaria anistiadora sucumbe por for&ccedil;a da decad&ecirc;ncia, operada nos moldes do disposto no art. 54 da Lei 9.784\/99.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5. Alega que a plausibilidade jur&iacute;dica do direito vindicado somada ao evidente risco na demora autorizam a concess&atilde;o de provimento liminar para manuten&ccedil;&atilde;o dos efeitos da Portaria concessiva de anistia pol&iacute;tica at&eacute; o julgamento final do<strong> mandamus<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6. &Eacute; o relat&oacute;rio. Decido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7. De in&iacute;cio, insta ressaltar que o objeto da impetra&ccedil;&atilde;o, no caso dos autos, cinge-se ao reconhecimento (ou n&atilde;o) de abuso ou ilegalidade postos no ato emanado da autoridade indicada como coatora, consubstanciado na autoriza&ccedil;&atilde;o de abertura de processo para anula&ccedil;&atilde;o da anistia concedida ao impetrante em 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8. Nesse passo, vale lembrar que, embora a Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica esteja adstrita &agrave; observ&acirc;ncia do princ&iacute;pio da legalidade, <strong>ex vi <\/strong>do art. 37 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, seus atos devem se ater, igualmente, a outros princ&iacute;pios constitucionais, de igual relev&acirc;ncia jur&iacute;dica, notadamente o da seguran&ccedil;a jur&iacute;dica, corol&aacute;rio que &eacute; do Estado Democr&aacute;tico de Direito: a legalidade pode ser mortal, em certos casos, enquanto a juridicidade sempre abrir&aacute; as portas &agrave; Justi&ccedil;a, para lhe dar passagem, vestida com a armadura da Equidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9. Dest&#39;arte, depreende-se que a aplica&ccedil;&atilde;o do instituto da decad&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o ao direito da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica de invalidar seus atos, ainda que eventualmente eivados de nulidade, encontra amparo no sistema jur&iacute;dico contido na Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10. Deveras, se por um lado a Administra&ccedil;&atilde;o tem, por for&ccedil;a do princ&iacute;pio da legalidade, o dever de invalidar os seus atos viciados, podendo faz&ecirc;-lo por iniciativa pr&oacute;pria ou por determina&ccedil;&atilde;o judicial, por outro lado &eacute; de se considerar que o restabelecimento da legalidade deve ser sempre operado sem afetar a seguran&ccedil;a jur&iacute;dica, pois, caso contr&aacute;rio, sob o pretexto de se corrigir uma ilegalidade, estar-se-ia perpetrando uma outra ofensa ao ordenamento jur&iacute;dico, e se pondo em movimento uma m&aacute;quina de produzir disc&oacute;rdias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">11. Com efeito, a possibilidade de a Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica revisar seus atos a qualquer tempo, ainda que sob a invoca&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da legalidade e da supremacia do interesse p&uacute;blico, impacta a seguran&ccedil;a jur&iacute;dica e a pr&oacute;pria moralidade administrativa, porquanto permite que o particular seja surpreendido pela invalida&ccedil;&atilde;o de um ato muitos anos depois de sua pr&aacute;tica, quando &eacute; justo pressupor-se que a situa&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica nele espelhada achava-se sob o manto protetor das rela&ccedil;&otilde;es consolidadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">12. A permiss&atilde;o de indefinida revis&atilde;o ou revoga&ccedil;&atilde;o dos atos pela Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica encerra perigo para a pr&oacute;pria estabilidade das rela&ccedil;&otilde;es sociais, sendo os princ&iacute;pios da confian&ccedil;a e da seguran&ccedil;a jur&iacute;dica componentes da pr&oacute;pria &eacute;tica jur&iacute;dica; &eacute; por tal raz&atilde;o que, no ordenamento jur&iacute;dico brasileiro, a prescritibilidade &eacute; a regra, e a imprescritibilidade, a exce&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">13. A respeito, calha citar li&ccedil;&atilde;o lapidar do Professor CELSO ANT&Ocirc;NIO BANDEIRA DE MELLO:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color:#800000;\">O Direito prop&otilde;e-se a ensejar uma certa estabilidade, um m&iacute;nimo de certeza na reg&ecirc;ncia da vida social. Da&iacute; o chamado princ&iacute;pio da seguran&ccedil;a jur&iacute;dica, o qual, bem por isso, se n&atilde;o &eacute; o mais importante dentre todos os princ&iacute;pios gerais de Direito, &eacute;, indisputavelmente, um dos mais importantes entre eles. Os institutos da prescri&ccedil;&atilde;o, da decad&ecirc;ncia, da preclus&atilde;o (esfera processual), do usucapi&atilde;o, da irretroatividade da lei, do direito adquirido, s&atilde;o express&otilde;es concretas que bem revelam esta profunda aspira&ccedil;&atilde;o &agrave; estabilidade, &agrave; seguran&ccedil;a, conatural ao Direito. Tanto mais porque in&uacute;meras dentre as rela&ccedil;&otilde;es compostas pelos sujeitos de direito constituem-se em vista do porvir e n&atilde;o apenas da imediatidade das situa&ccedil;&otilde;es, cumpre, como inafast&aacute;vel requisito de um ordenado conv&iacute;vio social, livre de abalos repentinos ou surpresas desconcertantes, que haja uma estabilidade nas situa&ccedil;&otilde;es destarte constitu&iacute;das <\/span>(Curso de Direito Administrativo, S&atilde;o Paulo, Malheiros, 2010, p. 124).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">14. Nesta esteira, firme de que o princ&iacute;pio da legalidade somente tem preval&ecirc;ncia sobre o da prote&ccedil;&atilde;o da confian&ccedil;a quando o administrado obt&eacute;m vantagem por meios il&iacute;citos, a jurisprud&ecirc;ncia desta Corte Superior assentou a orienta&ccedil;&atilde;o de que, ap&oacute;s a edi&ccedil;&atilde;o da Lei 9.784\/99, a invalida&ccedil;&atilde;o dos atos administrativos sujeita-se ao prazo decadencial, nos exatos termos do art. 54 do referido diploma legal. A prop&oacute;sito:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color:#000000;\">MANDADO DE SEGURAN&Ccedil;A. MILITAR ANISTIADO. INSTAURA&Ccedil;&Atilde;O DE PROCESSO DE REVIS&Atilde;O. DECAD&Ecirc;NCIA. ART. 54 DA LEI 9.784\/99. ORDEM CONCEDIDA.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color:#000000;\">1. O direito da Administra&ccedil;&atilde;o de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favor&aacute;veis para os destinat&aacute;rios decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada m&aacute;-f&eacute; e Considera-se exerc&iacute;cio do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que importe impugna&ccedil;&atilde;o &agrave; validade do ato (artigo 54, caput, e par&aacute;grafo 2o. da Lei 9.784\/99).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color:#000000;\">2. Instaurado o processo de revis&atilde;o de anistiado pol&iacute;tico ap&oacute;s decorridos mais de sete anos da sua concess&atilde;o e quase seis anos de recebimento da presta&ccedil;&atilde;o mensal, permanente e continuada, resta consumado o prazo decadencial de que cuida o artigo 54 da Lei n&ordm; 9.784\/99.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color:#000000;\">3. Conquanto se admita que o controle externo, oriundo dos Poderes Legislativo e Judici&aacute;rio, n&atilde;o esteja sujeito a prazo de caducidade, o controle interno o est&aacute;, n&atilde;o tendo outra fun&ccedil;&atilde;o o artigo 54 da Lei 9.784\/99 que n&atilde;o a de impedir o exerc&iacute;cio abusivo da autotutela administrativa, em detrimento da seguran&ccedil;a jur&iacute;dica nas rela&ccedil;&otilde;es entre o Poder P&uacute;blico e os administrados de boa-f&eacute;, raz&atilde;o pela qual n&atilde;o poderia a Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, ela mesma, rever o ato de anistia concedida h&aacute; mais de cinco anos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color:#000000;\">4. Ordem concedida<\/span> (MS 15.346\/DF, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, DJe 03.12.2010).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">15. No caso dos autos, a plausibilidade jur&iacute;dica da pretens&atilde;o deduzida &eacute; percept&iacute;vel <strong>primo ictu oculi<\/strong>, considerando que se trata de ato administrativo que tem mais de 5 anos de editado, de sorte que a invalida&ccedil;&atilde;o da anistia pol&iacute;tica concedida ao ex-integrante dos quadros da Aeron&aacute;utica n&atilde;o se esquiva dos efeitos da decad&ecirc;ncia disciplinada no art. 54 da Lei 9.784\/99; &eacute; cedi&ccedil;o que n&atilde;o pode o administrado ficar sujeito indefinidamente ao poder de autotutela da Administra&ccedil;&atilde;o, sob pena de desestabilizar um dos apoios centrais do Estado Democr&aacute;tico de Direito, qual seja, o princ&iacute;pio da seguran&ccedil;a das rela&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">16. Ademais, nem se diga que a autoriza&ccedil;&atilde;o para abertura de processo de anula&ccedil;&atilde;o da anistia n&atilde;o representa, por si s&oacute;, abalo &agrave; seguran&ccedil;a jur&iacute;dica, uma vez que concretamente representa fato prospectivo de les&atilde;o ao patrim&ocirc;nio jur&iacute;dico subjetivo do anistiado, quando j&aacute; transcorridos anos e anos de sua perfectibiliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">17. O<strong> periculum in mora <\/strong>tamb&eacute;m est&aacute; demonstrado, tendo em vista a imin&ecirc;ncia de anula&ccedil;&atilde;o da Portaria anistiadora e da consequente suspens&atilde;o dos pagamentos mensais da correlata repara&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, com evidente preju&iacute;zo &agrave; subsist&ecirc;ncia do impetrante e seus dependentes; isso sem mencionar o indubit&aacute;vel abalo &agrave; seguran&ccedil;a, &agrave; tranquilidade, &agrave; pr&oacute;pria paz de esp&iacute;rito daquele que por mais de 5 anos confiou na estabilidade da situa&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica constitu&iacute;da expressamente pela Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">18. Ante o exposto, satisfeitos, cumulativamente, os requisitos autorizadores, <strong>periculum in mora e fumus boni iuris<\/strong>, defere-se a medida liminar para determinar que a Autoridade impetrada se abstenha de praticar qualquer ato que importe na suspens&atilde;o e\/ou cancelamento da anistia concedida ao impetrante, at&eacute; final julgamento do presente Mandado de Seguran&ccedil;a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">19. Notifique-se a Autoridade apontada como coatora para, querendo, prestar informa&ccedil;&otilde;es no prazo legal. Ap&oacute;s, abra-se vista ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">20. Publique-se; intima&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bras&iacute;lia, 22 de maio de 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NAPOLE&Atilde;O NUNES MAIA FILHO<\/strong><br \/>\n\tMINISTRO RELATOR<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><u>Superior Tribunal de Justi&ccedil;a<\/u><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MANDADO DE SEGURAN&Ccedil;A N&ordm; 20.187 &#8211; DF (2013\/0158982-6)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RELATOR : <strong>MINISTRO NAPOLE&Atilde;O NUNES MAIA FILHO<\/strong><br \/>\n\tIMPETRANTE : <strong>MANOEL GENIVAL RODRIGUES<br \/>\n\tADVOGADO : ALEXANDRE AUGUSTO SANTOS DE VASCONCELOS E <\/strong><strong>OUTRO(S)<\/strong><br \/>\n\tIMPETRADO : <strong>MINISTRO DE ESTADO DA JUSTI&Ccedil;A<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color:#000000;\"><strong>DECIS&Atilde;O<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color:#000000;\">MANDADO DE SEGURAN&Ccedil;A. ADMINISTRATIVO. PORTARIA QUE CONCEDEU ANISTIA POL&Iacute;TICA ANULADA, DE OF&Iacute;CIO, PELA ADMINISTRA&Ccedil;&Atilde;O, MAIS DE 8 ANOS AP&Oacute;S A SUA PUBLICA&Ccedil;&Atilde;O. ALEGA&Ccedil;&Atilde;O DE DECAD&Ecirc;NCIA. APAR&Ecirc;NCIA DE BOM DIREITO. PERIGO DA DEMORA. TUTELA MANDAMENTAL LIMINAR PROVIS&Oacute;RIA DEFERIDA, MAS PARA VIGORAR AT&Eacute; O JULGAMENTO DO MANDAMUS PELA TURMA.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color:#000000;\">1. &Eacute; li&ccedil;&atilde;o constante (e antiga) dos tratadistas de Direito Civil que o instituto da decad&ecirc;ncia serve ao prop&oacute;sito da pacifica&ccedil;&atilde;o social, da seguran&ccedil;a jur&iacute;dica e da justi&ccedil;a, por isso que, somente em situa&ccedil;&otilde;es de absoluta excepcionalidade, se admite a revis&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas sobre as quais o tempo j&aacute; estendeu o seu manto impenetr&aacute;vel; o Direito P&uacute;blico incorpora essa mesma orienta&ccedil;&atilde;o, com o fito de aquietar as rela&ccedil;&otilde;es do indiv&iacute;duo com o Estado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color:#000000;\">2. No caso em aprecia&ccedil;&atilde;o, o impetrante &eacute; Anistiado Pol&iacute;tico, e sem nenhuma explica&ccedil;&atilde;o ou justificativa para excepcionar a decad&ecirc;ncia ex ope temporis, a Administra&ccedil;&atilde;o tornou, de of&iacute;cio, insubsistente um ato, de sua pr&oacute;pria lavra, praticado h&aacute; mais de 8 anos (anistia pol&iacute;tica do impetrante).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color:#000000;\">3. O fumus boni juris do pleito mandamental encontra-se demonstrado na aparente decad&ecirc;ncia do direito de a Administra&ccedil;&atilde;o revogar, de of&iacute;cio, o seu ato, e o periculum in mora mostra-se na exclus&atilde;o do impetrante do direito de perceber a sua pens&atilde;o de Anistiado Pol&iacute;tico, com reflexos sobre os seus meios de subsist&ecirc;ncia pessoal e familiar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color:#000000;\">4. Vislumbra-se, assim, &agrave; primeira vista, haver deca&iacute;do a prerrogativa administrativa de revis&atilde;o de of&iacute;cio do ato, por isso que, ante tal evid&ecirc;ncia, concede-se a tutela mandamental de efic&aacute;cia instant&acirc;nea, para sustar os efeitos do ato revocat&oacute;rio, at&eacute; o julgamento deste mandamus, pela 1a. Se&ccedil;&atilde;o do STJ, que melhor dir&aacute;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. Trata-se de Mandado de Seguran&ccedil;a com pedido de medida liminar impetrado por MANOEL GENIVAL RODRIGUES, ex-membro da Aeron&aacute;utica, no qual aponta como autoridade coatora o MINISTRO DE ESTADO DA JUSTI&Ccedil;A, e como ato coator a Portaria Ministerial 286, de 28.01.2013, que anulou o ato que concedeu a sua anistia pol&iacute;tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Narra a inicial que o impetrante foi declarado anistiado pol&iacute;tico pela Portaria 21, de 08.01.2004, do Ministro de Estado da Justi&ccedil;a, passando, posteriormente, a perceber a repara&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica consistente em presta&ccedil;&otilde;es mensais, permanentes e continuadas; isso foi h&aacute; mais de 8 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Aduz que, conquanto n&atilde;o tenha sido informado, nos &uacute;ltimos anos, de qualquer iniciativa da Administra&ccedil;&atilde;o para revisar ou anular a anistia concedida, em 15.02.2011, foi editada a Portaria Interministerial 134, do Ministro de Estado da Justi&ccedil;a e do Advogado Geral da Uni&atilde;o, criando o Grupo de Trabalho Interministerial com a finalidade de reexaminar as anistias embasadas na Portaria 1.104-GM3\/1964, sendo que, recentemente, foi publicada a Portaria 286, que anulou a anistia do impetrante; este &eacute; o ato coator.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Sustenta que passados mais de 5 anos, a contar da declara&ccedil;&atilde;o de sua anistia, estabilizou-se a rela&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica sob o albergue constitucional do direito adquirido e da inviolabilidade do ato administrativo juridicamente perfeito. Destaca que a possibilidade de anula&ccedil;&atilde;o da Portaria anistiadora sucumbe por for&ccedil;a da decad&ecirc;ncia, operada nos moldes do disposto no art. 54 da Lei 9.784\/99.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5. Alega que a plausibilidade jur&iacute;dica do direito vindicado, somada ao evidente risco na demora, autoriza a concess&atilde;o de provimento liminar para manuten&ccedil;&atilde;o dos efeitos da Portaria concessiva de anistia pol&iacute;tica at&eacute; o julgamento final do mandamus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6. &Eacute; o relat&oacute;rio. Decido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7. De in&iacute;cio, insta ressaltar que o objeto da impetra&ccedil;&atilde;o, no caso dos autos, cinge-se ao reconhecimento de abuso ou ilegalidade do ato emanado da autoridade indicada como coatora, consubstanciado na anula&ccedil;&atilde;o da anistia concedida ao impetrante por meio da Portaria 21, de 08.01.2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8. Nesse passo, vale lembrar que, embora a Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica esteja adstrita &agrave; observ&acirc;ncia do princ&iacute;pio da legalidade, ex vi do art. 37 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, seus atos devem se ater, igualmente, a outros princ&iacute;pios constitucionais, notadamente o da seguran&ccedil;a jur&iacute;dica, corol&aacute;rio do Estado Democr&aacute;tico de Direito, como se sabe e ami&uacute;de se proclama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9. Dest&#39;arte, depreende-se que a aplica&ccedil;&atilde;o do instituto da decad&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o ao direito da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica de invalidar seus atos, ainda que eventualmente eivados de nulidade, encontra amparo na Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica e no sistema das garantias subjetivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10. Deveras, se por um lado a Administra&ccedil;&atilde;o tem, por for&ccedil;a do princ&iacute;pio da legalidade, o dever de invalidar atos viciados, podendo faz&ecirc;-lo por iniciativa pr&oacute;pria ou por determina&ccedil;&atilde;o judicial, por outro lado &eacute; de se considerar que o restabelecimento da legalidade deve ser operado sem afetar a seguran&ccedil;a jur&iacute;dica, pois, caso contr&aacute;rio, sob o pretexto de se corrigir uma ilegalidade, estar-se-ia perpetrando uma outra ofensa ao ordenamento jur&iacute;dico, qual seja, a viola&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a jur&iacute;dica das pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">11. Com efeito, a possibilidade de a Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica revisar seus atos a qualquer tempo, ainda que sob a invoca&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da legalidade e da supremacia do interesse p&uacute;blico, ofende a seguran&ccedil;a jur&iacute;dica e a pr&oacute;pria moralidade administrativa, porquanto permite que o particular seja surpreendido pela invalida&ccedil;&atilde;o de um ato, muitos anos depois de sua pr&aacute;tica; neste caso, mais de 8 anos ap&oacute;s a sua edi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">12. A permiss&atilde;o de indefinida revis&atilde;o ou revoga&ccedil;&atilde;o dos atos pela Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica encerra perigo para a pr&oacute;pria estabilidade das rela&ccedil;&otilde;es sociais, sendo os princ&iacute;pios da confian&ccedil;a e da seguran&ccedil;a jur&iacute;dica componentes da pr&oacute;pria &eacute;tica jur&iacute;dica; &eacute; por tal raz&atilde;o que, no ordenamento jur&iacute;dico brasileiro, a prescritibilidade &eacute; a regra, e a imprescritibilidade a exce&ccedil;&atilde;o, somente atuando em casos pr&eacute;via e expressamente definidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">13. A respeito, calha citar li&ccedil;&atilde;o lapidar do Professor CELSO ANT&Ocirc;NIO BANDEIRA DE MELLO:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color:#800000;\">O Direito prop&otilde;e-se a ensejar uma certa estabilidade, um m&iacute;nimo de certeza na reg&ecirc;ncia da vida social. Da&iacute; o chamado princ&iacute;pio da seguran&ccedil;a jur&iacute;dica, o qual, bem por isso, se n&atilde;o &eacute; o mais importante dentre todos os princ&iacute;pios gerais de Direito, &eacute;, indisputavelmente, um dos mais importantes entre eles. Os institutos da prescri&ccedil;&atilde;o, da decad&ecirc;ncia, da preclus&atilde;o (esfera processual), do usucapi&atilde;o, da irretroatividade da lei, do direito adquirido, s&atilde;o express&otilde;es concretas que bem revelam esta profunda aspira&ccedil;&atilde;o &agrave; estabilidade, &agrave; seguran&ccedil;a, conatural ao Direito. Tanto mais porque in&uacute;meras dentre as rela&ccedil;&otilde;es compostas pelos sujeitos de direito constituem-se em vista do porvir e n&atilde;o apenas da imediatidade das situa&ccedil;&otilde;es, cumpre, como inafast&aacute;vel requisito de um ordenado conv&iacute;vio social, livre de abalos repentinos ou surpresas desconcertantes, que haja uma estabilidade nas situa&ccedil;&otilde;es destarte constitu&iacute;das<\/span> (Curso de Direito Administrativo, S&atilde;o Paulo, Malheiros, 2010, p. 124).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">14. Nessa esteira, firme em que o princ&iacute;pio da legalidade somente tem preval&ecirc;ncia sobre o da prote&ccedil;&atilde;o da confian&ccedil;a quando o administrado obt&eacute;m vantagem por meios il&iacute;citos, a jurisprud&ecirc;ncia desta Corte assentou a orienta&ccedil;&atilde;o de que, ap&oacute;s a edi&ccedil;&atilde;o da Lei 9.784\/99, a invalida&ccedil;&atilde;o dos atos administrativos sujeita-se ao prazo decadencial, nos exatos termos do art. 54 do referido diploma legal. A prop&oacute;sito:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color:#000000;\">MANDADO DE SEGURAN&Ccedil;A. MILITAR ANISTIADO. INSTAURA&Ccedil;&Atilde;O DE PROCESSO DE REVIS&Atilde;O. DECAD&Ecirc;NCIA. ART. 54 DA LEI 9.784\/99. ORDEM CONCEDIDA.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color:#000000;\">1. O direito da Administra&ccedil;&atilde;o de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favor&aacute;veis para os destinat&aacute;rios decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada m&aacute;-f&eacute; e considera-se exerc&iacute;cio do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que importe impugna&ccedil;&atilde;o &agrave; validade do ato (artigo 54, caput, e par&aacute;grafo 2o. da Lei 9.784\/99).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color:#000000;\">2. Instaurado o processo de revis&atilde;o de anistiado pol&iacute;tico ap&oacute;s decorridos mais de sete anos da sua concess&atilde;o e quase seis anos de recebimento da presta&ccedil;&atilde;o mensal, permanente e continuada, resta consumado o prazo decadencial de que cuida o artigo 54 da Lei 9.784\/99.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color:#000000;\">3. Conquanto se admita que o controle externo, oriundo dos Poderes Legislativo e Judici&aacute;rio, n&atilde;o esteja sujeito a prazo de caducidade, o controle interno o est&aacute;, n&atilde;o tendo outra fun&ccedil;&atilde;o o artigo 54 da Lei 9.784\/99 que n&atilde;o a de impedir o exerc&iacute;cio abusivo da autotutela administrativa, em detrimento da seguran&ccedil;a jur&iacute;dica nas rela&ccedil;&otilde;es entre o Poder P&uacute;blico e os administrados de boa-f&eacute;, raz&atilde;o pela qual n&atilde;o poderia a Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, ela mesma, rever o ato de anistia concedida h&aacute; mais de cinco anos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color:#000000;\">4. Ordem concedida <\/span>(MS 15.346\/DF, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, DJe 03.12.2010).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">15. No caso dos autos, a plausibilidade jur&iacute;dica da pretens&atilde;o deduzida &eacute; percept&iacute;vel primo ictu oculi, considerando que a invalida&ccedil;&atilde;o da anistia pol&iacute;tica concedida ao ex-integrante dos quadros da Aeron&aacute;utica, mais de 8 anos ap&oacute;s a edi&ccedil;&atilde;o do ato administrativo correspondente, n&atilde;o refoge aos efeitos da decad&ecirc;ncia disciplinada no art. 54 da Lei 9.784\/99; &eacute; cedi&ccedil;o que n&atilde;o pode o administrado ficar sujeito indefinidamente ao poder de autotutela da Administra&ccedil;&atilde;o, sob pena de desestabilizar um dos pilares de ferro do Estado Democr&aacute;tico de Direito, qual seja, o princ&iacute;pio da seguran&ccedil;a das rela&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">16. O <strong>periculum in mora <\/strong>tamb&eacute;m est&aacute; demonstrado, tendo em vista que anula&ccedil;&atilde;o da Portaria anistiadora, com a consequente suspens&atilde;o dos pagamentos mensais da correlata repara&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, representa evidente preju&iacute;zo &agrave; subsist&ecirc;ncia do impetrante e seus dependentes; isso sem mencionar o indubit&aacute;vel abalo &agrave; seguran&ccedil;a, &agrave; tranquilidade, &agrave; pr&oacute;pria paz de esp&iacute;rito daquele que, por mais de 8 anos, confiou na estabilidade da situa&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica constitu&iacute;da pela pr&oacute;pria Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">17. Ante o exposto, satisfeitos, cumulativamente, os requisitos autorizadores, <strong>periculum in mora e fumus boni iuris<\/strong>, defere-se a medida liminar para sustar os efeitos da Portaria Ministerial que anulou a anistia pol&iacute;tica concedida ao impetrante, at&eacute; o julgamento deste <strong>mandamus<\/strong>, pela 1a. Se&ccedil;&atilde;o do STJ, que melhor dir&aacute;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">18. Notifique-se a Autoridade apontada como coatora para, querendo, prestar informa&ccedil;&otilde;es no prazo legal. Ap&oacute;s, abra-se vista ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">19. Publique-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">20. Intima&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bras&iacute;lia, 24 de maio de 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NAPOLE&Atilde;O NUNES MAIA FILHO<\/strong><br \/>\n\tMINISTRO RELATOR<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EDcl no MANDADO DE SEGURAN&Ccedil;A N&ordm; 19.429 &#8211; DF (2012\/0241455-2)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RELATOR : <strong>MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES<\/strong><br \/>\n\tEMBARGANTE : <strong>UNI&Atilde;O<\/strong><br \/>\n\tPROCURADOR : <strong>ADVOCACIA-GERAL DA UNI&Atilde;O &#8211; AGU<\/strong><br \/>\n\tEMBARGADO : <strong>SEVERINO JOS&Eacute; DE MEDEIROS<\/strong><br \/>\n\tADVOGADO : <strong>BRUNO DE ALBUQUERQUE BAPTISTA, ALEXANDRE AUGUSTO SANTOS DE VASCONCELOS E OUTRO(S)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EMENTA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARA&Ccedil;&Atilde;O NO MANDADO DE SEGURAN&Ccedil;A. ANISTIA POL&Iacute;TICA. MILITAR. REPARA&Ccedil;&Atilde;O ECON&Ocirc;MICA. VALORES RETROATIVOS. INEXIST&Ecirc;NCIA DOS V&Iacute;CIOS PREVISTOS NO ART. 535 DO CPC. INCONFORMISMO DA EMBARGANTE. EFEITOS INFRINGENTES. INVIABILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. REJEI&Ccedil;&Atilde;O DOS EMBARGOS DECLARAT&Oacute;RIOS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. A atribui&ccedil;&atilde;o de efeitos infringentes, em sede de embargos de declara&ccedil;&atilde;o, somente &eacute; admitida em casos excepcionais, os quais exigem, necessariamente, a ocorr&ecirc;ncia de qualquer dos v&iacute;cios previstos no art. 535 do C&oacute;digo de Processo Civil. Hip&oacute;tese n&atilde;o-configurada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. No caso dos autos, n&atilde;o existem os defeitos apontados pela embargante, mas, apenas, entendimento contr&aacute;rio &agrave; sua pretens&atilde;o recursal, de modo que &eacute; manifesta a inten&ccedil;&atilde;o de rever todos os pontos analisados minuciosamente no aresto embargado. Assim, a embargante objetiva apenas o reexame da causa com a atribui&ccedil;&atilde;o de efeitos infringentes ao recurso, o que &eacute; invi&aacute;vel em sede de embargos de declara&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Embargos de declara&ccedil;&atilde;o rejeitados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>AC&Oacute;RD&Atilde;O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vistos, relatados e discutidos esses autos em que s&atilde;o partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SE&Ccedil;&Atilde;O do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a, na conformidade dos votos e das notas taquigr&aacute;ficas, o seguinte resultado de julgamento:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&quot;A Se&ccedil;&atilde;o, por unanimidade, rejeitou os embargos de declara&ccedil;&atilde;o, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.&quot;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Srs. Ministros Benedito Gon&ccedil;alves, S&eacute;rgio Kukina, Ari Pargendler, Eliana Calmon, Arnaldo Esteves Lima, Humberto Martins e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Napole&atilde;o Nunes Maia Filho. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Castro Meira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bras&iacute;lia (DF), 22 de maio de 2013.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Assinatura_Dr_Alexandre_Vasconcelos-350x87.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" class=\"alignnone size-full wp-image-17527\" height=\"84\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Assinatura_Dr_Alexandre_Vasconcelos-350x87.jpg\" title=\"Assinatura_Dr_Alexandre_Vasconcelos-350x87\" width=\"350\" srcset=\"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Assinatura_Dr_Alexandre_Vasconcelos-350x87.jpg 350w, https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Assinatura_Dr_Alexandre_Vasconcelos-350x87-300x72.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/a><\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #333300;\"><a href=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/gvlima15_jpg.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"gvlima15_jpg\" class=\"alignnone size-full wp-image-4034\" height=\"48\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/gvlima15_jpg.jpg\" title=\"gvlima15_jpg\" width=\"32\" \/><\/a><\/span><br \/>\n\t<span style=\"color: rgb(51, 51, 0); \">Postado por Gilvan Vanderlei<\/span><br \/>\n\t<span style=\"color: rgb(51, 51, 0); \">Ex-Cabo da FAB &ndash; V&iacute;tima da Portaria 1.104GM3\/64<\/span><br \/>\n\t<span style=\"color: rgb(51, 51, 0); \">E-mail <\/span><a href=\"mailto:gvlima@terra.com.br\">gvlima@terra.com.br<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ministro Napole&atilde;o Nunes Maia Filho De: alexandre@baptistaevasconcelos.com.br Enviada em: ter&ccedil;a-feira, 4 de junho de 2013 18:17 Para: &#39;gvlima@terra.com.br&#39; Assunto: Duas liminares concedidas &nbsp; Vanderlei, Mais duas liminares concedidas, no &acirc;mbito do STJ, desta feita do Ministro Napole&atilde;o Nunes Maia Filho. 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