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{"id":10255,"date":"2012-02-16T23:00:03","date_gmt":"2012-02-17T02:00:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/?p=10255"},"modified":"2012-02-16T23:44:39","modified_gmt":"2012-02-17T02:44:39","slug":"carnaval-em-tres-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/2012\/02\/carnaval-em-tres-dias\/","title":{"rendered":"Carnaval em tr\u00eas dias&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/app.todarede.com.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/app.todarede.com.jpg\" alt=\"app.todarede.com\" title=\"app.todarede.com\" width=\"450\" height=\"245\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10277\" srcset=\"https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/app.todarede.com.jpg 450w, https:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/app.todarede.com-300x163.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recife (PE)<\/strong> &#8211; No primeiro deles, era domingo de carnaval 1958 em \u00c1gua Fria. Ali, em frente ao Cinema Imp\u00e9rio, no largo do bairro, passavam mulheres, meninos, homens, piratas, colombinas, vedetes, palha\u00e7os, toureiros, zorros, ursos, lan\u00e7a-perfumes, bisnagas, perfumes, promessas de corpos nus que n\u00e3o pod\u00edamos pegar. Havia um suor bom onde se colavam os confetes, umas peles abrasadas, uns sovacos mal raspados que eram em si mesmos fetiches do sexo feminino, esbarrando-se num fogo que desejava a tudo queimar, ardendo at\u00e9 a alma pobre da gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era uma explos\u00e3o de bra\u00e7os e pernas no frevo, uma multid\u00e3o revolta, uma humanidade negra, mulata, branca, revoltada, que se anunciava, e n\u00e3o sab\u00edamos: aten\u00e7\u00e3o, menino, aten\u00e7\u00e3o, inf\u00e2ncia: \u201c<strong>n\u00f3s passaremos<\/strong>\u201d. Acaso sab\u00edamos que nem sombra de s\u00eamen e amor restaria no corpo imperioso, flamante daquela mulher endemoninhada? Que suas coxas n\u00e3o seriam eternas, sab\u00edamos? Ah, mas pressent\u00edamos, e sem ci\u00eancia aprendida, somente com o saber da urg\u00eancia do nosso sangue, com a percep\u00e7\u00e3o transmitida de gente a gente, que corria a multid\u00e3o, que vem de gera\u00e7\u00f5es desde que o homem se fez na terra, grit\u00e1vamos:<\/p>\n<p><span style=\"color: #333300;\"><strong>\u201cFelinto, Pedro Salgado,<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333300;\"><strong>Guilherme, Fenelon,<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333300;\"><strong>Cad\u00ea teus blocos famosos?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333300;\"><strong>Bloco das Flores, Andaluzas,<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333300;\"><strong>Pirilampos, Apois-Fum,<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333300;\"><strong>Dos carnavais saudosos?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333300;\"><strong> <\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333300;\"><strong>Na alta madrugada<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333300;\"><strong>O coro entoava<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333300;\"><strong>Do bloco a marcha-regresso<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333300;\"><strong>Que era o sucesso<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333300;\"><strong>Dos tempos ideais<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333300;\"><strong>Do velho Raul Morais:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333300;\"><strong>\u2018Adeus, adeus, \u00f3 minha gente,<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333300;\"><strong>que j\u00e1 cantamos bastante..\u2019<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333300;\"><strong>E Recife adormecia<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333300;\"><strong>Ficava a sonhar<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333300;\"><strong>Ao som da triste melodia&#8230;.\u201d<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n<p><CENTER><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"450\" height=\"360\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowScriptAccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/zQoO_001lww&amp;rel=0&amp;hl=en_US&amp;feature=player_embedded&amp;version=3\" \/><param name=\"allowfullscreen\" value=\"true\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"450\" height=\"360\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/zQoO_001lww&amp;rel=0&amp;hl=en_US&amp;feature=player_embedded&amp;version=3\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\"><\/embed><\/object><\/CENTER><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o vinham os acordes, letais. Que em letras de fogo deveriam estar gravados. Ou\u00e7am, <strong>vendo o v\u00eddeo<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No segundo dia, \u00e9 segunda-feira de carnaval em 2005. Eu me recupero de uma cirurgia, que se n\u00e3o foi ruim, fora rim sem d\u00favida. Sentado espiono os blocos que passam na rua.\u00a0 O som dos metais, o chamamento \u00e0 desordem \u00e9 uma ordem l\u00e1 fora. As fantasias e os mascarados passam como os navios e os trens passam, como o gozo proibido e negado passa. A m\u00fasica do frevo estoura em todo o ar e paisagem como uma persegui\u00e7\u00e3o. Assim sentado, sinto-me como o personagem de Hitchcock, o fot\u00f3grafo Jeff, de Janela Indiscreta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida \u00e9 ir\u00f4nica. No fim de 2004, eu havia dito \u00e0 mulher e aos filhos, como todos os anos repito e reclamo: \u201c<strong>O pr\u00f3ximo carnaval eu n\u00e3o brinco. Chega! Quero dist\u00e2ncia desse barulho<\/strong>\u201d, e a trincar os dentes acrescentara, como todos os anos: \u201c<strong>eu n\u00e3o suporto mais tamanha agita\u00e7\u00e3o. Chega!<\/strong>\u201d. Deus me ouviu. \u00c0 sua maneira me ouviu: aqui estou, longe da folia, conforme o desejo inicial, mas sob estrita recomenda\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, incapaz absoluto de pular, de saltar, t\u00e3o fr\u00e1gil quanto o homem de vidro, aquele em que se transformou O licenciado Vidra\u00e7a, de Cervantes. \u201c<strong>Este ano eu n\u00e3o brinco<\/strong>\u201d, dissera, e os deuses me ouviram. Ent\u00e3o ou\u00e7o uma can\u00e7\u00e3o na rua, \u201c<strong>neste carnaval, qu\u00e1-qu\u00e1-qu\u00e1-qu\u00e1, meu prazer \u00e9 gargalhar<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ouvia isso e o paradoxo vinha: agora que n\u00e3o podia sair, brincar, pular, beber, beber at\u00e9 cair, agora que estava na paz do recolhimento, agora que ganhava o privil\u00e9gio de ser evitado pelos alegres foli\u00f5es, justamente agora sentia uma falta extraordin\u00e1ria de carnaval. No momento em que podia ficar em casa a ler e a ouvir m\u00fasica suave, ah, como desejava \u201c<strong>Olinda, quero cantar<\/strong>\u201d, como me acendia o desejo de estar na multid\u00e3o, com os metais a gritar o mais alto frevo, ah, como desejava receber cotoveladas e empurr\u00f5es \u00e0 altura do rim, da cicatriz no ventre! Ah, como e quanto desejava mergulhar de cabe\u00e7a no \u00e1lcool, na cacha\u00e7a, no sol quente, no azul luminoso, mergulhar at\u00e9 virar \u00e9ter, lan\u00e7a-perfume, porque forte era a consci\u00eancia do quanto breve e est\u00fapida era, \u00e9 a\u00a0 nossa exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, hoje, no terceiro dia s\u00e3o v\u00e9speras do carnaval de 2012. A casa se enche de m\u00e1scaras, coroas de pano de rei, coroa de lat\u00e3o de rainha. E mais licor de jenipapo, de caju e de laranja-cravo. Um filho chega do Rio, louco e ansioso por Olinda, a filha vai para um bloco de jovens na Cidade Alta. \u00c0 minha revelia, a senhora esposa \u00e9 toda prepara\u00e7\u00e3o para os urgentes, alegres e felizes tr\u00eas pr\u00f3ximos dias. Por mim, n\u00e3o, eu n\u00e3o brincava, \u00a0sem d\u00favida. Por mim, eu \u00a0me recolhia para altos estudos, leituras, sil\u00eancio e medita\u00e7\u00f5es. Mas como vou decepcion\u00e1-los? \u00c9 coisa muito feia atrapalhar a felicidade dos outros. E depois, n\u00e3o sou mais, como antes, um convalescente sem c\u00e2mera a imitar o fot\u00f3grafo de Janela Indiscreta. Chega. Por enquanto, a fantasia \u00e9 outra.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Fonte: <span style=\"color: #0000ff;\">Direto da Reda\u00e7\u00e3o<\/span><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<h6 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_2zYbI1cQkto\/TReAULJTaZI\/AAAAAAAABbI\/OdcfK1f75DY\/S269\/27-04-09_1209aB32.jpg\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/gvlima15_jpg.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4034\" title=\"gvlima15_jpg\" src=\"http:\/\/www.militarpos64.com.br\/sitev2\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/gvlima15_jpg.jpg\" alt=\"gvlima15_jpg\" width=\"32\" height=\"48\" \/><\/a><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Postado por Gilvan Vanderlei<br \/>\nEx-Cabo da FAB \u2013 V\u00edtima da Portaria 1.104GM3\/64<br \/>\nE-mail <a href=\"mailto:gvlima@terra.com.br\">gvlima@terra.com.br<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recife (PE) &#8211; No primeiro deles, era domingo de carnaval 1958 em \u00c1gua Fria. 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